30 de setembro de 2010

As outras nações de Moçambique? (MIA COUTO)


As outras nações de Moçambique?

MIA COUTO

1 - Os pneus ardendo nas estradas de Maputo e Matola não obrigaram apenas a parar o trânsito daquelas cidades. Paradoxalmente, esse bloqueio à normalidade abriu acesso a outras estradas que pareciam bloqueadas em todo o país. Os motins obrigaram a repensarmo-nos como país, como entidade que não pode ser dirigida por um pensamento único. As manifestações tornaram visível um outro Moçambique que parecia esquecido e longe dessa “pátria amada” tornada em chavão oficial. No auge da crise, a Frelimo retomou o seu velho método de contacto directo com as bases. Brigadas “saíram” para os bairros e regressaram alarmadas. O sentimento que encontraram nas bases estava distante dos relatórios oficiais que, à força de serem repetidos, pareciam ser a verdade única e total.

Duas dezenas de estudantes moçambicanos vão se formar em Portugal


Duas dezenas de estudantes moçambicanos vão se formar em Portugal

Maputo (Canalmoz) – São no total 21 estudantes moçambicanos que partem no dia 20 de Outubro próximo, com destino a Portugal, para prosseguirem os seus estudos em diversas áreas nos níveis de mestrado e doutoramento.
A ida dos estudantes moçambicanos a Portugal insere-se no Programa de Cooperação, apoiado pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e contempla a atribuição de 19 bolsas de estudo para o nível de Mestrado e 2 bolsas de estudo para o nível de Doutoramento.

27 de setembro de 2010

Moçambique é corredor de drogas para Europa e África do Sul

Moçambique é corredor de drogas para Europa e África do Sul

– revela um estudo da Chatham House, uma organização não governamental sedeada em Londres

Maputo (Canalmoz) – Mais um estudo internacional aponta Moçambique como um dos grandes corredores de tráfico de diferentes drogas, mormente heroína, mandrax, cocaína e suruma, cujo destino preferencial é o mercado europeu e da vizinha África do Sul.

O relatório denominado “Moçambique: Equilibrando o Desenvolvimento, a Política e a Segurança”, concluído em Agosto último, está a circular já no país, desde a semana passada.

A Chatham House, anteriormente conhecida como Royal Institute of International Affairs – uma organização não governamental sedeada em Londres – diz que há um abastecimento constante de mandrax, vindo da Índia e destinado principalmente ao mercado sul-africano, via Moçambique.

Para além disso, a cannabis sativa e seus derivados – vulgo suruma – a heroína e a cocaína também transitam pelo país com destino a vários países. Dessas drogas, a cocaína que vem da América do Sul é tida como a que mais transita cada vez mais por Moçambique com destino à Europa.

22 de setembro de 2010

Moçambique: Arranha Céus de 47 andares projectado em Maputo


Maior que 33 Andares: Arranha Céus de 47 andares projectado para a capital moçambicana

O Grupo Green Point Investment, uma empresa de capitais maioritariamente israelitas, vai investir 110 milhões de dólares americanos na construção de um edifício de 47 andares na zona baixa da cidade de Maputo, capital moçambicana.

Trata-se do maior edifício do país, constituído por 32 pisos para escritórios, cinco para estacionamento de viaturas, e os restantes para centros comerciais, um heliporto, entre outras facilidades.

Baptizado com o nome “Maputo Business Tower”, este edifício resulta de uma parceria formada em Abril do ano passado pelo Grupo Green Point Investment e a empresa pública Correios de Moçambique.

A empresa Correios de Moçambique, que participa no projecto através da concessão do espaço onde será edificada a “Torre”, será detentora de parte do património após a conclusão das obras.

21 de setembro de 2010

Vale do Zambeze: Canal de Opinião por Noé Nhantumbo


Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo

NO MEIO DE TANTA FANFARRA SOBRE A FOME SERÁ POSSÍVEL ESQUECER O VALE DO ZAMBEZE?

Beira (Canalmoz) - Compreender que as medidas tomadas ou ensaiadas pelo governo face à escassez de alimentos e alto preço de produtos é fácil como do conjunto de medidas anunciadas se pode perceber que o que agora se está a tentar fazer há muito tempo que já deveria ter sido feito. Mas lá diz o ditado: “Mais vale tarde do que nunca”. Pena é que o governo não tenha percebido – pese embora o primeiro aviso de 05 de Fevereiro de 2008 – que tem de trabalhar.

Mas no esforço de entender o significado amplo das tais medidas agora precipitadas e atabalhoadamente anunciadas, algumas interrogações surgem que merecem tratamento adequado sob risco de uma vez mais ficarmos por meias medidas sem aquele impacto de que o País tanto precisa nestes dias que primeiro se começou por dizer que era mal que nunca nos chegaria, mas que agora se admite que são realmente de “crise”.

Mas temos de compreender que a solução dos problemas, por mais complexos, não acontece pela única via de locação de recursos financeiros. Dinheiro só gera dinheiro com muito trabalho e boa gestão, sobretudo uma gestão austera.

Em experiências anteriores, como a do financiamento dos Antigos Combatentes pela Caixa de Crédito e Desenvolvimento Rural do ex-BPD (o tal Banco Popular de Desenvolvimento) provaram-se falhanços porque não havia da parte dos receptores dos fundos, conhecimentos, experiência, orientação e condições logísticas que completassem aquela injecção de fundos. Foi como jogar fundos para a drenagem uma vez que os objectivos definidos jamais se concretizaram e os fundos não foram devolvidos. Por outras palavras: tratou-se de mais uma operação de crédito concedido sob condições completamente politizadas. Talvez se tenha conseguido adiar a contestação de um segmento de pessoas que havia participado na luta armada de libertação nacional. Sossegou-se um grupo de pessoas através do saque puro de fundos de um banco estatal mas não se resolveu o problema da escassez de agricultores privados comerciais cuja tarefa é a participação na produção de alimentos e outras culturas em moldes comerciais para abastecimento nacional, em primeiro lugar, e exportação.

20 de setembro de 2010

África do Sul: nova lei proibe dupla nacionalidade


África do Sul: nova lei proibe dupla nacionalidade

Os estrangeiros residentes na África do Sul, incluindo moçambicanos, que queiram a nacionalidade sul-africana, serão obrigados a renunciar a sua cidadania, sobretudo os oriundos de países como Moçambique, que proíbem a dupla cidadania.

A medida surge como parte de uma emenda a lei e que está sendo contestada por alguns sectores, incluindo partidos da oposição, que chegam a questionar a sua motivação.

Críticos dizem que a lei vai dificultar que refugiados de países em conflitos armados adquiram a cidadania sul-africana, uma vez que serão exigidos a exibir documentos da sua naturalidade.

Questionando o espírito deste instrumento legal, a Aliança Democrática (DA), o principal partido da oposição, argumentou que não será prático a implementação desta lei para cidadãos de países como Somália, que carecem de infra-estruturas necessárias para a emissão de passaportes ou documentos de viagem, razão pela qual será difícil que os mesmos renunciaram a sua nacionalidade de origem.

6 de setembro de 2010

Moçambique: Chineses projectam bairro na KaTembe


Chineses projectam bairro na KaTembe

Um bairro residencial para a comunidade chinesa deverá ser construído, no distrito municipal KaTembe, na cidade de Maputo, num projecto a ser desenvolvido no quadro do acordo de gemelagem existente entre os Municípios de Maputo e de Xangai.

A edilidade de Maputo, na pessoa do seu presidente, David Simango, disse recentemente que o empreendimento vem em boa hora e tem enquadramento na visão geral sobre o desenvolvimento daquela região da capital, que além de uma ponte rodoviária ligando as duas margens da baía, inclui a construção de uma cidade moderna, entre outras acções de urbanização, para evitar que se instale anarquia na utilização do solo.

O Contrato Social (José Flávio Pimentel Teixeira)

Canal de Opinião : por José Flávio Pimentel Teixeira, 3 Set, 2010, 1h45

O Contrato Social

Maputo (Canalmoz) - Paulo Granjo, antropólogo português que há muito vem trabalhando em Moçambique, publicou no jornal Público o artigo “A Razão e o Sentido de Dois Motins”, sobre a situação em Maputo. Para ler com atenção, em articulação com o texto que colocou no seu blog: “Novos Motins em Maputo e Maria Antonieta na Costa do Índico“. Face a este último texto, mais completo (o jornal tem limites de espaço), tenho duas notas: uma irritação profunda; e uma discordância.

A irritação. Ao saber da proposta da substituição do pão (base da alimentação urbana) pela batata-doce e outros produtos imediatamente me lembrei da história de Maria Antonieta. Para quem não a saiba aqui a resumo: diz a história, muito provavelmente apócrifa e que contra ela foi usada na altura, que esta rainha de França tendo sido defrontada pelos pobres com pedidos de pão lhes terá respondido “se não têm pão que comam brioches”. O dito, por mais falso que tenha sido, ficou como símbolo da insensibilidade governativa – até pelo triste fim que a rainha veio a ter (guilhotinada após a revolução de 1789). E Paulo Granjo antecipou-se na “postagem”, inutilizando-me um proto-post, coisa que os bloguistas encartados raramente perdoam.

Libertaram o povo e esqueceram-se dele (Daniel Oliveira)

Canal de Opinião: por Daniel Oliveira, in (www.arrastao.org)

Libertaram o povo e esqueceram-se dele

A violência em Maputo explica-se pelo abandono a que o povo está entregue e o autismo em que vive a elite política. Os moçambicanos aceitam o poder instituído. Aceitam que ele coma mais do que todos. Mas não aceitam que coma sozinho.

Maputo (Canalmoz) - Como em 2008, Maputo explodiu em violência. Dez mortos. A miséria explica. A dúvida permanente em relação ao mais elementar que a sobrevivência exige também explica. Se nada é previsível não há ordem possível. E se o abandono é total e as elites políticas não garantem o mínimo dos mínimos não há autoridade que mereça ser respeitada.

Maputo: A razão e o sentido de dois motins (Paulo Granjo)

Canal de Opinião: por Paulo Granjo (*), in Jornal Público, Lisboa 02 Setembro 2010

A razão e o sentido de dois motins

Maputo (Canalmoz) – A revolta de 1 e 2 de Setembro corrente, em Maputo, vista, de Lisboa, pelo antropólogo Paulo Araújo, mereceu a nossa atenção e aqui a reproduzimos com a devida vénia:

Tal como em 5 de Fevereiro de 2008, Maputo viveu ontem um dia de barricadas de pneus ardendo nas ruas, pedradas a carros e montras, cidadãos mortos pelas balas das forças policiais.

Também como nesse Fevereiro, o motim foi convocado em rede por SMS e boca-a-ouvido, alastrando em bola de neve de um bairro popular a outro, à medida que o fumo das barricadas vizinhas ia sendo avistado.

Como em 2008, o móbil imediato dos protestos foi a brusca subida de preços. Então, dos "chapas", periclitantes carrinhas que servem de transporte público à esmagadora maioria. Agora, da água, electricidade, pão e arroz - sua base alimentar.

3 de setembro de 2010

Quando a arrogância governativa virou a marca registada de um governo...

Canal de Opinião, por Noé Nhantumbo

QUANDO A ARROGÂNCIA GOVERNATIVA VIROU A MARCA REGISTADA DE UM GOVERNO...

Falhanço do Black Economic Empowerment?... É preciso olhar para além do óbvio...

Beira (Canalmoz) - As características dos regimes políticos instalados em Maputo e Pretória só diferem de dimensão e de língua oficial utilizada. Pode haver de facto outras diferenças quanto aos manuais de procedimentos mas na essência estamos vivendo sob o signo de dirigentes políticos nacionais mas com a suas economias completamente dominadas por outras pessoas ou corporações que vão ditando o que se faz ou deixa de fazer na esfera económica. Quem governa supunha que entregando de mão beijada tudo ao capital internacional teria todos os problemas resolvidos.