21 de setembro de 2012

A Ilha dos Piratas...


Recebido por e-mail

Eça de Queirós e a política portuguesa

Ao "povo", pede-se o reencaminhamento deste texto

Ao "povo", pede-se o reencaminhamento deste texto, através de redes sociais ou de e-mail para todos os contactos.

Cá vai um importante contributo, para que o Ministro das Finanças não continue a fazer de nós parvos, dizendo com ar sonso que não sabe em que mais cortar. Acabou o recreio !!!!!!!!!!!!!!!

Este texto vai circular hoje e será lido por milhares de pessoas. A guerra contra a chulisse, está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos!

Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso. Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar. Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.

2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;.

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.

14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.

17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.

20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.

24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".

25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;

26. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".

27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.

28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

30. Pôr os Bancos a pagar impostos.

31. Denunciar as falsas boas vontades de campanhas, seminários e 'formações' destinadas a caçar subsídios, a subsídiodependência, em que cada acção é um modelo novo na frota automóvel.

32. Não papar festivais e golpadas, como 7 maravilhas disto e daquilo, que engordam muitos à custa dos votos e telefonemas imbecis para promover aquilo que não tem excelência e nem qualidade para ser destacado. Todas estas manobras promovem 'salazares e alheiras' e afundam o que realmente tem valor em Portugal...

33. Impedir o 1.º Ministro de cometer graves atropelos à Constituição, à Lei Geral e Lei do Trabalho, tais como as medidas catastróficas e mesmo criminosas, mascaradas num falso plano de austeridade que vai conduzir Portugal ao abismo.

34. Revogar os prazos de pagamento da dívida ao FMI, BCE e CE, no sentido de os alargar ao maior prazo possível sem agravamento dos já altíssimos juros.

35. Tomar medidas urgentes contra as multinacionais, holdings e bancos, que são os verdadeiros donos do FMI, BCE e CE., e estão a aguardar agindo nos bastidores, como abutres que espreitam moribundos, que as empresas entrem em falência para serem absorvidas a preços ridículos, alastrando uma praga de desemprego e miséria que é cada vez mais grave.

Ao "povo", pede-se o reencaminhamento deste texto, através de redes sociais ou de e-mail para todos os contactos. » POR TODOS NÓS E PELOS NOSSOS FILHOS.

18 de setembro de 2012

Fotos do Mundo

Embarcação real 'Spirit of Chartwell' já atracou no Douro


'Spirit of Chartwell' chegou ontem

Embarcação real já atracou no Douro

Depois de quase uma semana de viagem pelo Atlântico, vindo de Londres, atracou ontem no rio Douro o barco ‘Spirit of Chartwell’, embarcação que esteve ao serviço real nas comemorações do Jubileu de Diamante da rainha Isabel II, durante o desfile fluvial no Tamisa – realizado no passado dia 3 de Junho – e que vai agora fazer cruzeiros de luxo no Douro.

Apesar dos cruzeiros do ‘Spirit of Chartwell’, só terem data prevista para arrancar em Março de 2012, a primeira viagem está marcada já para o próximo dia 22. O principal objectivo é inaugurar o negócio dos cruzeiros de superluxo. Segundo o CM apurou, uma viagem no emblemático barco, que celebrou os 60 anos de reinado de Isabel II, poderá custar entre 3500 e 5000 euros. A embarcação foi adquirida pela Douro Azul em Julho. Mário Ferreira, director--geral da empresa garantiu que pagou "o preço justo pelo barco que é". De acordo com os jornais ingleses, a embarcação terá custado mais de 10 milhões de euros. A barcaça ‘Spirit of Chartwell’, adquirida em 1997, tem 64 metros de comprimento e tem uma confortável suíte real e 14 cabines de luxo. Durante o Jubileu viajou com todos os membros da família real.

Correio da Manhã, 15 Setembro 2012

Desprezo e cinismo (Francisco Moita Flores)



Escrevo no momento em que as cidades de Lisboa e do Porto ainda se encontram coalhadas pela imensa multidão que saiu em protesto contra a política ‘troikista’, que optou para aderir aos apelos das redes sociais e, simultaneamente, procurou distanciar-se, com algum desprezo, dos partidos que se opõem ao governo.

À mesma hora, quase dez dias depois da declaração do primeiro-ministro, ainda não se sabia a posição do CDS sobre as medidas anunciadas. Ainda não sabemos se está com o governo ou se está na oposição. Uma coisa é incontornável: Paulo Portas foi poupado aos apupos dos manifestantes, que elegeram Passos e Gaspar como bombos da festa. É caso para dizer com ironia que o CDS esteve mesmo ausente da manifestação. Em corpo e em espírito. Por outro lado, sabe-se vaga-mente que faz parte do governo. Sobretudo quando as coisas dão para o torto e o PS surge a liderar sondagens, lá está o PP em equilíbrio instável, medindo no xadrez da política com quem isto de coligações dará mais jeito. Em nome da Pátria, claro. Porém, desconfio que seja em nome do proveito próprio.

Se é certo que se torna desconcertante que manifestações com esta grandeza fujam da tutela dos partidos que se opõem ao governo, como se os sentissem como algo de impuro e sórdido que macula a indignação, não é menos verdade que as posições de silêncio ambíguo e de hesitação do CDS face às decisões do governo, do qual faz parte, revelam até á saciedade o estado a que isto chegou. O povo nas ruas recusa as políticas da troika, o CDS no governo não sabe se quer lá estar.

Ou melhor, sabe que quer estar num governo. Seja ele qual for, porque é a sua única natureza e finalidade, mas não quer assumir, ou faz os possíveis para não assumir, o que de mais duro essegoverno tem de impor aos portugueses. Isto parece coisa de comediante, mas é assim que estamos. Ninguém ensina um povo a estar contra. O que a rua está a dizer é que quer saber qual o caminho de futuro e aí é que espera e exige que os partidos indignados sejam capazes de apontar novos rumos. Até agora, nada. Portanto, não fazem falta a quem suplica justiça. Muito menos faz falta o CDS, que está e não está. Uma espécie de omnipresença do vazio calculando a dimensão populista da melhor decisão para o seu futurozinho. Em nome de Portugal, claro.

Francisco Moita Flores
Correio da Manhã,16 Setembro 2012

Suicídio da Esperança (Francisco Moita Flores)



O verdadeiro drama desta crise não está nos números. Está nos homens que os tratam como meros utensílios.

Esta crise, que se tornou num inverno de descontentamento, de angústias e de incertezas, tem sido uma lição sobre as (des)virtudes do economês. Dessa linguagem cifrada, pretensamente científica, especulativa e aleatória que se diz e contradiz em cada medida, em cada protesto, em cada concordância. E digo pretensamente científica porque, ao longo destes três anos de brasa, rebobinando tudo aquilo que se comentou sobre as derivas e soluções para sair da crise, tem revelado uma de duas coisas. Ou economistas que atiram com soluções conforme a ocasião ou uma angustiante incompetência da racionalidade economicista e financeira para encontrar um caminho que nos abra uma luz neste túnel cinzento e frio por onde caminhamos.

No balanço da comunicação do primeiro-ministro sobre mais austeridade, escutámos de tudo e o seu contrário, ou seja, espremido, para o cidadão comum, não ficou uma réstia de esperança nem de incerteza. Apenas a multiplicação da confusão e da contradição. Julgo que o verdadeiro drama desta crise e deste sabe em crise tão profunda não está nos números. Está nos homens que os tratam como meros utensílios. Como se a vida fossem números e nada mais do que algarismos sem alma, sem emoção, sem dignidade.

A secura do número é amada por este saber pobre e frustrante que nem a dimensão simbólica dos algarismos consegue apreender. E por isso, prefiro olhar e resistir a esta crise com a ajuda de outros números cuja carga simbólica trazem dentro de si Vida e Morte. Soubemos que, em 2009, seis portugueses por dia autodeterminaram a morte. Que a linha SOS Voz Amiga (destinada à prevenção do suicídio) recebe milhares de telefonemas suplicando ajuda de gente na brutalidade da solidão, do desemprego, da ruína familiar, da violência doméstica.

Ficámos a saber também que sobem acima de 30 mil os casos de violência doméstica, sempre em crescendo conforme se agudiza a crise, com maior cadência de mulheres assassinadas. Podíamos continuar a fornecer números sobre esta morte da esperança. Talvez se gritasse menos, se houvesse um saber com alma que compreendesse a dimensão trágica do número, acrescentando soluções que tivessem a ver com a dignidade de quem sofre, coisa que não se mede em percentagens do PIB, nem de inflação.

Francisco Moita Flores
Correio da Manhã, 09 Setembro 2012

13 de setembro de 2012

O País de corruptos


Portugal é um País de corruptos? A magistrada Cândida Almeida foi a uma iniciativa do PSD tranquilizar-nos dizendo que não. A questão está obviamente mal colocada. Desde logo, não cabe a uma magistrada meter-se em tais plateias com discursos que apelam a um nacionalismo serôdio.

Não somos um País de corruptos, é certo, mas isso não significa que não tenhamos um grave problema de corrupção e que ele afecte, sobretudo, a classe política. Pelas acusações do DCIAP não se vislumbra tal problema, mas que ele existe não tenhamos dúvida. Basta ver o caso BPN, o Freeport, a Cova da Beira, o enriquecimento de Duarte Lima e de tantos outros mais protegidos pelo ‘sistema’.

Eduardo Dâmaso
Correio da Manhã, 3 de Setembro de 2012

Carta ao primeiro-ministro


Sr. primeiro-ministro, os portugueses não podem ser cobaias de terapias económicas nunca antes testadas. Os portugueses, sr. primeiro-ministro, formam um povo dócil, ordeiro, trabalhador. Mas tais virtudes – ou agora volveram defeitos? – não legitimam uma troika tecnocrata para, através de si, apertar ainda mais o garrote que estrangula os milhões de famílias dos trabalhadores do País.

Sr. primeiro-ministro, o seu ministro das Finanças falha previsões em mais de 1,5 mil milhões em 2012, e o sr. primeiro-ministro passa agora a ser cúmplice de um erro ainda maior para 2013. O que acha o sr. primeiro-ministro que irá acontecer à procura interna com a penúria a que condena ainda mais as famílias? O senhor e o seu ministro das Finanças - que viu IVA e outros impostos minguarem, apesar da carga confiscatória que já atingem, enquanto os custos do desemprego sobem em flecha - conseguem prever o que será deste País em 2013?

Não tenha dúvidas - o coma a que as suas medidas brutais induzem a procura interna vai trazer falências, despedimentos, miséria em catadupa. Os 5,5 mil milhões que visa obter com esta insanidade política desenham sobre os céus de Portugal, em cego galope, dois cavaleiros do apocalipse. Fome e Morte, em sentido literal.

Sr. primeiro-ministro, quem só percebe de Finanças não percebe nada de Economia e não está habilitado a conduzir um Povo. A política não é a arte de dizer que sim a um bando de especialistas em agiotagem, enquanto se fustigam milhões de cidadãos honestos, inocentes e indefesos. Sabemos, sr. primeiro-ministro, que não foi o seu Governo que nos trouxe até aqui. O monstro, esse Estado gordo em alegre comezaina com vários níveis de corrupção, não é obra sua. Mas não há solução neste caminho que impõe. O mesmo Estado, com os mesmos tiques - que reformas já fez na Justiça, sr. primeiro-ministro? O que há de novo na área da transparência?-, lança-se sobre os cidadãos e alimenta-se das últimas réstias de rendimento disponível. Devora liberdade, felicidade e vida.

Política, sr. primeiro-ministro, seria a capacidade de usar o ímpar comportamento cívico dos portugueses para renegociar os juros da dívida do seu Estado vicioso. Patamares aceitáveis estão na casa dos 2%. Que ainda assim seriam o dobro do que o BCE exige à Banca.

Sr. primeiro-ministro, um juro razoável, na imensa dívida pública, libertaria igual verba anual do que esta seca maldição que lançou sobre o seu Povo.

Se o senhor apagar a luz no fundo do túnel, o túnel vai virar poço.

Correio da Manhã, 10 de Setembro de 2012

Já foi (Joana Amaral Dias)

Acabou o consenso social e político em Portugal. Levem-lhe flores. As medidas que Passos Coelho anunciou ontem, atacando uma vez mais os rendimentos do trabalho, revelando total insensibilidade com os pensionistas e, inevitavelmente, emagrecendo mais o consumo, cavando a recessão, foram a estocada final.

O consenso já andava debilitado, meio desmaiado, rojando-se pelas ruas, mas desta é que foi. Medidas para combater o desemprego? Zero. Apoio às empresas? Onde está o crédito? Outra vez os do costume a pagarem a crise? O Primeiro-Ministro diz que o capital também vai contribuir. Só não diz é como. Para os trabalhadores, o roubo é apresentado tintim por tintim para tapar o buraco orçamental. Dois salários a menos no sector público, um a menos no privado. Aumento de impostos disfarçado. Já as entidades patronais poupam e acontribuição oriunda da renegociação das PPP ou das rendas da energia é coisa vaga, assim-assim. Outras taxas sobre grandes rendimentos, água. Eis o Tribunal Constitucional bemfintado. Ah, e o que dizer do momento escolhido pelo Primeiro-Ministro para afiar as facas, uns minutos antes do jogo da selecção? Pão e circo? Não. Pão já era.

Joana Amaral Dias
Correio da Manhã, 8 de Setembro de 2012

10 de setembro de 2012

A torneira do dinheiro (Armando Esteves Pereira)


No início da década de 90, a explosão bancária em Portugal foi tão forte que, de norte a sul, nas principais praças, históricas pastelarias fecharam para dar lugar a agências bancárias.

Para os bancos, o negócio correu muito bem durante 20 anos, o caminho do euro baixou os juros e abriu a torneira do financiamento externo barato. Captar poupança passou a ser secundário. O que importava era emprestar dinheiro, e os portugueses passaram a ter tudo a crédito, da casa ao carro, da mobília às férias. Outra área favorita foi a especulação financeira com créditos que a crise financeira veio a revelar incobráveis. Agora que a torneira do dinheiro fácil acabou, a Banca despede e fecha balcões. Mas, com a crise, nem as pastelarias regressam à praça.

Armando Esteves Pereira
Correio da Manhã, 5 de Setembro de 2012

1 de setembro de 2012

Portugal país de paradoxos, do gamanço e da corrupção


No dia em que morreu Neil Armstrong, o primeiro homem que pisou a Lua, tive acesso ao acórdão do famigerado caso Freeport. São cerca de 100 páginas demolidoras contra a democracia, contra a honestidade, contra os valores supremos da cidadania. (Depois da (ir)resolução deste imbróglio internacional, nada mais tem sido numa sociedade que se diz democrática, justa, coerente, fraterna, igualitária e consequente com a sociedade portuguesa.

Nunca aflorei nas minhas congeminações semanais, nesta e noutras colunas da imprensa, este tema que se conheceu através de uma carta anónima, entregue em 20 de Outubro de 2004 no Departamento de Investigação Criminal de Setúbal da Polícia Judiciária. Nessa carta se afirmava que o Freeport fora aprovado à pressa em 2001/2002, mediante a entrega de dinheiros ao então ministro do Ambiente para a campanha eleitoral autárquica do seu partido político. Essa Averiguação Preventiva teve o nº 73/2004 e, segundo esse acórdão, “esteve a marcar passo” na comarca de Montijo, desde 4/2/2005 até 1/10/2008. Por esse facto, tal processo recebeu o título de “sui generis”.

Foi apresentado à Diretora do DCIAP em 13/7/2010 que não lhe deu o melhor seguimento.

Entretanto, as televisões, a imprensa escrita e falada fizeram manchetes de todos os tamanhos, apontando nomes de políticos de proa, antes e depois do empreendimento. Apesar das graves acusações sobre políticos locais, regionais e nacionais, foram adquiridas 80 testemunhas que permitiram ao Coletivo dos Juízes e ao Ministério Público exarar no Acórdão com 91 factos provados, cada qual o mais escandaloso, o mais preocupante e o mais nocivo à formação cívica das novas gerações. Não foi um juiz só, nem uma ou duas testemunhas a confirmar as provas. Foram inquiridas 80 pessoas; formuladas 91 acusações que mencionam muitos milhões de euros, favores pagos a pesos de ouro; despachos redigidos à medida dos corruptores, enfim, uma sentença que vai ficar na história como uma das maiores catástrofes política, ética e social, em nove séculos de odisseia, reduzida a cinzas. Os democratas mereciam provas concludentes do contrário desta vergonha que ensombra a Lusofonia, desacredita a honorabilidade da justiça portuguesa e, em vez de convidar as novas gerações à prática dos valores morais, antes os incita a mais assaltos, mais criminalidade organizada e a menos respeito pelos sãos princípios que foram timbre do Povo Português.

Nestes quase quarenta anos de vigência democrática já muitos casos semelhantes se deram.

A Lusitanidade de Lourenço Marques – História de uma Cidade

A Lusitanidade de Lourenço Marques – História de uma Cidade (Ano 1965)

Devemos ter por certo que, já do tombadilho das caravelas de Vasco da Gama, se avistara, pela primeira vez, em 1498, senão toda a baía, sequer o perfil alteroso da Inhaca, quando a frota gloriosa, rumando ao Norte, deixara o paralelo da Terra do Natal, para ir reconhecendo a costa, da qual, no Roteiro da grande viagem, se vão sucessivamente mencionado: a embocadura do rio do Cobre, ou seja a barra do Limpopo em Inhambane, a foz do rio dos Bons Sinais, em Quelimane, onde o Grande Capitão erigiu o padrão de S. Rafael e outros pontos do litoral até à ilha de Moçambique ao abrigo da qual a frota fundeou no dia 1 de Março de 1498.

Também Pedro Álvares Cabral em sua viagem a Moçambique no ano de 1500 e novamente o Gama em 1502, na sua segunda viagem à Índia, terão bem provavelmente avistado o grandioso estuário formado pelos rios que desaguam nessa formosa e vasta Baía da Paz, como lhe chamaram os primeiros navegadores. Alguns antigos cronistas e alguns outros mais recentes, referem-nos a descoberta, em 1544, da Baía de Lourenço Marques, pelo navegador e traficante português Lourenço Marques, tendo sido de tal descobrimento dada notícia a D. João III, por intermédio de D. João de Castro, que então singrava no canal de Moçambique, de passagem para a Índia de que ia assumir o governo.

Dois anos após ter sido notícia do reconhecimento da baía feito por Lourenço Marques, mandou D. João III que se fizesse reconhecimento dos rios que nela desaguavam e que, na margem direita do rio do Espírito Santo, se assentassem feitoria e fortaleza. A tais instruções corresponderam Lourenço Marques e António Caldeira que, porém, não se limitaram a cumprir a real ordem no respeitante ao rio do Espírito Santo, pois outros estabelecimentos fundaram também nas ilhas dos Elefantes e da Inhaca, simultaneamente comerciais e militares, com o consentimento do régulo da Inhaca.

Deve pois, remontar a 1546 o estabelecimento do presídio de Lourenço Marques que só em 1876 foi elevado à categoria de vila e que, em 10 de Novembro de 1877, teve, enfim, foros de cidade.

Uma visão do caos feita por Eça de Queirós em 1872



"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesma baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal”.

Orgulhosamente sós (António Oliveira Salazar)


No plano africano, quatro anos de sacrifícios deram tempo a que esclarecesse melhor o problema das províncias ultramarinas portuguesas, a diversidade das situações criadas em séculos naquele Continente e os ganhos ou perdas, em todo o caso as dificuldades que a independência tão ambicionada por poucos trouxe a todos os mais e os dirigentes não sabem ainda como resolver. Assim bastantes povos africanos nos parecem mais compreensivos das realidades e mais moderados de atitudes. Eis o ganho positivo desta batalha em que – os portugueses europeus e africanos – combatemos sem espectáculo e sem alianças, orgulhosamente sós.