26 de julho de 2011

Rei da Carqueja (Francisco Moita Flores)


Rei da Carqueja (Francisco Moita Flores)

A si próprio se intitulava Rei Ghob. Construiu um Castelo retorcido, decorado com todo o mau gosto que existe no mundo, para os lados da Lourinhã, proclamava-se em vídeos distribuídos pela Internet rei-profeta anunciador de mil desgraças e de finais apocalípticos. Na vizinhaça todos os julgavam bom rapaz, embora com "coisas esquisitas". Nada com que não se convivesse. Era rei de gnomos, o nome dos servos desta seita tão artesanal e de mau gosto quanto o seu castelo. Uma construção irreal e patética que mais parecia uma história de crianças. E, de repente, a trágica realidade. Os "gnomos" desapareciam. Provocando ilusões nas famílias, com a ajuda de telemóveis, garantia que estavam no estrangeiro, aliás coisa que se confirmava pelas mensagens que enviavam aos pais. Que não sabia nada deles. Que estavam bem e longe. Quando as preocupações se avolumaram devido à ausência e ao cansaço dos truques, a Polícia Judiciária meteu mãos à obra e surgiu o pesadelo. O Rei Ghob, fantoche de si próprio, era responsável pelo assassinato de quatro, agora suspeita-se que são seis, os jovens que morreram às suas mãos. Convenceu-se que se escondese os cadáveres ninguém o apanharia. Porém, a estupidez do homem falou mais alto. As provas abundantes que deixou por todo o lado não só permitiram reconstituir os crimes como prendê-lo. O Ministério Público acaba de acusá-lo e não tenho dúvidas que vai ser severamente punido. Não é a primeira vez, devo até dizer que já foram dezenas de casos de homicídios julgados sem a presença/descoberta do cadáver. Essa ideia peregrina que se não apareceu o cadáver não existe prova, faz parte de mentalidades ancestrais, anteriores à criação da Polícia Científica. É apenas crueldade. Este tipo de assassinos não se limita a matar. Prooca ainda mais sofrimento ao não permitir que as famílias realizem o luto a partir dos rituais simbólicos de separação, onde o funeral tem um papel importante. É crueldade em cima de crueldade. Nada mais. O Rei Ghob extenguiu-se tal como se sumiram as suas profecias. Está preso um indivíduo sem escrúpulos que espera agora a mão da Justiça. Espero que a Justiça tenha por ele a mesma compaixão que ele teve sobre as suas vítimas e as suas famílias.

Francisco Moita Flores - Criminologista
in TV Guia Nº 1696 de 2011/07/25

Diálogo entre Colbert e Mazarino - há 350 anos!!!


EM 1661!
DIÁLOGO ENTRE COLBERT E MAZARINO DURANTE O REINADO DE LUÍS XIV

Colbert foi ministro de Estado e da economia do rei Luis XIV.
Mazarino era cardeal e estadista italiano que serviu como primeiro ministro na França. Notável coleccionador de arte e jóias, particularmente diamantes, deixou por herança os "diamantes Mazarino" para Luís XIV, em 1661, alguns dos quais permanecem na colecção do museu do Louvre em Paris.

O diálogo:

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível.
Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão.
Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro.
E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Sobre os ricos também não. Eles deixariam de gastar. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: São os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável.

16 de julho de 2011

Portugal: Oito mil? (Francisco Moita Flores)


Portugal: Oito mil?

A notícia mete medo. Chegou a semana passada através dos jornais e televisões. Temos mais de oito mil velhos abandonados em hospitais portugueses. Para ser nais preciso, oito mil e trezentos. Uma multidão! De gente que construiu e produziu vidas, que terão sido pais e mães pacientes e atentos, que terão sonhado vidas, construído as suas, ajudado a construir as dos seus filhos e da sua comunidade. Gente que cometeu um único pecado para merecer a sorte do abandono: ter envelhecido. Deixar de ser produtivo, esgotadas as energias, vencidas as forças para continuar outros combates. Tornaram-se velhos e transformaram-nos em trapos que se deitam para o canto do hospital mais próximo. Surgirão, por certo, milhares de argumentos. Os filhos não podem, o custo de vida, o preço dos lares, etc. ... São argumentos cínicos, mas fundamentam razões. Mas não existe uma única razão que fundamente o abandono, que dê explicações a solidão, que legitime a marginalização para um pedaço de afecto. Mete medo, na verdade, esta comunidade que estamos a produzir. Que trata a velhice como desperdício e as memórias como arquivo dispensável. Mete medo pensar que a construção dos afectos, a verdadeira e única determinação que nos reencontra com o sentido da existência é tratada como se nada tivesse valido a pena e que uma enxerga num hospital asséptico resolve sem piedade nem compaixão. Uma legião de velhos abandonados. Milhares que se associam a outros milhares por aí esquecidos, a mulheres violentadas e brutalizadas, a crianças excluídas sem direito à esperança. É preciso olhar para trás. Parar para pensar neste mar de indiferença, egoísmo, alarvidade que está a contaminar os nossos dias e a transformar crises financeiras em crises morais. É preciso parar para pensar para onde mandamos os nossos putos, os nossos adultos e os nossos velhotes. Para que a vida faça sentido e para que as crises não devorem apenas as carnes, roubando-nos tamém a alma.

Francisco Moita Flores
TV Guia, Nº 1694, 11 de Julho de 2011

Exames Nacionais de recrutamento para as Nações Unidas


Exames Nacionais de recrutamento para as Nações Unidas

De 11 de Julho a 10 de Setembro encontram-se abertas as candidaturas para os exames de recrutamento para quadros das Nações Unidas que terão lugar em Lisboa em simultâneo com mais 76 países no dia 7 de Dezembro.

Para aceder a todas as informações bem como formulário de candidatura, os interessados deverão aceder ao seguinte site: https://careers.un.org/lbw/home.aspx?viewtype=NCE

As candidaturas deverão ser feitas exclusivamente através do site indicado. Candidaturas incompletas ou fora do prazo não serão aceites.

Os candidatos receberão por e-mail um recibo acusando a recepção da candidatura com indicação do respectivo número de candidatura.

As áreas profissionais são:

- Administração;
- Assuntos Humanitários;
- Informação Pública;
- Estatística

Portugal: Prémio de Literatura Africana IMVF 2011


Prémio de Literatura Africana IMVF 2011

O Instituto Marquês Valle Flôr encontra-se neste momento a promover o Prémio de Literatura Africana IMVF 2011, tendo como principal objectivo incentivar a produção de obras literárias nos domínios de romance, novela ou conto, junto dos escritores provenientes de países africanos de língua oficial portuguesa.

Os interessados devem entregar ou enviar as suas obras com um mínimo de 150 páginas, devidamente identificadas pelo autor, para a morada do IMVF:

Rua de São Nicolau, 105
1100-548 Lisboa

Ao vencedor do Prémio de Literatura Africana 2011 será entregue um prémio no valor 10.000€ (dez mil euros), sendo que o IMVF promoverá a primeira edição de 500 exemplares da obra premiada.

Para mais informações ou questões: premioliteratura@imvf.org

Phone: +351 213 538 280
Mobile: +351 964 034 698

13 de julho de 2011

Portugal: Na Ilha da Madeira tudo funciona na perfeição



Na Ilha da Ma(ma)deira tudo funciona na perfeição: isto não é um tacho, é um trem de cozinha completo!

Território que reivindica [?] o direito à independência MAS QUE NUNCA MAIS RESOLVE EXERCÊ-LO: só tem dado despesa ao Estado Português, seria um descanso para quem o tem sustentado.
Curioso como neste País não existe incompatibilidades ... tudo é permitido.
Como alterar isto?
Que entidade superior pode acabar com o compadrio?
Quem estará a votar nesta gente?
Só pode ser a clientela!

Veja a lista da "Direitalha VIP", o verdadeiro motor do enriquecimento da Madeira e tire as suas conclusões:

10 de julho de 2011