27 de novembro de 2011

Atrás da Máscara dos Banqueiros (Nick Dearden )


Atrás da Máscara dos Banqueiros

No contexto de mais uma crise financeira, as auditorias à dívida poderiam ser uma forma de contrabalançar o poder da grande finança. Nick Dearden apresenta na Red Pepper um dossier especial.

A crise económica levou os activistas de países como a Grécia e a Irlanda a olhar para os países em desenvolvimento à procura de modelos para a luta contra um sistema financeiro todo-poderoso e egoísta, que força as pessoas a pagar o preço dos seus erros. De Dublin a Harare os apelos a «auditorias à dívida» têm-se constituído como um primeiro passo vital para a educação e mobilização das pessoas contra o sistema financeiro injusto que beneficia a minoria à custa da maioria.

Nick Dearden apresenta aqui a história e significância da campanha para as auditorias à dívida e em seguida Alan Cibils da Argentina, Maria Lucia Fattorelli do Brasil e Andy Storey da Irlanda expõem as suas próprias experiências de auditorias à dívida e de incumprimento e exploram as lições para os activistas de justiça económica.

Terminou a primeira onda da crise bancária. Os bancos passaram com sucesso as suas perdas para o sector público e os seus lucros voltaram a «enriquecer». Agora esperam que os governos repitam o truque. A Grécia, a Irlanda e Portugal estão a sofrer políticas de «ajuste estrutural» para que o dinheiro público continue a derivar para as instituições cujo comportamento é responsável pela crise económica global.

Por toda a Europa, mas sobretudo na Grécia, as pessoas estão a revoltar-se — não apenas para discutir «quem paga a factura.» Estão envolvidos numa luta pela democracia no seu verdadeiro sentido, por um sistema económico baseado num conjunto de valores radicalmente diferentes. E usam os modelos dos movimentos sociais desenvolvidos nos países do sul para dar início ao processo necessário de educação e empoderamento.

Responder à tirania com conhecimento

Uma das ideias que alimenta a imaginação dos activistas na Grécia e na Irlanda é a de uma «auditoria à dívida» para abrir as finanças dos seus países ao escrutínio e análise públicos. A conferência de lançamento em Maio em Atenas teve centenas de pessoas na plateia e uniu uma grande parte da esquerda grega, até então seriamente fracturada. Entretanto o mesmo apelo foi seguido por activistas na Irlanda e tem gerado interesse em Espanha, Portugal e até no Reino Unido.

Moçambique precisa de profissionais e oferece oportunidades de negócios


Moçambique precisa de profissionais e oferece oportunidades de negócios – Armando Guebuza

O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, disse hoje (Domingo) em Lisboa que o país precisa de profissionais para trabalharem nas explorações de carvão e gás natural e que oferece oportunidades de negócio em várias áreas.

Guebuza está em Lisboa para participar na primeira Cimeira Luso-Moçambicana, prevista para segunda e terça-feira, durante a qual será reforçada a relação entre os dois países.

Num evento deste Domingo com a comunidade Moçambicana, o chefe de Estado destacou a calorosa saudação com que foi recebido pelas cerca de 500 pessoas (de uma comunidade total de 3600 a viver em Portugal) presentes num hotel em Lisboa para o ouvirem.

Na ocasião, o embaixador de Moçambique pediu hoje ao presidente Guebuza, que está em Portugal em visita oficial, soluções para evitar o fim dos voos para Lisboa operados pela companhia Linhas Aéreas de Moçambique.

"Fomos surpreendidos por a companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) suspender voos para Lisboa a partir de 22 de novembro dada a importância para o turismo e para os moçambicanos residentes em Portugal", afirmou Jacob Nyambir.

Guebuza aterrou às 08h40 (10h40) no aeroporto militar de Figo Maduro, apesar de um corpo policial da PSP estar à sua espera no Aeroporto Internacional de Lisboa. Para a cimeira, faz-se acompanhar pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Oldemiro Baloi, dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, da Energia, Salvador Namburete, e das Obras Públicas, Cadmiel Muthemba.

A cimeira, inicialmente prevista para o início deste ano, acabou por ser adiada devido à realização, em Junho, de eleições antecipadas em Portugal. Tem na agenda oficial a avaliação e o reforço da cooperação bilateral, segundo disse à lusa fonte moçambicana.

Armando Guebuza reúne-se na segunda-feira, ao fim da tarde, no Palácio de Belém, com o seu homólogo português, Aníbal Cavaco Silva, que lhe oferece um jantar. Para o mesmo dia estão previstas reuniões sectoriais entre os ministros moçambicanos das Finanças, Negócios Estrangeiros e Economia, e os seus homólogos portugueses.

REN entra em Cahora Bassa

Durante a permanência da delegação moçambicana em Lisboa, será oficializada a entrada da REN no capital da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, adquirindo metade dos 15 por cento que Portugal ainda detém, segundo disse à Lusa uma fonte ligada ao processo.

Deverá ainda ser conhecido o aumento da subscrição do capital do Banco Nacional de Investimento (BNI), detido em partes iguais pelos dois estados e em por cento pelo BCI (do grupo CGD), que será de 70 milhões de euros, passando mais tarde para 125 milhões de euros.

Esta dotação permitirá ao BNI envolver-se no projecto da ponte Maputo-Katembe (350 milhões de euros) e em toda a reabilitação rodoviária e urbana (150 milhões de euros) nessa zona a sul da capital moçambicana. Mas deverão ser empresas chinesas, e não a Mota Engil, como chegou a estar previsto, a construir a ponte do Katembe.

Na terça-feira, o Presidente moçambicano e comitiva restrita têm pelas 10h30 um encontro, no Palácio das Necessidades, com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, a que se seguirá a reunião plenária, assinatura de acordos e uma conferência de imprensa conjunta.

Depois de um almoço oferecido por Passos Coelho, Armando Guebuza e comitiva deixam Lisboa com destino a Paris.

Sapo MZ, 27 de Novembro de 2011

A Queda da Europa (Ângelo Correia)


A queda da Europa

Até há algumas décadas, os chamados ‘estados civilizados’ faziam a guerra com armas, homens e equipamentos. Hoje, os actores são múltiplos, e muitos deles mais importantes do que alguns Estados, actuando na esfera das finanças, da economia, da comunicação.

O que se passa com a crise das dívidas soberanas europeias é porventura expressão dessa nova forma de guerra: não no terreno, mas nos computadores e nas salas de mercados.

Wall Street, ou seja, alguns grandes interesses financeiros de empresas sediadas nos EUA, quer ganhar à custa da fraqueza das economias europeias. Começaram por atacar os mais fracos e endividados. Progressivamente, ampliaram a sua esfera de acção e irão chegar ao coração da Europa. Esta não tinha mecanismos de defesa; para não falar de mecanismos de direcção e coordenação. É um conjunto sem unidade e comando, e um exército sem esses elementos é facilmente derrotado.

A Europa política não percebeu as novas formas de guerra, não percebeu que os mercados são os novos teatros de operações. É por isso que os actuais líderes políticos europeus ficarão para a história como aqueles que em vez de a construírem a deixaram tombar.

Por: Ângelo Correia, Gestor
Correio da Manhã, 27 de Novembro de 2011

Este é o mesmo Soares que apoiou Sócrates? (João Miguel Tavares)


Este é o mesmo Soares que apoiou Sócrates?

O doutor Mário Soares veio encabeçar um manifesto chamado ‘Um Novo Rumo’ que cheira mais a bolor do que um queijo Roquefort, com a desvantagem de causar azia só de olharmos para ele. Você já conhece a lenga-lenga de cor, caro leitor, mas é sempre divertido repeti-la: Soares & Amigos "opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão", recusando-se a "assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional". Vai daí, apelam "à participação dos cidadãos" e à "construção de um novo paradigma".

Manifesto que é manifesto tem de ter um novo paradigma. E que novo paradigma é esse? É tão novo, mas tão novo, que passa por "denunciar a imposição da política de privatizações" (uma ideia extremamente original), condenar o "recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais" (uma ideia incrível da qual nunca ninguém se tinha lembrado), repudiar as afrontas à "dignidade no trabalho" (uma ideia tão espantosamente nova que até reluz ao sol do Inverno) e convidar ao "aprofundamento democrático".

A parte do "aprofundamento democrático" é a minha favorita, até porque o doutor Soares foi durante largos anos um comovente apoiante do engenheiro Sócrates, que aprofundou tanto a democracia em Portugal que abriu túneis directos até à Líbia, Venezuela e Queluz de Baixo. Foram, aliás, tantos os seus buracos democraticamente abertos que tivemos de pedir à troika para vir a correr tapá-los. Pois é, caro leitor: o novo rumo que o doutor Soares e os seus amigos têm para propor ao país é o velho rumo que nos trouxe até aqui. E se fossem aprofundar a democracia para outro lado?

Por: João Miguel Tavares
Correio da Manhã, 25 de Novembro de 2011

Mortas e humilhadas (Francisco Moita Flores)


Mortas e humilhadas

Este é um combate sem tréguas. Para que a cidadania não seja apenas privilégio de alguns.

Esta semana evocaram-se as vítimas de todas as formas de violência doméstica e reafirmou-se um pouco por todo o mundo declarações de combate contra esta traiçoeira forma de agressão, como lhe chamou o ministro Miguel Relvas. E sublinho a condição de ministro e o facto de ser homem, porque, nestes momentos de ritualidade cívica em defesa da dignidade das mulheres, o poder, vulgarmente, gosta de falar no feminino. É importante que Miguel Relvas enquanto ministro dê a cara por este combate. Compromete a política e o poder com a necessidade de devolver dignidade de cidadania a quem a vê comprometida pela brutalidade masculina. Nos últimos cinco anos foram assassinadas quase duas centenas de mulheres pelos maridos ou companheiros. Os números impressionam e dizem muito sobre aquilo que ignorámos na caminhada para uma sociedade mais culta e, por isso mesmo, com maior sentido de alteridade.

É certo que tem poucas décadas a denúncia militante contra a violência em ambiente familiar. Violência física, violência psicológica, conceitos que durante séculos não existiam no quadro parental. "Ele bate no que é seu", "quanto mais me bates, mais gosto de ti", "entre marido e mulher não se mete a colher" são lugares comuns vindo do tempo da barbárie que recusavam a um ser humano, só por diferença de sexo, outra condição que não fosse a de propriedade. E bem se sabe, numa sociedade com os vários poderes marcados pela misoginia, pela arrogância do macho com o mundo centrado no seu umbigo, como é difícil romper as malhas do silêncio e dar um murro na mesa que imponha respeito aos murros imundos que persistem entre os bárbaros dos nossos tempos. Tornar crime público os actos de violência doméstica foi uma decisão histórica. A mais importante desde a Constituição de 76. Mas outras se lhe seguiram. Sobretudo nas polícias, com a criação de unidades efectivas de tratamento destes crimes. Porém, são grandes as manchas de silêncio que encobrem a barbárie. Continuo sem perceber, vinte anos depois dos primeiros grandes actos contra a violência doméstica, o papel passivo da Escola na matéria. Não percebo a indiferença. Este é um combate sem tréguas. Para que a cidadania não seja apenas privilégio de alguns.

Por: Francisco Moita Flores, Professor Universitário
Correio da Manhã, 27 de Novembro de 2011

Mira Amaral responde ao autor de um livro sobre o enriquecimento de políticos

Eis uma leitura recomendável, para reflexão sobre as práticas em uso.

Mira Amaral responde ao autor de um livro sobre o enriquecimento de políticos.

O jornalista António Sérgio Azenha é o autor do livro "Como os Políticos Enriquecem em Portugal"



Exmo. Senhor António Sérgio Azenha,

Estou verdadeiramente chocado com a inclusão do meu nome no livro que acabou de escrever.

É que a sua análise sofre dum grave erro metodológico. Com efeito, a sua análise sobre rendimentos deveria incidir sobre a totalidade da vida profissional, antes e depois do governo e não apenas a comparação entre o que se recebia no governo e depois do governo. Comparar o magro vencimento que tinha no governo em 1994 com um vencimento perfeitamente “normal” num grupo privado em 2001 é comparar alhos com bugalhos. Recordo!me aliás do meu colega Engº Alves Monteiro no dia em que saiu comigo do governo e regressar ao Banco de Fomento como Director duplicar o vencimento em relação ao que ganhava como meu Secretário de Estado da Indústria!

É que eu já trabalhava antes de ir para o governo. Fui quadro da EDP e do Banco de Fomento e quando cheguei ao governo já tinha 16 anos de vida profissional. E toda a gente sabe que no governo se ganha menos do que na vida empresarial, onde já estava antes de ter tido essa infeliz ideia.

Se tivesse feito uma análise dinâmica desse tipo, começando pela minha vida profissional antes do governo, concluiria facilmente que só perdi dinheiro com a passagem pelo governo.

Se tivesse comparado a minha posição profissional antes de entrar no governo com a de outros colegas meus nessa altura e depois verificasse a evolução deles, concluiria facilmente que aquilo que auferi depois do governo teve um atraso e no fundo foi inferior ao desses colegas. A dinâmica profissional que tive depois do governo não se deveu pois apenas a este mas sim às minhas competências e, como referido, nem sequer consegui obter posições idênticas às desses colegas que tiveram o bom senso de não aceitarem cargos políticos.

26 de novembro de 2011

“Carta aberta” de um cidadão alemão (Walter Wuelleenwebera)

“Carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título:

Depois da Alemanha ter de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia

Os gregos, que primeiro fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves


Caros gregos,

Desde 1981 pertencemos à mesma família. Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.

Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.

Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos. O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.

No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.

19 de novembro de 2011

Vou só ali ao Brasil matar alguém e volto já (João Miguel Tavares)


O Cronista Indelicado

Vou só ali ao Brasil matar alguém e volto já

Deixem-me cá ver se eu percebo. Todos os juristas escutados a propósito do caso Duarte Lima afirmaram que mesmo que o ex-deputado venha a ser condenado à revelia pelo assassinato de Rosalina Ribeiro dificilmente será extraditado para o Brasil – porque não se extraditam cidadãos nacionais – e dificilmente será preso em Portugal – devido a falhas de legislação na transmissão de sentenças entre os dois países.

Seguindo este extraordinário raciocínio, se o caro leitor estiver indisposto com alguém, tiver um vizinho irritante ou se a sua esposa deixar demasiadas vezes queimar o arroz ao jantar, tem agora uma forma simples de solucionar o seu problema. Basta-lhe comprar duas viagens para o Brasil, afogar o motivo de incómodo numa cachoeira ou baleá-lo à beira da estrada, e raspar-se de lá o quanto antes. Nem sequer precisa de se dar ao trabalho de cometer o crime perfeito: apenas assegurar que foge a tempo para Portugal. A partir daí, tem de ter cuidado nas visitas a Badajoz, por causa da Interpol, mas pode gozar um justo repouso aqui na piolheira. Seja Duarte Lima culpado ou não, qualquer pessoa que tenha acompanhado a investigação sabe que o caso fede – e não é pouco. As provas são fortíssimas, as contradições assustadoras, e é óbvio que Duarte Lima tem de responder à justiça. E no entanto, acontece esta coisa espantosa: a única entidade que parece minimamente empenhada em deslindar o alegado assassinato de uma cidadã portuguesa por um cidadão português é a polícia brasileira. Portugal, esse, limita-se ao seu papel de offshore da justiça: quem tem dinheiro consegue sempre escapar.

Por João Miguel Tavares
Correio da Manhã 04 Novembro 2011

16 de novembro de 2011

Maputo: E quando há falta de gás...


E quando há falta de gás...

Um cidadão em plena avenida 25 de Setembro, em Maputo, carrega na cabeça lenha para levar para casa. Com a falta de gás de cozinha na capital, a solução passa pela lenha.

Sapo MZ

Moçambique: A Locomotiva


A Locomotiva

Locomotiva do tipo fourwheeler, foi a maquina dos caminhos de ferro de Gaza.
Esteve ao serviço em Xai-Xai na linha do Freire de Andrade.
Foi inaugurada em 23 de Agosto de 1910 mantendo-se em circulação até 1928.

Sapo MZ

Polana: A zona nobre da cidade de Maputo


A zona nobre de Maputo

A capital vista da zona da Polana Cimento, lá na capital, a zona nobre.

Sapo MZ

Maputo comemora 124 anos de elevação a cidade


Maputo, 124 anos

Maputo comemora 124 anos com as atenções viradas para as zonas suburbanas.
Na foto, a cerimónia de deposição de flores na Praça dos Heróis, dia 10 de Novembro de 2011.

Sapo MZ

Maputo: Pôr-do-sol


Pôr-do-sol

Com a vaga de calor na capital, o que não falta é um belo pôr-do-sol. A vista é da Baía de Catembe

Sapo MZ

Colonialismo (Francisco Moita Flores)

Colonialismo

O escândalo que rebentou com o saco negro das dívidas da Madeira não passa de um ruído que os madeirenses atirarão para trás das costas, entregando a Alberto João Jardim nova maioria absoluta nas próximas eleições.

Passos Coelho escapou-se habilmente remetendo a censura para o acto eleitoral. Sabe que não vai haver censura alguma. A haver essa censura seria dos eleitores do continente, que pagam a factura hoje, como pagaram ontem. Quem conhece, ou já viveu dinâmicas eleitorais, sabe que o povo chamado às urnas não quer saber de notícias nem de opiniões.

Vota por afecto, vota por conveniência e, na Madeira, não existe figura mais conveniente do que João Jardim. Transformou o arquipélago, deu-lhe modernidade e qualidade de vida, fez crescer a riqueza, trabalho, mobilidade. Ao pé de Trás-os-Montes ou do Alentejo, é um paraíso. Foram precisos milhões para essa transformação, e para tanto Jardim percebeu desde cedo que a chantagem, o insulto, a ameaça independentista, o enxovalho (quem não se recorda dos ataques ao senhor Silva, as humilhações a Marques Mendes, a arrogância contra Passos Coelho) aos inimigos do continente – desde os ‘cubanos’, aos colonialistas, aos comunistas, à maçonaria, inimigos inventados, ainda por cima folclóricos – dão tempo de antena e visibilidade ao homem. E foi esmifrando o que podia e não podia.

Os líderes do PSD temiam-no, os primeiros-ministros, por mais discursos rígidos que fizessem, soçobravam, a chicana de Jardim pô-los todos em sentido. E de cócoras. Por esta atitude agressiva, insultuosa, os comentadores desvalorizavam o chorrilho de palavras e com este andar guerrilheiro, e trautileiro, construiu um dos cantos mais bonitos do país. É verdade que a sua dívida é mais do dobro da dívida das autarquias todas juntas e os autarcas são o saco de boxe de governos sucessivos.

A verdade é que se vivesse na Madeira votava em Jardim. Ele é a história e o progresso daquela região. É o único dirigente que, num Estado sem rumo, sabe sacar para aqueles que governa aquilo que entende. É o verdadeiro colonialista a sugar a colónia continental. E para que haja justiça mínima, só encontro uma solução: dar-lhe maioria absoluta e tornarmo--nos independentes. Há muito que não passamos de uma colónia da Madeira.

Francisco Moita Flores
Correio da Manhã, 11 de Setembro de 2011

Boicote nacional à EDP dia 20 Novembro 2011 às 15:00 horas


Boicote nacional à EDP dia 20 Novembro 2011 às 15:00 horas

Transcrevo a informação que circula pela Internet e que apela a um boicote nacional à EDP no próximo dia 20 deste mês. Eu, por mim, já tenho uma velas à mão. Para o boicote, e para quando não houver "almofada" para pagar a factura.

«Vamos utilizar o nosso poder. Dia 20 de Novembro às 15.00 horas. A EDP já teme os prejuízos desta medida na escala dos vários milhões de portugueses, que estão conscientes do abuso a que estão sujeitos. Já recebi este e-mail 17 vezes nos últimos dias. Continuem a partilhar». «A EDP mantém um nível de lucros totalmente incompatível com o estado do país e com os sacrifícios exigidos a todos nós. A EDP tem mais poder que o Governo de Portugal e conseguiu (vá-se lá saber por que vias) impedir uma medida que visava minorar os brutais aumentos da energia que se estão a verificar - e que vão, certamente, aumentar ainda mais os ditos lucros». «A EDP mantém um monopólio (não de jure, mas de facto) uma vez que a concorrência não oferece aos consumidores domésticos (por exemplo) taxas bi-horárias». «Proposta: no dia 20 de Novembro de 2011, às 15:00, a nível nacional, vamos, todos nós consumidores domésticos, desligar tudo durante uma hora (os nossos congeladores aguentam mais do que isso quando há uma «anomalia» na rede que nos deixa sem energia e as baterias dos nossos portáteis também)». «Vamos repetir a acção até a EDP ter de nos pedir para parar com a coisa. Na qualidade de bons cidadão, que todos somos, pararemos mas só se os preços forem ajustados de forma a que os lucros da EDP se acertem pelo razoável, pelo socialmente justo e pelo moralmente correcto. Se gostarem da ideia, espalhem. Veremos no que dá».

in: http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.com/2011/11/dia-20-apaguem-se-as-luzes-e-ver-se-o.html

Portugal: A luz ao fundo do túnel foi desligada

Portugal é um país desertificado... (Francisco Cardoso)


Portugal é um país desertificado...

Pensamento que tem quase a história deste País e que está na raiz do seu caos.
Pensava-se, até ao malogrado 25 de Abril, que bastaria ter em Lisboa uma cidade bonita e evoluída... sendo o restante paisagem. 
Ainda hoje se paga caro, demasiado caro... por essa concepção, como aliás ‘todos’ o sentem:
Portugal é um país desertificado e impotente na maior parte do seu espaço territorial (‘províncias’).

Francisco Cardoso

Portugal: Apelo Nacional


A formação de palavras e a política portuguesa...


A FORMAÇÃO DE PALAVRAS e a POLÍTICA PORTUGUESA...

13 de novembro de 2011

Otelo Saraiva de Carvalho admite um golpe militar


Otelo admite um golpe militar

"Para mim, a manifestação dos militares deve ser, ultrapassados os limites, fazer uma operação militar e derrubar o Governo" defendeu ontem Otelo Saraiva de Carvalho, em entrevista à agência Lusa, num comentário à "manifestação da família militar", no sábado, em Lisboa.

"Não gosto de militares fardados a manifestarem-se na rua. Os militares têm um poder e uma força e não é em manifestações colectivas que devem pedir e exigir coisas", afirmou. Mas diz compreender as suas razões e considera que as mesmas podem conduzir a "um novo 25 de Abril". O coronel na reserva acredita que há condições para os militares tomarem o poder, e vai mais longe: "Bastam 800 homens."

Correio da Manhã, 10 Novembro 2011

O dia que Moçambique perdeu um dos maiores trovadores (03/11/1987)


3 de Novembro de 1987: O dia que Moçambique perdeu um dos maiores trovadores

Três de Novembro de 1987, morre aos 70 anos, algures em Maputo, Fany Pfumu. Passam hoje, dia 3 de Novembro, 24 anos. O Clube dos Entas recorda a vida e a obra de um dos maiores músicos da nossa terra.

Pelos anos 50 do século passado, um jovem ronga de pequena estatura é visto a trabalhar numa mina de ouro perto da cidade de Joanesburgo. Village Mine Reef Limited assim se chamava a mina e o miúdo ali confinado não escapou à alcunha condizente com a sua extrema juventude, quase adolescente: Fanyana. Exactamente isso: Miúdo! Na verdade, o rapaz saíra de Lourenço Marques com o nome de registo de António Marriva Pfumu, Mubangu entre os seus. Entretanto, Fanyana não se fica apenas pelo sobe-e-desce da mina. Cedo começa a revelar outras habilidades. Tinha uma grande paixão pelo boxe, mas a estatura e a massa muscular não o ajudavam muito, embora todos lhe reconhecessem mobilidade e rapidez de execução fantásticas. Cantava e dançava como poucos. O reportório comportava, fundamentalmente, temas do cancioneiro popular aprendidos nos subúrbios laurentinos, mais particularmente da Mafalala e da Munhuana. Mas também de Wuloluane, hoje Beleluane, na zona da MOZAL, donde é originário. E depois começou a cantar o kwela e o Jive sul-africanos, muito em voga por aqueles anos. Toca bem a guitarra acústica mas, ao tornar-se amigo de Alexandre Jafete, um matswa de Homoíne, Inhambane, o Antoninho aprende rapidamente a tocar o Bandolim. Gravam disco atrás de disco, sendo dessa época a famosa canção Moda Xicavalo, na qual se destaca a voz de Francisco Mahecuane, que aliás nos dá a saber, ao longo do seu recital, a fonte primária do cognome de Fany: Fanyane pfumu.

Porto fluvial de Nsanje: Nem água vai, nem água vem


Porto fluvial de Nsanje: Nem água vai, nem água vem

Moçambique e o Malawi estavam por estas alturas do ano passado mergulhados numa crise diplomática devido à tentativa deste último país de navegar os rios Zambeze e Chire, em direcção ao porto fluvial de Nsanje, sem a devida autorização das autoridades moçambicanas.

Este incidente criou alguma tensão no relacionamento entre os dois países e como forma de refrear os ânimos, o governo moçambicano acabou decidindo que o assunto deveria ser devolvido ao fórum de onde nunca devia ter saído, numa alusão, a Comissão Interministerial Conjunta, constituída por Moçambique, Malawi e Zâmbia.

A aventura malawiana custou a detenção temporária do seu antigo adido militar em Maputo, James Kalipinde e a intercepção de dois barcos que tinham como destino o porto fluvial de Nsanje.

Numa intervenção apresentada à Assembleia da República, a pedido de uma das bancadas parlamentares, o chefe da diplomacia moçambicana, Oldemiro Baloi afirmou resumidamente que o Malawi violou os procedimentos acordados no Memorando de Entendimento sobre a navegabilidade dos rios Zambeze e Chire.

Conforme foi referido na altura, o Malawi pretendia forçar Moçambique a aceitar a navegabilidade dos rios Zambeze e Chire sem um estudo de viabilidade económica e ambiental.

Juve à rasca?

Juve à rasca?

"Muitos falam em deixar um planeta melhor para os nossos filhos... Quando pensarão em deixar melhores filhos para o nosso planeta?"

A beleza da mulher (Paulo Coelho)

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso, não nos proporciona nenhuma emoção.

Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas.... Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.

Brasil: Poema de Augusto Cury

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço de que minha vida
É a maior empresa do mundo…
que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
Se tornar um autor da própria história…
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
Um oásis no recôndito da sua alma…
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “Não”!!!
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta…
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

Augusto Cury
Dez leis para ser feliz da Editora Sextante.
Ano 2003

Frases e pensamentos


QUANDO OS SÓCRATES FOREM APENAS FILÓSOFOS;
OS ALEGRES APENAS CRIANÇAS;
OS CAVACOS APENAS INSTRUMENTOS MUSICAIS;
OS PASSOS APENAS OS DE DANÇA;
OS LOUÇÃS APENAS ERROS ORTOGRÁFICOS;
OS JERÓNIMOS APENAS MONUMENTOS NACIONAIS;
E PORTAS SÓ DE ABRIR E FECHAR...
VOLTAREMOS A SER FELIZES!!!

10 de novembro de 2011

1º Festival Kampfumo em Maputo nos 2 e 3 de Dezembro de 2011


1º Festival Kampfumo

Recinto ao lado dos CFM - 2 de Dezembro 17h30 - 3 de Dezembro 14h30

Um grande festival no centro da cidade de Maputo num recinto ao lado da Estação dos Caminhos de Ferro.
Dois dias de música e festa com 11 bandas provenientes de Moçambique, África do Sul e Portugal.

Bilhetes à venda a partir de 14 de Novembro

Bilhete Normal - 1 dia: 1.000MT -2 dias: 1.500MT

Bilhete VIP - 1 dia: 2.000MT - 2 dias: 3.000 MT

7 de novembro de 2011

Poema de agradecimento à corja (Joaquim Pessoa)

Um poema de Joaquim Pessoa relacionado com o momento presente.
Dada a situação em que vivemos ser recorrente, a corja ser sempre a mesma, e não haver previsão para qualquer tipo de mudança, poder-se-á considerar, para mal dos nossos pecados, ser este um poema desgraçadamente intemporal.

Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar, de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem.
Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

2 de novembro de 2011

Para todos aqueles que não podem aceder ao discurso do 1º Ministro


Para todos aqueles que não podem aceder ao discurso do 1º Ministro, aqui fica a sua transcrição:

Discurso do Primeiro-Ministro

Fechem-se em casa - se tiverem a sorte de ter uma casa ou de conseguir pagar a renda de uma casa que nunca vai ser vossa...

Não se mexam para não gastarem energias que podem vir a precisar depois para trabalhar. Quanto mais se mexerem mais fome e sede terão.

Evitem comer e beber, principalmente beber, porque vamos aumentar os impostos até sobre as bebedeiras. Nunca vão comer a restaurantes, nunca saiam para se divertir, nunca mas nunca vão de férias.

Saiam de casa apenas e só para ir trabalhar (de preferência vão a pé), sejam produtivos apesar de completamente desmotivados, esforcem-se por agradar aos patrões para não serem despedidos, ainda que vos peçam coisas que nada têm a ver com as vossas funções, ainda que vos maltratem, ainda que vos obriguem a trabalhar horas extras sem receber nada por isso, ainda que sejam explorados e estejam a recibos verdes (com patrão), ainda que sejam licenciados e estejam a receber o mesmo que um trabalhador sem formação, ainda que vos batam com um pau.

Aceitem tudo para não serem despedidos porque se vocês não quiserem há mais 100 ou 200 escravos prontos para fazerem o mesmo que vocês ou ainda mais por menos ordenado.

E os subsídios de desemprego... Já se sabe, vão ser menores e por menos tempo...

Ninguém quer ir para o desemprego só porque não aceitou limpar os sapatos ao patrão com a língua, pois não?

Portem-se com juízo, sejam cordeirinhos, aceitem tudo.

Não comprem música, arte, não vão a museus, não visitem exposições, não comprem livros, não vão passear pelo campo: tudo isso são gastos desnecessários, ninguém morre por não ter acesso à cultura.

Não comprem prendas de Natal, nem de aniversário, nem de nada - toda a gente vai perceber porque eles próprios também não têm dinheiro para as comprar.

Não mimem os vossos filhos com um doce sequer, porque depois vão ter de ir ao dentista com eles e isso, já se sabe, vai ficar-vos caro.

Aliás, estamos todos proibidos de adoecer, de engravidar, de partir uma perna ou espirrar sequer - o Estado não tem orçamento para baixas médicas, subsídios de maternidade e ainda suportar as despesas de saúde das pessoas que decidiram que tinham de nascer em Portugal.

Que azar termos nascido neste sítio, daqui para a frente não devia nascer mais ninguém em Portugal!

Ouviram casais jovens que pensam ter filhos?

Esqueçam isso, só vos vão dar mais despesas e preocupações...

E se são daqueles que fumam (mais!) por terem preocupações, esqueçam isso também: o imposto sobre o tabaco (que dá lucro ao Estado, mesmo depois de pagar todas as despesas com a saúde dos fumadores) também vai aumentar e quando virem o preço vão perceber porque é nos maços está a avisar que "fumar pode aumentar o risco de ataques cardíacos".

Finalmente, se já forem velhinhos, se trabalharam toda a vida para sustentar este ser virtual e egocêntrico que se chama Estado, que tudo vos pede e nada vos dá, se a única alegria que têm na vida é ir nas excursões do turismo sénior (esqueçam, esqueçam o turismo sénior...) ou dar uma notita aos vossos netos no Natal para ver um sorriso a nascer de quem nasceu de vós, dêem graças ao Alzeimer porque só ele vos pode ajudar a esquecer a merda de país em que "escolhemos" nascer.

Até sempre.

Vosso sempre leal,

Coelho

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