6 de dezembro de 2010

Estrelas fulgurantes ou cadentes? (Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo)


Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo

ESTRELAS FULGURANTES OU CADENTES?

Ou exercício mediático de fabrico de “referências” e heróis?

Beira (Canalmoz) - Partindo de lances protagonizados pela comunicação social observam-se fenómenos de construção de imagens envoltos em mistérios. Isto porque não se sabe nem se consegue provar a motivação da avalanche de termos abonatórios nem dos elogios que certas figuras recebem.
A cantiga da auto-estima bombardeada constantemente até se justifica mas não sustenta nem serve de defesa do cultivo ou promoção de imagem que cheira a algum culto de personalidade.
Porquê dar tanto espaço e cobertura a tudo o que dizem ou fazem certas pessoas também designadas de personalidades?
A mando de quem e com que objectivo é que se montam as campanhas de marketing sócio-político habitualmente vistas nos “mídia” moçambicanos?

Matutuine: Encarregados exigem cabritos aos candidatos a emprego



Encarregados do “Bela Vista Rice Project” exigem cabritos aos candidatos a emprego

– denunciam régulos de Matutuine

Matutuine (Canalmoz) – Os responsáveis pela contratação dos trabalhadores para o “Bela Vista Rice Project’, que foi lançado semana passada em Matutuine, estão a extorquir cabritos à população local, em troca de promessas de postos de emprego. A denuncia parte dos régulos de Santaca e Djabula, no distrito de Matutuine, província de Maputo, em entrevista ao Canalmoz.
O projecto de produção de arroz em grande escala é da companhia Líbio-moçambicana, Lap-Ubuntu, que se propõe a cultivar, numa primeira fase, uma área de 5 mil hectares, com capacidade produtiva de 1,4 tonelada por hectare, em cada campanha agrícola.
Este projecto foi lançado a semana finda pelos seus proprietários e contou com a presença da governadora da província de Maputo, Ana Maria Jonas.
Entretanto, as autoridades tradicionais de Matutuine disseram à nossa reportagem que os responsáveis pela contratação dos trabalhadores da companhia Lap-Ubuntu exigem cabritos em troca de postos de trabalho.

Moçambique: Comissão Permanente aumenta regalias dos deputados



Em momento de crise

Comissão Permanente aumenta regalias dos deputados

Maputo (Canalmoz) – Os 250 deputados da Assembleia da República (AR) foram aumentados. No fim do mês vão ganhar mais, vão auferir mais dinheiro nas suas contas. A Comissão Permanente da AR reuniu-se sábado último, para aprovar subsídios de alojamento e aumentar o anterior subsídio de círculo eleitoral. Assim, a partir de 2011 o Estado passa a pagar mais 12 mil meticais para a renda de casa de cada deputado. Não importa se o deputado tem casa própria na capital do país, onde decorrem as sessões da AR, o facto é que cada deputado terá por mês, para além do salário actual, mais 12 mil para pagamento da renda de casa. Em relação ao subsídio de círculo eleitoral, não foram avançados valores.
São regalias para um sector que não é produtivo, é meramente político e com uma “maioria esmagadora” e “qualificada” detida pelo Partido Frelimo.

1 de dezembro de 2010

O fascínio do poder (Mia Couto)


O fascínio do poder (Mia Couto)

“Sucedeu connosco o que sucedeu com todas as outras nações. A política deixou de ser uma consequência dessa entrega generosa, dessa abdicação de si mesmo. Passou a ser um trampolim para interesses pessoais”

Ser político ou ser da política representou no nosso país, durante muitos anos, um risco de peso. A canção da velha Xica, do angolano Waldemar Basto, é bem representativa desses perigos: “xê, menino, não fala política…!”

Os que ofereciam para lutar pela causa da independência (a causa política por excelência, na altura) faziam-no, avaliando as consequências para si mesmo e para a família. Não havia vantagem nessa disponibilidade em ser-se político. Apenas sacrifício.

Aliás, ninguém se oferecia para ser “político”. Os militantes nacionalistas entregavam-se não à política em si, mas a uma missão que era a libertação do seu país. O sentido de entrega e de missão comandavam essa opção. Ser-se “político”, era uma implicação posterior, alheia à vontade do militante.

Numa palavra, a ligação com a política era apenas um corolário de uma atitude nobre e generosa: a de servir os outros. Não importa aqui questionar a justeza das definições políticas desse movimento. Falo, sim, da adesão pessoal, da superação dos interesses pessoais e da sua subordinação a interesses públicos.

Navegabilidade do Zambeze (Canal de Opinião: por Joé Nhantumbo)


Canal de Opinião: por Joé Nhantumbo

NAVEGABILIDADE DO ZAMBEZE – AS EVIDÊNCIAS DE CONFLITOS DE INTERESSES ACUMULAM-SE

Até se enganam ao nomearem porta-vozes e defensores…

Beira (Canalmoz) - Não tem lógica e nem se pode aceitar que alguém possa ser juiz em causa própria. Todos os que tem interesses privados nos portos de Nacala e da Beira, nas linhas férreas que confluem para estes dois portos são obviamente contra a possibilidade do Malawi e Zâmbia realizarem suas importações e exportações por via do rio Zambeze. E até são contra que outros negócios locais possam proporcionar progressivamente mais negócios aos locais e a elites nacionais que se possam vir a formar com autonomia relativamente aos grupos actuais preponderantes.
Obviamente que no domínio das relações económicas e comerciais tem sempre peso o interesse dos interlocutores. Na esteira do Caso Chire-Zambeze despoletado por questões relacionadas com a sua navegabilidade existe um processo de clivagem e crescente de desentendimento entre o executivo de Lilongwe e o de Maputo. Não é bom o tom e as relações de momento também estão azedas. As acusações mútuas acabam revelando a qualidade e tipo de relacionamento existente no seio da SADC.
Uma questão que deveria ser tratada no quadro dos mecanismos internacionalmente aceites e em conjugação com os interesses económicos e políticos de dois ou três países da região estão sendo conduzidos de maneira pouca diplomática e profissional.
Uns podem dizer que o Malawi colocou “a carroça à frente dos bois” ao avançar com a construção do porto de Nsanje antes de garantir acesso ao rio Zambeze.
Do lado malawiano multiplicam-se vozes de que o governo de Moçambique estás sendo obstrucionista e colocando interesses particulares acima do direito que países do interior e sem acesso directo ao mar possuem.
Em Moçambique o governo monta operações mediáticas para transformar o problema em outra coisa que de facto não é. Convenhamos que a pouca gente convence a tese da necessidade realização de estudos ambientais embora isso seja prática corrente a nível mundial. Quantas vezes não se atropelam as conclusões dos estudos de impacto ambiental e projectos abertamente contra o ambiente são autorizados?

Polémica entre estudantes na Universidade Eduardo Mondlane


Enchimento de urnas à moda da Frelimo

Polémica entre estudantes na Universidade Eduardo Mondlane

Maputo (Canalmoz) – Está instalado um ambiente turvo na Associação dos Estudantes Universitários (AE-UEM) da Universidade Eduardo Mondlane, a mais antiga instituição de ensino superior do país. A discórdia entre os estudantes e a direcção da associação estudantil veio à superfície na semana passada, aquando da realização das eleições para o novo elenco directivo daquela agremiação académica.
O actual presidente da associação e seu elenco são acusados de orquestrar esquemas fraudulentos para favorecer uma das listas que é maioritariamente composta por amigos seus, e assim poderem continuar a dirigir a associação nem que seja a “controlo remoto”, para que não seja denunciada a suposta gestão danosa de que são acusados de terem sujeitado a agremiação até agora.
As eleições em que se deveria encontrar o elenco para substituir o actual elenco liderado por Jobe Fazenda, foram marcadas por muitas polémicas. As listas que concorreram ao escrutínio são a lista “A”, liderada por Dino Sampanha Soares, lista “B,” encabeçada por Helton Gimo António, a lista “C”, liderada por Dany Marangaze, a suposta lista dos grandes amigos do actual elenco, e finalmente pela lista “D”, encabeçada por Pedro Miguel Coimbra.
A lista “C” é conhecida entre os estudantes por integrar “meninos bonitos”, que assim como o actual elenco, segundo dizem os estudantes, não passam de bajuladores, característica com a qual a maior parte dos estudantes não se identifica. E não só: a lista “C” foi amplamente apoiada, segundo contam, pelo actual elenco que “goza de uma péssima reputação no seio dos estudantes por se promíscuir até ao pescoço com o partido Frelimo”. Entretanto, ainda segundo relato dos estudantes, estavam criadas todas as condições para a lista dos supostos “escovas” não ser votada.
Os estudantes contam que apercebendo-se da situação, o actual presidente da Associação, que também participa na organização das eleições, sugeriu, poucos dias antes das eleições, que as mesmas fossem realizadas alargadas à participação também dos estudantes das delegações provinciais, caso de Inhambane e Zambézia.

Moçambique: Governo vai monopolizar os casinos


Governo vai monopolizar os casinos

O Estado passa a ser o detentor exclusivo dos jogos de azar ou de fortuna

Membros do Governo e deputados da Assembleia da República integrantes de qualquer comissão parlamentar especializada passam a estar interditos de frequentar os casinos

Maputo (Canalmoz) – Os casinos onde se realizam os jogos de azar ou de fortuna vão passar a ser controlados exclusivamente pelo Governo. A medida surge como forma de “harmonizar as diversas legislações avulsas que regulam estes jogos que movimentam avultadas somas de dinheiro entre os seus praticantes”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Alberto Nkutumula.
O decreto que vai regulamentar os jogos de fortuna ou de azar, ou seja, o regulamento da lei 1/2010, foi aprovado ontem, em Maputo, pelo Conselho de Ministros, na sua 43ª sessão ordinária.
Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, este regulamento aplica-se a todos os empreendimentos e actividades de desenvolvimento e exploração de uma ou mais modalidades de jogos de fortuna ou azar, bem como às matérias aplicáveis aos empreendimentos de exploração de actividades de prestação de serviços conexos e complementares.

19 de novembro de 2010

A voz dos que não tinham onde falar (Jorge Rebelo)


A voz dos que não tinham onde falar

Porque é que, tantos anos após as suas mortes, Carlos Cardoso e Siba-Siba Macuácua continuam a ser recordados e evocados com tanta admiração, estima, respeito e mesmo carinho pela maioria da população moçambicana? É que eles eram homens íntegros, impolutos, verdadeiros patriotas. Porque amavam a sua pátria e recusaram o caminho fácil e seguro da aliança com os corruptos.

Digo corruptos e não corrupção que é um termo demasiado vago: porque a corrupção tem um rosto, quase sempre camuflado, mas cuja máscara aqueles dois patriotas procuravam desvendar nos casos em que se envolviam. Como jornalista, Carlos Cardoso aderiu nos primeiros tempos da independência aos ideais defendidos e praticados pela Frelimo. Identificava-se com eles e empenhou-se activamente na sua materialização.

Mas a sua “militância” rompeu-se quando constatou, a dada altura, que o novo poder estava a desviar-se do projecto inicial de servir os mais desfavorecidos e não uma elite dirigente. Ele poderia acomodar- se, mas a sua integridade e sentido de justiça não lhe permitiram pactuar com os desmandos a que assistia. O caminho que escolheu foi distanciarse do poder e criar instrumentos que lhe permitissem analisar esse poder, apontar-lhe os erros, na perspectiva de corrigilo e melhorá-lo. Era esse o seu objectivo, por ele várias vezes reiterado: corrigir, não destruir.

“Quando se encontra uma causa já nada mais importa”


“Quando se encontra uma causa já nada mais importa”

Nuno Cardoso, o irmão caçula de Carlos, abriu para @ VERDADE algumas páginas da vida do irmão que, segundo ele, morreu por querer contar a verdade aos moçambicanos. Aqui ficam os principais pontos da conversa.

Qual é a recordação mais longínqua que tens do teu irmão Carlos?

Nuno Cardoso (NC) - Lembro- me de quando ele estava a estudar na África do Sul, na Witbank High School, e vinha cá a Moçambique passar férias. Em 1972, lembrome de ir com ele e com toda a família a Portugal passar férias e de ele me ter levado ao estádio da Luz.

O livro “É Proibido pôr Algemas nas Palavras” refere que Carlos Cardoso terá tido uma infância austera. É verdade?

(NC) - O meu pai era duro, rigoroso, muito disciplinado. Aliás, quando os meus dois irmãos começaram a chumbar a algumas cadeiras o meu pai resolveu metêlos num colégio interno na África do Sul, em 1964. Comigo já não foi assim. Lembro- me que o meu irmão José Manuel tinha medo do meu pai. Já o Carlos não, e, muita vezes, enfrentava-o. Mas esta austeridade vem da avó Maria, mãe do meu pai, que tinha uma escola. O meu irmão mais velho conta que um dia estava na aula e pela porta viu a avó Maria passar com o Carlos pendurado pelas orelhas. Ele tinha ido à carteira da avó roubar o dinheiro todo para comprar sorvetes para a malta toda do bairro. Foi sorvete para o povo todo.

Em 1975, quando chega a independência, ele adere imediatamente aos ideais da Frelimo.

(NC) - É preciso que se diga que ele foi expulso da África do Sul pelas suas convicções políticas. Foi depois deportado para Portugal e voltou a Moçambique para assistir à independência, em Junho de 1975. Nessa altura engajou- se logo no marxismo/ leninismo ao qual a Frelimo tinha aderido.

Esse mergulho de alma e coração não causou choques familiares?

(NC) Não. O meu pai saiu aqui de Moçambique porque, como dizia, “já era velho demais para ser comunista”. Foi-se embora em finais de 1975, um bocado influenciado por toda aquela gente que estava em debandada. Mas, que eu saiba, nunca discutiram os ideais do Carlos. Não havia qualquer confronto entre eles. Encararam sempre a luta do meu irmão através do jornalismo como algo de positivo.

Mas o teu pai não era um homem de esquerda?

(NC) Não, não era. Ele dizia, com graça, que a política “era um filho de uma mãe solteira sem pai certo.” Política, para ele, não existia.

Algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso


Algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso

@ VERDADE reproduz aqui algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso publicadas na edição do Metical nº 866 do dia 24 de Novembro de 2000.

Cardoso a Quente

Fiquei chocado quando ontem me perguntaram se conhecia anedotas do Carlos Cardoso, no rescaldo do horror tantas vezes antecipado em conversas restritas, inclusive com o próprio. Percebi e percebo agora que a recordação dos momentos mais desconcertantes na companhia do Cardoso têm sido para mim a melhor terapia para lidar com a situação. Passam-me pela mente, em “flashes” sucessivos, o “projecto berlindes por sementes de papaieira”, o “serviço de poesia via telex” e a pintura no forno de cozinha. Eu explico-me.

Na sua luta muito pessoal contra o repolho e o carapau dos anos 80’, o Cardoso resolveu utilizar as relações institucionais entre a agência noticiosa moçambicana e as suas congéneres estrangeiras para que fossem enviados berlindes para Maputo. Milhares de berlindes, que eram trocados por pés de papaieira, árvore de crescimento rápido e de frutos de reconhecido valor nutricional.

Ainda hoje estou a ver o formalíssimo director geral da ADN da RDA com um saco enorme de berlindes a desembarcar em Maputo. Meses depois coube a vez ao director da cooperação da então ANOP portuguesa. Neste folhetim, eu representava a parte conservadora, fazendo-lhe lembrar que era inaceitável misturar berlindes com cooperação inter-agências.

No assunto as poesias, o Cardoso, fascinado pelo matraquear dos telexes ao comando das fitas picotadas, era completamente surdo aos meus argumentos de inviabilidade económicocomercial. A “pintura do forno” tem a ver com genialidade e paixão. Ao guache, aguarela e graxa para sapatos, adicionou um toque de forno às suas telas. Era assim. O Cardoso era inimitável. Era igual a si próprio e talvez por isso, dado a frequentes cogitações de umbigo. Em todas as suas tendências, ele adicionava sempre um toque de talento - na viola, no canto (e daí o “nickname” de Cat via apelidado Stevens), no futebol, na dança (é verdade, este radical varria salões, na poesia (...os cheiros chamanculos invadindo a Friedrich Engels), nos afectos. E por isso, quando a paixão do jornalismo entrou em crise em 1989, dedicou-se à pintura.

No seu idealismo - com mesclas de ingenuidade - Cardoso acreditava que libertando-se de director, tinha finalmente espaço para escrever. O sistema, que já não era socialista mas mantinha intactos os estigmas autoritários, condimentado com um substituto burocrata e medíocre mataram-lhe extemporaneamente o sonho. O liberalismo não o deslumbrou.

Na revolução, quando os inveterados que nunca deixaram de estar presentes nas diversas direcções da ONJ/SNJ diziam ámen, Cardoso pediu eleições democráticas.

O último editorial do Mestre (Escrito por Carlos Cardoso, 22/11/2000)


O último editorial do Mestre

Escrito por Carlos Cardoso

A edição de “O Metical” nº 864, correspondente ao dia 22 de Novembro de 2000, foi a última que teve a participação do seu director, Carlos Cardoso, que seria brutalmente assassinado ao início da noite desse dia na Avenida Mártires da Machava, em Maputo. O jornal, que chegava aos leitores por fax, contava nesse dia com sete temas e o Editorial tinha como título: /Pressionando Morgado/ Ironias.

@ VERDADE reproduz, com a devida vénia, o último editorial de Carlos Cardoso.

Pressionando Morgado

Está quase a fazer um ano que Carlos Morgado foi nomeado ministro da Indústria e Comércio. Estamos em crer que chegou a altura de ele sofrer alguma pressão forte para se interessar pela revitalização da indústria do caju. Dele se conhece alguma preocupação - e trabalho - na questão das indemnizações aos trabalhadores despedidos. Ao abrigo do debate económico e fiscal anunciado pela ministra Luísa Diogo, falta, agora, pressioná- lo a sentar-se à mesa com os donos das fábricas fechadas pois tudo aponta para o imperativo do regresso à indústria. Vejamos.

Os preços ao apanhador estão pelas ruas da amargura. Assemelham- se aos preços dos anos 40. O FOB não chega aos 550. A qualidade da nossa castanha está péssima. Ano após ano a Índia diminui os volumes de castanha importada de Moçambique, pelo que há que perguntar: Para que serve o esforço de cura dos cajueiros e plantio de novas árvores? Para vender a quem?

Cardoso: eterno defensor da indústria do caju


Cardoso: eterno defensor da indústria do caju

Além de ter sido considerado o percursor do jornalismo de investigação em Moçambique, Carlos Cardoso também foi pioneiro na luta pela defesa da indústria do caju. O jornalista não concordava com as políticas das instituições de Bretton Woods (Banco Mundial e do FMI) de liberalizar o comércio daquele produto no país. Na altura em que o país começou a dar os primeiros passos no relançamento da economia de mercado e em que se procurava definir uma estratégia de recuperação do sector de caju, os defensores da indústria de descasque viram-se numa situação desconfortável.

Na sua maioria, não viam com bons olhos a ideia de que, em lugar de se tentar continuar a exportar a amêndoa, o país devia exportar castanha em bruto – medida esta sugerida por iniciativa do Banco Mundial que pretendia tornar Moçambique eterno exportador dessa matéria-prima. Aliás, aquela instituição financeira entendia que a privatização da indústria, só por si, não era suficiente para assegurar a viabilidade económica do investimento.

O Banco Mundial justificou a sua posição através de um diagnóstico, apontando a ineficiência do sistema produtivo, responsável pelo valor acrescentado negativo, gerado pela actividade de descasque; o baixo preço a que era remunerado o produtor, comparado com o preço de exportação, explicava a queda da produção de castanha; as receitas resultantes da exportação da amêndoa - assim, a decisão de exportar amêndoa em vez de castanha de modo a evitar-se perda de divisas -; e o balanço da campanha de 1993-94 permitiu concluir que o mercado do caju foi dominado por um escasso número de comerciantes grossistas.

As reacções dos agentes envolvidos no sector da castanha de caju começaram a fazer-se sentir. As autoridades nacionais responsáveis pela implementação das políticas económicas, divididas entre as imposições das instituições de Bretton Woods e os interesses da sociedade, mantiveram-se indiferentes diante da situação. Os industriais e os sindicatos moçambicanos viram os meios de comunicação social privados como uma espécie de aliado, os quais vieram a ser determinantes na denúncia pública da cumplicidade entre o Banco Mundial, o Governo e aproveitamento de alguns comerciantes.

É nesse momento em que Carlos Cardoso se destaca como o primeiro jornalista a insurgir-se contra desindustrialização do sector. Iniciara a sua luta pela protecção da indústria do caju no jornal Mediafax, onde trabalhava como editor, e depois no Metical.

7 de novembro de 2010

O May be man (Mia Couto)


O May be man

Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.

O May be man vive do “talvez”. Em português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.

A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.

Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o May be man não é exactamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma na­ção muito gaseificada.

27 de outubro de 2010

Hotel Serena Polana renasce como 5 estrelas "de prestígio mundial"


Hotel Serena Polana renasce como 5 estrelas "de prestígio mundial"


O Hotel Serena Polana, na capital moçambicana, Maputo, "está a viver a sua segunda vida", após um investimento de 25 milhões de dólares (cerca de 18,37 milhões de euros) para restituir "o esplendor, luxo e glamour dos seus tempos áureos" a este "ícone intemporal de todo o continente africano", que abriu as suas portas a 1 de Julho de 1922.

Parque da Gorongosa celebra 50º aniversário com programa “Yoga Safari”


Parque da Gorongosa celebra 50º aniversário com programa “Yoga Safari”

O Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, que este ano comemora o 50º aniversário, está a promover o programa “retiro de yoga”, de 27 de Outubro a 1 de Novembro acompanhado pela “guru” de yoga Jenny Van Niekerk.
Durante o retiro, Jenny Van Niekerk oferecerá “momentos de recolhimento e meditação” no início e no fim de todos os dias do programa, informa o Parque em comunicado.
O preço por pessoa é 1.650 dólares (cerca de 1.235 euros) e inclui cinco noites em regime tudo incluído (TI), curso de yoga, safaris e entradas no parque, não estando incluído o transporte para o Parque Nacional da Gorogonsa.
O Parque ocupa uma área de cerca de quatro mil quilómetros quadrados, na zona limite Sul do Grande Vale do Rift Africano, tem a sua planície irrigada pelos rios que nascem na Serra da Gorongosa, a qual atinge 1.862 metros de altitude, e terras de pasto repletas de acácias, savana, floresta seca sobre areias, poças de água das chuvas sazonais e densos bosques de termiteiras.
Nos seus planaltos encontram-se matas de miombo, florestas de montanha e floresta tropical húmida na base de uma série de desfiladeiros ou “gargantas” de calcário.
Durante os safaris é possível avistar javalis africanos, diversas espécies de antílopes, macacos, crocodilos, centenas de espécies de pássaros, elefantes, leões, entre outros animais selvagens.

in: Presstur.com
24 Setembro 2010

LAM vai ter voo próprio Lisboa – Maputo a partir de Abril


terraÁfrica forma agentes no destino Moçambique

LAM vai ter voo próprio Lisboa – Maputo a partir de Abril

A companhia aérea moçambicana, LAM, que tem comercializado as ligações entre Lisboa e Maputo em voos da TAP, através de code-share, vai introduzir voos próprios a partir do próximo mês de Abril, com duas ligações por semana em avião Boeing B767-300 ER.
A novidade foi avançada ontem pelo delegado para a Europa das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), Cândido Munguambe, numa acção de formação para agentes de viagens organizada pela terraÁfrica, marca do operador Sonhando, que decorreu no Holiday Inn Continental Lisboa.
Cândido Munguambe avançou ao PressTUR que esta rota deverá potenciar viagens de negócios, com uma aposta na qualidade da classe executiva, beneficiando também o turismo de lazer no destino, quer à partida de Portugal quer de outros países europeus, utilizando Lisboa como centro de conexões.
A LAM oferece actualmente quatro voos por semana em code-share com a TAP.


24 de outubro de 2010

Morte de Machel em Mbuzini: Investigações encalhadas na PGR


Ainda a morte de Machel em Mbuzini

Investigações encalhadas na PGR

Dossier Mbuzini “é um processo bastante complexo” – afirma o Procurador Geral da República, Dr. Augusto Paulino, em declarações exclusivas ao Canalmoz e Canal de Moçambique

Maputo (Canalmoz) - Em Maio de 2008, a Presidência da República de Moçambique remeteu o dossier Mbuzini à Procuradoria-Geral da República “com vista a imprimir nova dinâmica às investigações” sobre a morte do fundador do Estado moçambicano, Samora Moisés Machel. De acordo com um comunicado divulgado a 18 de Outubro de 2008 pela Presidência da República de Moçambique, dando conta da diligência, “a descoberta da verdade sobre a morte do Presidente Samora Moisés Machel foi e continua a ser uma prioridade da Nação Moçambicana”.
Agora, mais de dois anos após a PGR ter constituído uma equipa dirigida pelo Dr. Augusto Paulino, passando então a trabalhar no dossier, ainda não se sabe como se encontram as investigações. Estas, segundo se deduz das declarações prestadas ao Canalmoz e ao Canal de Moçambique pelo Dr. Augusto Paulino, permanecem envoltas em secretismo.

17 de outubro de 2010

Moçambique – Raízes, Identidade, Unidade Nacional (Albino Magaia)


Familiares e amigos publicam obra do malogrado Albino Magaia

“Moçambique – Raízes, Identidade, Unidade Nacional” é o título da obra publicada ontem, pela editora Ndjira, com o patrocino da empresa de telefonia móvel, Moçambique Celular (MCel)

Maputo (Canalmoz) – Sete meses depois de um dos célebres escritores e jornalista moçambicano, Albino Magaia, encontrar a morte, familiares, amigos, admiradores, colegas de profissão e o público em geral, testemunharam, ontem, em Maputo, o lançamento da obra “Moçambique – Identidade, Unidade Nacional”, da autoria do malogrado.
A obra, cuja apresentação esteve ao cargo de Tomás Viera Mário, explora a questão da identidade dos moçambicanos ao abrigo de episódios decorridos no período anterior à Luta Armada de Libertação Nacional. Explora ainda questões inerentes aos “movimentos e primeiras manifestações de identidade e política nacionais, a influência árabe, portuguesa, inglesa e crioulas da costa de Moçambique na sua estrutura histórica e cultural”.
Magaia traz, em sua obra, uma discussão sobre “as questões da língua portuguesa versus nacionais”, como se refere na obra.

Portugal: "O Anjo Branco", o novo livro de José Rodrigues dos Santos


PORTUGAL - Novo livro de José Rodrigues dos Santos é lançado na próxima semana

O massacre de Wiriamu, na província de Tete, é um dos temas tratados no romance do jornalista luso

Maputo (Canalmoz) - Será lançado em Lisboa na próxima semana o livro, “O Anjo Branco”, de autoria do apresentador da RTP, José Rodrigues dos Santos. Trata-se de um romance que recorda a guerra colonial em Moçambique, incluindo o massacre de Wiriamu, perpetrado por uma unidade da 6ª Companhia de Comandos das Forças Armadas Portuguesas.
O autor, que é natural de Moçambique, faz referência ao trabalho que o pai levou a cabo em Tete como médico responsável pelo Serviço Médico Aéreo, prestando assistência às populações das zonas rurais daquela província. Foi na qualidade de médico que o pai de José Rodrigues dos Santos, o Dr. Paz, elaborou um relatório sobre o massacre de Wiriamu.
O massacre foi igualmente investigado por Jorge Jardim que se serviu da ocorrência para um ajuste de contas com o comandante da Zona Operacional de Tete (ZOT), Brigadeiro Armindo Videira, igualmente governador do então distrito de Tete. Videira viria a ser destituído do cargo, em virtude do teor do relatório de Jardim apresentado a Marcelo Caetano em Lisboa. Não obstante ter apurado as circunstâncias do massacre, pondo em cheque importantes sectores das Forças Armadas Portuguesas, Jardim accionaria meios para incriminar dois padres católicos que, numa igreja na cidade da Beira, haviam denunciado em homilia por ocasião do dia mundial da paz, atrocidades das tropas coloniais, por sinal também ocorridas em Tete, designadamente em Mucumbura. Este episódio ficou conhecido como o “Caso dos Padres do Macuti”. (Redacção)

2010-10-15

Moçambique: Frelimo força professores a serem membros do partido


Frelimo força professores a serem membros do partido

– denuncia grupo de docentes no Dia Nacional do Professor

Maputo (Canalmoz) – A direcção do partido Frelimo, a nível da província de Maputo, está a usar o facto de estar no poder para angariar mais membros na Função Pública. Um grupo de professores denunciou, durante as celebrações do Dia Nacional do Professor (12 de Outubro), que está a ser persuadido a adquirir cartão de membro do partido no poder e pagar quotas.
Estes docentes, sobretudo os recém admitidos e estagiários afectos em algumas escolas nos distritos, afirmam que num encontro realizado há dias para a definição de estratégias da realização de exames normais e extraordinários que se avizinham, foram pressionado a se filiarem ao partido no poder.
Os nossos interlocutores, sob anonimato, avançaram que desde os directores distritais, passando pelos directores das escolas, receberam orientações para persuadir todos os professores independentemente do regime (contratado ou efectivo) a serem membros do partido de “batuque e maçaroca” por formas a ganhar, de forma esmagadora, os próximos pleitos eleitorais.
“Quando acabávamos de entrar, foram-nos distribuídos impressos de modo a sermos membros do partido no poder. Preenchemos e recebemos os cartões. Às vezes, as direcções das escolas convocam reuniões com professores, com uma certa agenda, mas acabam falando de assuntos partidários”, contam.
Os professoram disseram ainda que, nos encontros nas escolas, sempre se mete um slogan político.
As fontes afirmam entretanto que faz falta discutirem-se assunto relacionados com a progressão nas carreiras profissionais e a falta transparência no processo de atribuição de bolsas.

(Cláudio Saúte)

2010-10-14

Nós descolonizamos o Land Rover (Albino Magaia)


Nós descolonizamos o Land Rover

Já não é carro cobrador de impostos
Nós descolonizámo-lo.
Já não é terror quando entra na povoação
Já não é Land-Rover do induna e do sipaio.
É velho e conhece todas as picadas que pisa.
É experiente este carro britânico
Seguro aliado do chicote explorador.
Mas nós descolonizámo-lo.
No matope e no areal
Sua tracção às quatro rodas
Garante chegada às machambas mais distantes
Às cooperativas dos camponeses.
Entra na aldeia e no centro piloto
Ruge militante nas mãos seguras do condutor
Obedece fiel a todas as manobras
Mesmo incompleto por falta de peças.
- Descolonizámos o Land-Rover
Com nossos produtos
Comprámos combustível que consome
Com nossa inteligência
Consertámos avarias que surgem
Com nossa luta
Transformámos em amigo este inimigo.
Nós, descolonizadores
Libertámos o Land-Rover
Porque também ficou independente, afinal
Transformaram-se os objectivos que servia
E hoje é militante mecânico
Um desviado reeducado
Uma prostituta reconvertida em nossa companheira.
Descolonizámo-la e com ela casámos
E não haverá divórcio.
De Tete a Cabo Delgado
Do Niassa a Gaza
Da sede provincial ao círculo
Este jeep saúda quando passa
O caterpillar, seu irmão
Outro descolonizado fazedor de estradas
E cruza-se com o Berliet atarefado
Ex-pisador de minas
Eles aprenderam com a G-3
Menina vanguardista na mudança de rumo
A primeira a saber e a gostar
A diferença antagónica
Entre a carícia libertadora das nossas mãos
e o aperto sufocante e opressor do inimigo que servia.
As mãos dos operários que o fabricam
são iguais às mãos dos operários da nossa terra.
Essas mãos inglesas que o criam
Um dia saberão que ajudaram a fazer a revolução
e vão levantar o punho fechado da solidariedade.
Ruge este militante nas picadas da Zambézia
Galga as difíceis estradas de Sofala
Passa pelos pomares de Manica
Pelo milho de Gaza
Pelas palmeiras de Inhambane
Na cidade do Maputo descansa.
Transporta pelo país os olhos dos estrangeiros amigos
que querem conhecer de perto a nossa Revolução
- Descolonizámos uma arma do inimigo
Descolonizámos o Land-Rover!
Aquelas quatro rodas de um motor potente
Aquela cabine dos mecanismos de comando
Aquelas linhas da carroçaria irmanadas ao medo
Já não afugentam o povo:
Homens, Mulheres e Crianças do campo
fazendo sinal ao condutor, pedem boleia.
Nós descolonizámos o Land-Rover
Por isso o povo já não foge.

Albino Magaia

9 de outubro de 2010

Bonga: Mulemba Xangola

Carlos Paião: Vinho do Porto

Mc Roger: Dança marrabenta

Bana: Mexe Mexe

Cesária Évora: Angola

Cesaria Evora: Besame Mucho

Andrea Bocelli - Besame Mucho (2006)

O Mare e Tu - Andrea Bocelli & Dulce Pontes

Dulce Pontes: Canção do Mar

30 de setembro de 2010

As outras nações de Moçambique? (MIA COUTO)


As outras nações de Moçambique?

MIA COUTO

1 - Os pneus ardendo nas estradas de Maputo e Matola não obrigaram apenas a parar o trânsito daquelas cidades. Paradoxalmente, esse bloqueio à normalidade abriu acesso a outras estradas que pareciam bloqueadas em todo o país. Os motins obrigaram a repensarmo-nos como país, como entidade que não pode ser dirigida por um pensamento único. As manifestações tornaram visível um outro Moçambique que parecia esquecido e longe dessa “pátria amada” tornada em chavão oficial. No auge da crise, a Frelimo retomou o seu velho método de contacto directo com as bases. Brigadas “saíram” para os bairros e regressaram alarmadas. O sentimento que encontraram nas bases estava distante dos relatórios oficiais que, à força de serem repetidos, pareciam ser a verdade única e total.

Duas dezenas de estudantes moçambicanos vão se formar em Portugal


Duas dezenas de estudantes moçambicanos vão se formar em Portugal

Maputo (Canalmoz) – São no total 21 estudantes moçambicanos que partem no dia 20 de Outubro próximo, com destino a Portugal, para prosseguirem os seus estudos em diversas áreas nos níveis de mestrado e doutoramento.
A ida dos estudantes moçambicanos a Portugal insere-se no Programa de Cooperação, apoiado pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e contempla a atribuição de 19 bolsas de estudo para o nível de Mestrado e 2 bolsas de estudo para o nível de Doutoramento.

27 de setembro de 2010

Moçambique é corredor de drogas para Europa e África do Sul

Moçambique é corredor de drogas para Europa e África do Sul

– revela um estudo da Chatham House, uma organização não governamental sedeada em Londres

Maputo (Canalmoz) – Mais um estudo internacional aponta Moçambique como um dos grandes corredores de tráfico de diferentes drogas, mormente heroína, mandrax, cocaína e suruma, cujo destino preferencial é o mercado europeu e da vizinha África do Sul.

O relatório denominado “Moçambique: Equilibrando o Desenvolvimento, a Política e a Segurança”, concluído em Agosto último, está a circular já no país, desde a semana passada.

A Chatham House, anteriormente conhecida como Royal Institute of International Affairs – uma organização não governamental sedeada em Londres – diz que há um abastecimento constante de mandrax, vindo da Índia e destinado principalmente ao mercado sul-africano, via Moçambique.

Para além disso, a cannabis sativa e seus derivados – vulgo suruma – a heroína e a cocaína também transitam pelo país com destino a vários países. Dessas drogas, a cocaína que vem da América do Sul é tida como a que mais transita cada vez mais por Moçambique com destino à Europa.

22 de setembro de 2010

Moçambique: Arranha Céus de 47 andares projectado em Maputo


Maior que 33 Andares: Arranha Céus de 47 andares projectado para a capital moçambicana

O Grupo Green Point Investment, uma empresa de capitais maioritariamente israelitas, vai investir 110 milhões de dólares americanos na construção de um edifício de 47 andares na zona baixa da cidade de Maputo, capital moçambicana.

Trata-se do maior edifício do país, constituído por 32 pisos para escritórios, cinco para estacionamento de viaturas, e os restantes para centros comerciais, um heliporto, entre outras facilidades.

Baptizado com o nome “Maputo Business Tower”, este edifício resulta de uma parceria formada em Abril do ano passado pelo Grupo Green Point Investment e a empresa pública Correios de Moçambique.

A empresa Correios de Moçambique, que participa no projecto através da concessão do espaço onde será edificada a “Torre”, será detentora de parte do património após a conclusão das obras.

21 de setembro de 2010

Vale do Zambeze: Canal de Opinião por Noé Nhantumbo


Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo

NO MEIO DE TANTA FANFARRA SOBRE A FOME SERÁ POSSÍVEL ESQUECER O VALE DO ZAMBEZE?

Beira (Canalmoz) - Compreender que as medidas tomadas ou ensaiadas pelo governo face à escassez de alimentos e alto preço de produtos é fácil como do conjunto de medidas anunciadas se pode perceber que o que agora se está a tentar fazer há muito tempo que já deveria ter sido feito. Mas lá diz o ditado: “Mais vale tarde do que nunca”. Pena é que o governo não tenha percebido – pese embora o primeiro aviso de 05 de Fevereiro de 2008 – que tem de trabalhar.

Mas no esforço de entender o significado amplo das tais medidas agora precipitadas e atabalhoadamente anunciadas, algumas interrogações surgem que merecem tratamento adequado sob risco de uma vez mais ficarmos por meias medidas sem aquele impacto de que o País tanto precisa nestes dias que primeiro se começou por dizer que era mal que nunca nos chegaria, mas que agora se admite que são realmente de “crise”.

Mas temos de compreender que a solução dos problemas, por mais complexos, não acontece pela única via de locação de recursos financeiros. Dinheiro só gera dinheiro com muito trabalho e boa gestão, sobretudo uma gestão austera.

Em experiências anteriores, como a do financiamento dos Antigos Combatentes pela Caixa de Crédito e Desenvolvimento Rural do ex-BPD (o tal Banco Popular de Desenvolvimento) provaram-se falhanços porque não havia da parte dos receptores dos fundos, conhecimentos, experiência, orientação e condições logísticas que completassem aquela injecção de fundos. Foi como jogar fundos para a drenagem uma vez que os objectivos definidos jamais se concretizaram e os fundos não foram devolvidos. Por outras palavras: tratou-se de mais uma operação de crédito concedido sob condições completamente politizadas. Talvez se tenha conseguido adiar a contestação de um segmento de pessoas que havia participado na luta armada de libertação nacional. Sossegou-se um grupo de pessoas através do saque puro de fundos de um banco estatal mas não se resolveu o problema da escassez de agricultores privados comerciais cuja tarefa é a participação na produção de alimentos e outras culturas em moldes comerciais para abastecimento nacional, em primeiro lugar, e exportação.

20 de setembro de 2010

África do Sul: nova lei proibe dupla nacionalidade


África do Sul: nova lei proibe dupla nacionalidade

Os estrangeiros residentes na África do Sul, incluindo moçambicanos, que queiram a nacionalidade sul-africana, serão obrigados a renunciar a sua cidadania, sobretudo os oriundos de países como Moçambique, que proíbem a dupla cidadania.

A medida surge como parte de uma emenda a lei e que está sendo contestada por alguns sectores, incluindo partidos da oposição, que chegam a questionar a sua motivação.

Críticos dizem que a lei vai dificultar que refugiados de países em conflitos armados adquiram a cidadania sul-africana, uma vez que serão exigidos a exibir documentos da sua naturalidade.

Questionando o espírito deste instrumento legal, a Aliança Democrática (DA), o principal partido da oposição, argumentou que não será prático a implementação desta lei para cidadãos de países como Somália, que carecem de infra-estruturas necessárias para a emissão de passaportes ou documentos de viagem, razão pela qual será difícil que os mesmos renunciaram a sua nacionalidade de origem.

6 de setembro de 2010

Moçambique: Chineses projectam bairro na KaTembe


Chineses projectam bairro na KaTembe

Um bairro residencial para a comunidade chinesa deverá ser construído, no distrito municipal KaTembe, na cidade de Maputo, num projecto a ser desenvolvido no quadro do acordo de gemelagem existente entre os Municípios de Maputo e de Xangai.

A edilidade de Maputo, na pessoa do seu presidente, David Simango, disse recentemente que o empreendimento vem em boa hora e tem enquadramento na visão geral sobre o desenvolvimento daquela região da capital, que além de uma ponte rodoviária ligando as duas margens da baía, inclui a construção de uma cidade moderna, entre outras acções de urbanização, para evitar que se instale anarquia na utilização do solo.

O Contrato Social (José Flávio Pimentel Teixeira)

Canal de Opinião : por José Flávio Pimentel Teixeira, 3 Set, 2010, 1h45

O Contrato Social

Maputo (Canalmoz) - Paulo Granjo, antropólogo português que há muito vem trabalhando em Moçambique, publicou no jornal Público o artigo “A Razão e o Sentido de Dois Motins”, sobre a situação em Maputo. Para ler com atenção, em articulação com o texto que colocou no seu blog: “Novos Motins em Maputo e Maria Antonieta na Costa do Índico“. Face a este último texto, mais completo (o jornal tem limites de espaço), tenho duas notas: uma irritação profunda; e uma discordância.

A irritação. Ao saber da proposta da substituição do pão (base da alimentação urbana) pela batata-doce e outros produtos imediatamente me lembrei da história de Maria Antonieta. Para quem não a saiba aqui a resumo: diz a história, muito provavelmente apócrifa e que contra ela foi usada na altura, que esta rainha de França tendo sido defrontada pelos pobres com pedidos de pão lhes terá respondido “se não têm pão que comam brioches”. O dito, por mais falso que tenha sido, ficou como símbolo da insensibilidade governativa – até pelo triste fim que a rainha veio a ter (guilhotinada após a revolução de 1789). E Paulo Granjo antecipou-se na “postagem”, inutilizando-me um proto-post, coisa que os bloguistas encartados raramente perdoam.

Libertaram o povo e esqueceram-se dele (Daniel Oliveira)

Canal de Opinião: por Daniel Oliveira, in (www.arrastao.org)

Libertaram o povo e esqueceram-se dele

A violência em Maputo explica-se pelo abandono a que o povo está entregue e o autismo em que vive a elite política. Os moçambicanos aceitam o poder instituído. Aceitam que ele coma mais do que todos. Mas não aceitam que coma sozinho.

Maputo (Canalmoz) - Como em 2008, Maputo explodiu em violência. Dez mortos. A miséria explica. A dúvida permanente em relação ao mais elementar que a sobrevivência exige também explica. Se nada é previsível não há ordem possível. E se o abandono é total e as elites políticas não garantem o mínimo dos mínimos não há autoridade que mereça ser respeitada.

Maputo: A razão e o sentido de dois motins (Paulo Granjo)

Canal de Opinião: por Paulo Granjo (*), in Jornal Público, Lisboa 02 Setembro 2010

A razão e o sentido de dois motins

Maputo (Canalmoz) – A revolta de 1 e 2 de Setembro corrente, em Maputo, vista, de Lisboa, pelo antropólogo Paulo Araújo, mereceu a nossa atenção e aqui a reproduzimos com a devida vénia:

Tal como em 5 de Fevereiro de 2008, Maputo viveu ontem um dia de barricadas de pneus ardendo nas ruas, pedradas a carros e montras, cidadãos mortos pelas balas das forças policiais.

Também como nesse Fevereiro, o motim foi convocado em rede por SMS e boca-a-ouvido, alastrando em bola de neve de um bairro popular a outro, à medida que o fumo das barricadas vizinhas ia sendo avistado.

Como em 2008, o móbil imediato dos protestos foi a brusca subida de preços. Então, dos "chapas", periclitantes carrinhas que servem de transporte público à esmagadora maioria. Agora, da água, electricidade, pão e arroz - sua base alimentar.

3 de setembro de 2010

Quando a arrogância governativa virou a marca registada de um governo...

Canal de Opinião, por Noé Nhantumbo

QUANDO A ARROGÂNCIA GOVERNATIVA VIROU A MARCA REGISTADA DE UM GOVERNO...

Falhanço do Black Economic Empowerment?... É preciso olhar para além do óbvio...

Beira (Canalmoz) - As características dos regimes políticos instalados em Maputo e Pretória só diferem de dimensão e de língua oficial utilizada. Pode haver de facto outras diferenças quanto aos manuais de procedimentos mas na essência estamos vivendo sob o signo de dirigentes políticos nacionais mas com a suas economias completamente dominadas por outras pessoas ou corporações que vão ditando o que se faz ou deixa de fazer na esfera económica. Quem governa supunha que entregando de mão beijada tudo ao capital internacional teria todos os problemas resolvidos.

27 de agosto de 2010

Moçambique: Prioridade no caju é triplicar as plantas

Moçambique: Prioridade no caju é triplicar as plantas

Moçambique vai continuar a privilegiar os trabalhos de reposição da capacidade de produção da castanha de caju, através da distribuição de mudas e combate a doenças que afectam os cajueiros. O Director Nacional Adjunto do Instituto de Fomento do Caju, Raimundo Matule, disse que a curto prazo a prioridade do Governo é triplicar os actuais níveis de distribuição que variam entre 1,3 e 1,5 milhão de plantas.

Mais importante do que propriamente colocar as mudas junto do produtor, Raimundo Matule falou necessidade de garantir uma monitoria permanente para saber se as plantas estão a desenvolver-se dentro dos patrões técnicos recomendáveis.

O país não tem ainda produtos de pesquisa aplicada suficientemente abrangentes, razão por que está a distribuir apenas quatro clones de cajueiro, numa altura em que países como a Índia têm por volta de 50 variedades.

24 de agosto de 2010

Álcool e vuvuzelas proibidos na próxima visita do Papa


Visita do Papa ao Reino Unido

Álcool e vuvuzelas proibidos na próxima visita do Papa

"Piquenique de peregrino" será autorizado em Hyde Park, a 18 de Setembro.

Preocupada com a segurança de Bento XVI e dos eventos em que este irá participar durante a sua próxima visita ao Reino Unido, de 16 a 19 de Setembro, a Igreja Católica da Inglaterra e do País de Gales divulgou um guia a ser respeitado por todos os peregrinos. O documento identifica o que é - e não - permitido nas três grandes assembleias em que participa o Papa. Álcool, vuvuzelas, apitos e animais estão absolutamente proibidos; água e protector solar são, por outro lado, aconselháveis.

Moçambique: Voo directo irá ligar Maputo e Shanghai em 2011


Cooperação Moçambique-China

Voo directo irá ligar Maputo e Shanghai em 2011

Maputo (Canalmoz) – Os sector de Aviação Civil de moçambicano e chinês poderão introduzir um voo directo regular para as cidades de Maputo e Shanghai, na China, a partir de 2011, conforme disse o chefe de uma delegação de 16 empresários chineses que se encontra em Moçambique, desde a última quinta-feira, para pesquisar as áreas de negócio de seu interesse.
O chefe da delegação chinesa, Cao Hougru, disse a jornalistas, depois de uma conversa à porta fechada com o Primeiro-Ministro, Aires Ali, que a Direcção Nacional de Aviação Civil chinesa está informada sobre essa intenção com vista a dinamizar as trocas económicas entre os dois países nas áreas em que cooperam. O que falta é o Ministério dos Transportes e Comunicações de Moçambique contactar a contra-parte chinesa e manifestar o mesmo desejo sobre a introdução do voo.

6 de agosto de 2010

Estados Unidos: Mulher descobre 2° casamento do marido no Facebook

Estados Unidos: Mulher descobre 2° casamento do marido no Facebook

Uma mulher de Ohio, nos Estados Unidos, afirma ter descoberto pelo Facebook que seu marido tinha um segundo casamento. Segundo a história contada por Lynn France, depois de desconfiar que John France estava a ter um caso, ela encontrou fotos do marido em um casamento na Disney no perfil da outra mulher.

No programa 'Today' desta quinta-feira (5), no canal americano 'NBC', John France afirmou que Lynn sabia do novo casamento há dois anos, que tem documentos que provam que a união deles (celebrada em Itália, em 2005) nunca foi válida e que a mulher está a usar a história do Facebook para ganhar publicidade e conseguir a guarda dos dois filhos do casal.

22 de junho de 2010

Moçambique e Portugal mantêm diálogo de respeito


Moçambique e Portugal mantêm diálogo de respeito

O diálogo em curso entre Moçambique e Portugal não é entre colonizado e colonizador, porque as relações neste momento são baseadas no respeito mútuo, no princípio de que se trata de países soberanos, clarificou a Presidente da Assembleia da República (AR), Verónica Macamo.

Verónica Macamo, que encabeçou uma delegação parlamentar, falava num breve encontro que manteve com a comunidade moçambicana residente na capital portuguesa, Lisboa, na quarta-feira, no âmbito da visita oficial a Portugal, concluída na última quinta-feira.

Moçambique nada fez para aproveitar as oportunidades do “Mundial”


Falou-se muito e trabalhou-se pouco

Moçambique nada fez para aproveitar as oportunidades do “Mundial”

Maputo (Canalmoz) – O anúncio da realização do Campeonato Mundial de Futebol 2010 na África do Sul encheu Moçambique de expectativas. O evento foi visto como uma oportunidade de negócios. Moçambique foi um dos que entrou na rota dos países sonhadores e que acreditava que o “Mundial” da África Sul podia trazer grandes benefícios para muitas das suas actividades económicas, sobretudo para o turismo.
De estratégias em estratégias, achou-se melhor institucionalizar as oportunidades, criando o Gabinete Técnico para o “Mundial 2010”.
Mas, segundo tudo indica, as expectativas do Governo não tomaram em conta a realidade moçambicana e como consequência todo um sonho “mundial” se transformou numa autêntica frustração.

21 de junho de 2010

Moçambique: Gorongosa, um antigo problema ecológico


Gorongosa – um antigo problema ecológico

Maputo (Canalmoz) - O sinal de alerta lançado sexta-feira última pela ministra da Coordenação da Acção Ambiental, Alcinda Abreu, para o perigo de aluimento de terras na Serra da Gorongosa, mercê de práticas agrícolas erradas, serviu para ilustrar um dos aspectos da grave situação que se faz sentir nesse ponto do país. Tais práticas, a par das queimadas descontroladas, do derrube de árvores, do garimpo e da dizimação de espécies animais, espelham uma realidade amarga que se tem vindo a agravar desde a independência em 1975. Efectivamente, trata-se de um problema já antigo que conheceu novos contornos com o advento da independência nacional.

“A Frelimo sujou conquistas da Independência com políticas devastadoras”


“A Frelimo sujou as conquistas da Independência com as suas políticas devastadoras”

– afirma o presidente do partido Renamo, Afonso Dhlakama, a propósito da celebração dos 35 anos da Independência Nacional

“Toda a gente abraçou a Independência por ter lutado por ela, e, com a saída dos colonos, os nacionalistas já se podiam afirmar, mas, surpreendentemente, o Governo da Frelimo veio a piorar a situação e em muito pouco tempo matou muitas pessoas, mais do que durante os quinhentos anos da colonização portuguesa. A Frelimo negou a democracia. Matou quem se arriscasse a pensar de maneira contrária à sua ideologia marxista-comunista. Quem pensasse de forma diferente era morto. Muitos moçambicanos foram fuzilados por serem acusados de anti-independência” – Afonso Dhlakama

18 de junho de 2010

Jornalismo vergonhoso (Canal de Opinião: por Borges Nhamirre)


Canal de Opinião: por Borges Nhamirre

Jornalismo vergonhoso

Maputo (Canalmoz) – Evito, sempre que possível, criticar publicamente os erros dos colegas, porquanto entendo que somos uma classe e “roupa suja não se lava fora”. Mas, quando um comportamento desonesto e deliberado de um colega se confunde com o “modus operandi” de toda a classe e atira areia aos olhos do povo, é preciso repudiá-lo publicamente.
Escrevo a propósito da peça apresentada no telejornal da TVM, do dia 10 de Junho de 2010. Escuso-me a citar o nome do seu autor, pois não é meu objectivo atacá-lo pessoalmente, mas sim criticar o seu trabalho. E, neste, partilha as responsabilidades com a direcção editorial da TVM.
No mesmo dia em que o director do Gabinete de Controlo de Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA, Adam Szubin, concedeu uma vídeo-conferência na Embaixada norte-americana em Maputo, para explicar os contornos do “caso MBS”, o jornalista da TVM exibiu uma peça produzida na sala de estar do empresário Momade Bachir Sulemane – ressalvo que não tenho nada contra nem a favor dele. Na peça, Bachir aparece a chorar perante as câmaras da TVM, com os membros da sua família reunidos. Até se confundia com uma telenovela ou comédia televisiva!

Corrupção ataca Urgências do Hospital Central de Maputo


Corrupção ataca os Serviços de Urgências do Hospital Central de Maputo

Maputo (Canalmoz) – A chamada pequena corrupção está instalada nos Serviços de Urgências do Hospital Central de Maputo, que funcionam na entrada da Avenida “Eduardo Mondlane” daquela unidade sanitária. Um doente que procura socorro naquele sector do HCM pode levar mais de seis horas na sala de espera, sem receber o atendimento médico, depois de ter passado pela recepção e pagar 150 meticais de entrada. Para ser atendido rapidamente – que nem chega a ser tão rápido – é preciso pagar um valor extra aos serventes que recebem as fichas do doente e as encaminham para as salas médicas.
Depois de receber queixas dos utentes daquele hospital, a nossa reportagem esteve presente nos Serviços de Urgência do HCM para observar como tudo se passa.

Apelo ao Santo António


Apelo ao Santo António

Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro

Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

África do Sul: Vai uma boleia?


Vai uma boleia?

Um babuíno tenta entrar para o carro de um turista perto do Parque Nacional da Península do Cabo, na África do Sul.

Foto@EPA/Helmut Fohringer

17 de junho de 2010

Quando se zangam as comadres, descobrem-se as verdades...


Quando se zangam as comadres, descobrem-se as verdades...

Canal de Opinião: Por Noé Nhantumbo

…Ou quando o Quarto Poder se exclui e colabora com os lesa-pátria...

Beira (Canalmoz) – Se havia alguma dúvida sobre o que movia a maioria dos jornalistas moçambicanos, um facto aparentemente não ligado a eles e nem por eles iniciado ou investigado teve a virtude de mostrar para todos o tipo de jornalistas que temos.
Ao mesmo tempo veio validar a tese de que temos uma maioria de intelectuais de trazer no bolso, pois para pouco mais servem.
As diferentes abordagens que abundam na imprensa moçambicana, e elaboradas por jornalistas moçambicanos, sobre o alegado treinamento de terroristas em solo moçambicano só podem espantar aos observadores menos atentos.
Quase todos se pronunciam no sentido e em defesa da soberania nacional, sem olhar para o outro lado da mesma questão. Há já muito tempo que se ouvem e se observam sinais inegáveis de todo um procedimento que coloca a defesa da soberania em risco prático e concreto.

Portugal: Manel dos Cromos


Manel dos Cromos

Manuel Santos, conhecido como "Manel dos Cromos", vende e troca cromos em Lisboa desde 1974. Na Estação do Rossio, em Lisboa, vende por estes dias cromos do Mundial 2010 da África do Sul.

Foto@Lusa/Miguel A. Lopes

16 de junho de 2010

Portugal: Estamos a criar 'alunos que não sabem ler, nem escrever'


Estamos a criar 'alunos que não sabem ler, nem escrever'

Maria do Carmo Vieira quer dar uma 'reguada' ao sistema de ensino português: através da Fundação Manuel dos Santos (presidida pelo sociólogo António Barreto), lançou esta semana o ensaio 'O ensino do Português'.

Sem pudor, a professora de Língua Portuguesa - já com 34 anos de experiência - dirige duras críticas ao baixo nível de exigência do actual sistema de ensino, aos professores, aos sucessivos Governos, às escolas. No dia em que arranca a primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário, o SAPO foi ouvi-la.

15 de junho de 2010

Mia Couto, apresentou em Lisboa, o seu novo livro "Pensageiro Frequente"


Mia Couto um "Pensageiro Frequente" da LAM

Em pré-lançamento ainda, já que o livro só vai estar à venda daqui por um mês, Mia Couto apresentou esta tarde, em Lisboa, na livraria Buchholz, o seu mais recente livro “ Pensageiro Frequente”. Um conjunto de crónicas que escreveu para a revista Índico, das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

O autor diz que a bordo de um avião torna-se um pensageiro, ou seja um passageiro que apesar de frequente continua a sentir o mesmo medo a cada viagem. Para entreter o medo põe-se a escrever. Estas crónicas surgem na sequência de alguns desses voos e foram feitas a pensar no passageiro que entre fusos horários procura uma distracção.

São 26 artigos sobre as gentes e terras de Moçambique, textos que viveram numa revista de bordo para “ fazer com que o meu país voasse pelos dedos do viajante, numa visita às múltiplas identidades que coexistem numa única nação. Esse era o serviço daquela escrita.” Agora estão disponíveis num único livro.

Sapo MZ,
15 de Junho de 2010

Novo B.I. tem emblema da República Popular de Moçambique


Novo B.I. tem emblema da República Popular de Moçambique

Todos os bilhetes a que tivemos acesso, último dos quais emitido a 5 de Abril do ano em curso, contêm o mesmo erro. É um erro que, segundo uma fonte da Direcção de Identificação Civil (DIC), já foi detectado e reconhecido pelas autoridades governamentais.

O novo Bilhete de Identidade contém, na parte holográfica, no fundo, emblema do período socialista, com a escrita “República Popular de Moçambique”, ao invés de “República de Moçambique”, o que viola o artigo 1, do capítulo 1, que designa o nosso país “República de Moçambique” e define-o como um Estado independente, soberano, democrático e de justiça social. São, ao todo, cinco emblemas com a escrita “República Popular de Moçambique”: dois grandes e três pequenos.

Polónia: Depois da inundação


Depois da inundação

Um urso de peluche ficou perdido no meio da lama em Wilkow, na Polónia, depois de a vila polaca ter ficado inundada. Milhares de pessoas ficaram desalojadas devido às fortes inundações que têm afectado a Polónia.

Foto@EPA/Wojciech Pacewicz

Verónica Macamo em Portugal em busca de apoio para o parlamento


Verónica Macamo em Portugal em busca de apoio para o parlamento

A presidente da AR é acompanhada pelos chefes das bancadas da Renamo, Maria Angelina Enoque, e do MDM, Lutero Simango, e pelo vice-chefe da bancada da Frelimo, Tobias Dai

Maputo (Canalmoz) – A presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, está de visita a Portugal em busca de cooperação institucional entre os órgãos legislativos dos dois países. Como resultado da visita da presidente da AR a Portugal, a Assembleia da República garante que em breve os dois parlamentos irão “incrementar novas áreas de cooperação, com vista a melhorar o trabalho dos deputados em matérias legislativas e de fiscalização”.

12 de junho de 2010

Portugal: Escolas proíbem roupas curtas e decotadas


Escolas proíbem roupas curtas e decotadas

Rapazes com mais de 13 anos proibidos de usar calções ou raparigas impedidas de envergar minissaias exageradas são regras que se encontram com alguma frequência nos regulamentos internos de escolas públicas e privadas em Portugal.

Numa pesquisa rápida e aleatória na Net, a Lusa descobriu que, por exemplo, o regulamento interno da Escola Dr. Horácio Bento de Gouveia, no Funchal, Madeira, reza que os alunos devem evitar calções de praia, «minissaias exageradas», tops e camisolas de alças, vestuário roto, camisolas demasiado curtas e vestuário de cintura muito descida.