31 de janeiro de 2009

Moçambique sai do chão E vai no porão... (Gorwane, Xtaca Zero e Gprofam)

A letra pertence ao escritor Mia Couto, a musica foi feita pelos Gorwane, Xtaca Zero e Gprofam, sendo o video da autoria de Pipaz Forjaz.(with English below) Moçambique sai do chão E vai no porão ... Moçambique sai do chão E vai no porão Caiu a sombra, tombou no chão Fica um buraco no pé da nação Lá vai a tábua de um caixão O morto é a floresta de uma nação Toda a riqueza para exportação Não fica nada para nós, não, não Não fica nada para nós, não, não Já está mais que na hora, põe a mão na cabeça E vê agora como a terra chora A moto-serra, serra, serra Rouba o verde, numa outra guerra Lá vai a umbila Lá foi o cimbirre Caiu a chanfuta Caiu pau-preto E voa a mssassa Voou a mbaúa Quem canta agora É a moto-serra Quem canta agora é a moto-serra Parando a árvore, despindo a terra Roubando o verde, numa outra guerra Quen toca agora é a moto-serra A música que agora toca no mato Não é xigubo, makwaiela, nem campo adubado Não é enxada, não, não, não Não é nem fumo de xitimela, my brother Oh Papá, oh Titio Corta aqui, mas depois planta ali, Oh! Oh Papá, oh Vôvô Corta aqui, mas depois planta ali, Oh! A música, agora, não é a canção É o simples ronco do camião Lá vai o tronco, lá vai a madeira Lá vai a riqueza sem algibeira _________ Mozambique is being uprooted And stored in the hold of a ship A shadow has fallen on the ground A hole is opened at the nation's feet There go the planks of a coffin The dead is the nation's forest All the wealth is being exported Nothing is left for us, no, no Nothing is left for us, no, no Now it is time, put your hands on your head And see how the land cries The chainsaw cuts, cuts ,cuts Stealing the green in yet another war There goes the umbila There went the cimbirre The chanfuta has fallen The ebony has fallen The mssassa is flying The mbaúa has flown Who sings now Is the chainsaw Who sings now is the chainsaw Raping the trees, undressing the land Stealing the green, in yet another war Who sings now is the chainsaw The song played in the bush now Is not xigubo, makwaiela, or fertilized land It is not a hoe, no, no It is not the smoke of a train my brother Oh father, oh Uncle Cut here, but then plant there, Oh! Oh father, oh grandma Cut here, but then plant there, Oh! The music now is not a song It is the simple roar of a truck There go the logs, there goes the timber There goes the wealth without a pocket.

Pudim de Peixe (Moçambique)

Pudim de Peixe Ingredientes: 5 tomates escaldados pelados 3 cebolas picadas 2 dentes de alho esmagados sal ao gosto 1/2 limão 1/2 Peixe serra cozido, desfiado, e sem espinhas (quantidade: metade da quantidade do peixe em pão) 1 pão de forma sem côdea (aos pedaços) Salsa Preparação: Tempera-se o peixe já cozido e desfiado, com alho esmagado, sal e limão. Faz-se um refogado com azeite, 1 dente de alho, cebola e tomate. Quando o refogado estiver bem apurado mete-se o peixe desfiado lá dentro dentro, mexendo sempre sem parar. Mergulha-se os pedaços de miolo de pão, na água que cozeu o peixe, e espremesse até ficar seco. Depois do peixe estar envolvido no refogado, mete-se o miolo do pão aos pedaços, e continua-se a mexer até ficar uma papa, não muito mole. Deixa-se cozer a apurar durante uns 20 minutos. Acrescentado a água do peixe se necessário para não secar. Adiciona-se salsa a gosto. Em seguida unta-se um pirex alto com manteiga, e põe-se o pudim dentro do pirex. Polvilha-se com pão ralado por cima, e mete-se no forno a 180 graus, até a parte de cima corar e ficar um pouco rija. Acompanhe com batatas fritas ou legumes.

Peixe à Lumbo (Moçambique)

Peixe à Lumbo Ingredientes: 2 pimentos verdes 2 pimentos vermelhos 1 kg de peixe (pargo ou goraz etc.) 5 dl de leite de coco 1 ramo de coentros 3 cebolas 5 tomates piripiri q.b. 500 grs de miolo de camarão sal q.b. Preparação: Depois do peixe arranjado, corta-se às postas e salpica-se com um pouco de sal. Picam-se todos os legumes bem picadinhos, rega-se com o azeite e tempera-se com sal. Reserve. Num tacho coloca-se metade desta mistura. Por cima põem-se as postas de peixe e o miolo de camarão. Cobre-se com a restante mistura. Adiciona-se o leite de coco. Tapa-se o tacho e leva-se ao lume muito brando para cozer, o que leva +- 30 minutos. Convém verificar. Depois de pronto serve-se acompanhado de arroz.

Papas de Mandioca (Moçambique)

Papas de Mandioca Ingredientes: 3 tomates maduros 1 colher de sopa de manteiga 2 cebolas 1 raminho de salsa 1 dl de óleo 2 dentes de alho 150 grs de farinha de mandioca +- 4 dl de caldo de peixe sal q.b. Preparação: Leva-se um tacho ao lume com o óleo, as cebolas e os dentes de alho picados a alourar. Juntam-se os tomates sem peles nem sementes e a salsa picada. Deixa-se cozer o tomate até se desfazer. Adiciona-se um pouco de caldo de peixe e a mandioca também, desfeita num pouco de caldo. Mexe-se muito bem com uma colher de pau para não fazer grumos e deixa-se cozer cerca de 10 minutos em lume brando. Depois de cozido retira-se do lume e junta-se a manteiga. Misture. Deve ficar consistente. É um bom acompanhamento para peixes etc.

Mimini (Moçambique)

Mimini Ingredientes: leite de coco q.b. 1 cebola 3 tomates 0,5 dl de azeite ou óleo sal q.b. piripiri q.b. 600 grs de mandioca 700 grs de garoupa cortada às postas Preparação: Tempera-se o peixe com sal depois de arranjado e cortado às postas. Fica a tomar gosto cerca de 30 minutos. Frita-se o peixe. Reserve. Leva-se um tacho com a cebola picada, o óleo e o tomate sem peles nem sementes a refogar. Descasca-se a mandioca e corta-se aos palitos, que se põe no refogado depois de lavada. Tempera-se com sal e piripiri. Adiciona-se o leite de coco suficiente para cobrir. Deixe levantar fervura, juntam-se as postas de peixe frito e ferve-se até a mandioca estar cozida.

Matapa de Abóbora (Moçambique)

Matapa de Abóbora Ingredientes: 200 grs de amendoim descascado e pisado 1 cebola picada 700 grs de camarões cozidos e descascados 700 grs de folhas de abóbora 2 dl de leite de coco 2 tomates maduros piripiri q.b. sal q.b. Preparação: Em primeiro lugar cortam-se as folhas de abóbora como se fosse para caldo verde, mas mais grossas. Cozem-se em água temperada com sal e depois de cozidas deixa-se a escorrer num passador. Leva-se um tacho ao lume com o óleo e a cebola picada a alourar. Junta-se o tomate sem peles nem sementes e deixa-se cozer até desfazer-se. Adicionam-se a este refogado as folhas de abóbora escorridas. Juntam-se o leite de coco, os camarões cozidos e descascados e o amendoim pisado e desfeito em um pouco de água. Tempere com sal e gindungo. Leve novamente ao lume para apurar. Sirva acompanhado com Chima de Arroz (ver receita) ou arroz branco. Nota: Caso não encontre folhas de abóbora pode confeccionar este prato com espinafres ou couve, embora eu goste mais com folhas de abóbora.

Mandioca com Miudezas (Moçambique)

Mandioca com Miudezas Ingredientes: 1 kg de mandioca limpa das cascas e raízes 6 tomates pelados e sem sementes 2 cebolas 1 colher de sopa de rajá, (pó de caril) 500g. de miudezas de galinha 2 dentes de alhos 6 colheres de sopa de azeite 200 g. de grão de bico cozido Preparação: Num tacho ferve-se agua com um pouco de sal, a mandioca e o grão de bico até ficar tudo cozido, deita-se a agua da cozedura fora, deixando a mandioca e os grãos em repouso. Refoga-se o tomate, a cebola, o alho, no azeite durante 2 minutos. Em seguida junta-se o rajá e as miudezas. Apurada a cozedura das miudezas junta-se por fim a mandioca e os grão de bico. serve-se numa travessa, enfeitando com azeitonas pretas sem caroços. Sirva como acompanhamento uma salada de pepinos e cenouras.

Galinha com Manga (Moçambique)

Galinha com Manga Ingredientes: 1 galinha 1 cebola 3,5 dl de leite completo 3 dentes de alho 250 grs de polpa de manga cortada aos bocados piripiri q.b. sal q.b. 1 dl de azeite Preparação: Num tacho leva-se ao lume a refogar o azeite, a galinha cortada aos bocados, a cebola e os dentes de alho picados. Quando a galinha perder a cor de crua, adiciona-se o leite e os bocados de manga. Tempera-se com piripiri e sal. Tapa-se o tacho e deixa-se cozer. Sirva acompanhada com arroz.

Frango Cafrial à Zambeziana (Moçambique)

Frango Cafrial à Zambeziana Ingredientes: 1 frango médio 1 coco ralado 8 dentes de alho 1 folha de louro sal q.b. Preparação: Limpe bem o frango e deixe escorrer num passador. Rale o coco para dentro de uma bacia plástica e, depois de ralado deite meia chávena de chá de água quente e meia de água fria, mexa muito bem com as mão até ficar um leite mais ao menos cremoso, deixe arrefecer, enquanto pila-se o alho e o sal. Para temperar o frango, ponha-o num tabuleiro e tempere com o preparado e a folha de louro. Uns minutos depois deite meia quantidade do leite do coco e fica a marinar por meia hora. À parte, numa tijelinha junte o resto do leite de coco e um pouco de azeite. Este frango é assado na brasa e de vez em quando, com uma pena de galinha vá borrifando o preparado de leite e azeite sobre o frango até estar pronto para servir. Nota: O preparado de leite de coco e azeite é para que na altura de assar o frango na brasa a pele fique mais estaladiça.

Frango com Amendoim (Moçambique)

Frango com Amendoim Ingredientes: 1 frango 2 dentes de alho sal q.b. piripiri 1 dl de óleo 1 cebola grande 500 grs de amendoim sem sal +- 1 litro de água quente Preparação: Pisa-se muito bem o amendoim no almofariz até ficar em pasta. Junta-se a água a ferver, mexe-se bem e passa-se por um passador de rede fina. Leva-se ao lume num tacho o óleo, a cebola e o alho picados. Deixa-se alourar. Põe-se o frango cortado aos bocados e deixa-se tomar gosto por 2 minutos. Adiciona-se a água do amendoim. Tempera-se com piripiri, sal e pimenta. Tapa-se o tacho e deixa-se cozinhar durante +- 30 minutos. Sirva acompanhado de arroz branco solto.

Cuscuz de Moçambique (Moçambique)

Cuscuz de Moçambique Ingredientes: 1 chávena de açúcar 1 chávena de leite 2 chávenas de farinha de trigo 2 chávenas de farinha de milho 1 colher de sopa de manteiga 1 colher de sopa de canela 1 colher de sopa de fermento 2 ovos Preparação: Batem-se os ovos com o açúcar e depois junta-se a manteiga. Bate-se até ficar cremoso. Depois juntam-se as farinhas (de trigo e de milho), o fermento, a canela e o leite. Depois de tudo preparado, verte-se a mistura numa forma untada com muita manteiga e leva-se ao forno a cozer.

Chima de Arroz (Moçambique)

Chima de Arroz Ingredientes: 4 dl de leite de coco 500 grs de farinha de arroz sal q.b. Preparação: Leve o leite de coco num tacho a ferver. Assim que levantar fervura junta-se a farinha de arroz em chuva, mexendo sempre com a colher de pau para não ganhar grumos. Deixe cozer e tempera-se com sal. Esta chima deve ficar consistente. Depois de pronta põe-se numa travessa passada por água fria. É um bom acomapnhamento para carnes, peixes etc.

Camarões à Moda da Nacional (Moçambique)

Camarões à Moda da Nacional Ingredientes: 2 Kg. de camarão de tamanho médio 6 dentes de alho grandes Sal (q.b.) Piri-piri (q.b.) 1 pacote de margarina de 250Gr. Preparação: Lavem-se os camarões, escorram-se. Com uma tesoura ou faca muito bem afiada, cortam-se os mesmos ao meio, no sentido longitudinal e pelo dorso porém sem separar totalmente as duas metades uma da outra, e retirem-se-lhes as tripas. Reserve. Num almofariz, junte os alhos, o sal e o piri-piri. Esmague tudo isto muito bem e junte a margarina, criando uma pasta homogénea. Com esta pasta barre a carne dos camarões abertos ao meio. Disponha os camarões numa terrina de barro e leve ao forno bem quente. Retire ao fim de cerca d 15 minutos, quando a cor avermelhada das cascas dos camarões indicar estarem os mesmos já assados. Sirva com batatas fritas cortadas em rodelas semi-grossas.

Camarões com Leite de Coco (Moçambique)

Camarões com Leite de Coco Ingredientes: 5 a 6 dl de leite de coco 1 cebola 1 kg de camarões 2 tomates 1 colher de café de açafrão sal q.b. malagueta q.b. 1 dl de azeite Preparação: Descascam-se os camarões em cru. Reserve. Num tacho leva-se ao lume o azeite, a cebola picadinha. Logo que a cebola esteja loura, junta-se o tomate sem peles nem sementes e picado e deixa-se cozer até se desfazerem. Junta-se o miolo do camarão e deixa-se tomar gosto, mexendo por 2 minutos. Adiciona-se o leite de coco misturado com o açafrão, a malagueta e o sal. Deixa-se fervilhar em lume brando durante 15 minutos. Sirva em travessa acompanhado com arroz branco.

Bolo Catembe (Moçambique)

Bolo Catembe Ingredientes: Para o bolo: 250 grs de manteiga 220 grs de farinha de trigo 1 dl de leite completo 2 ovos 170 grs de açúcar 2 colheres de chá de fermento em pó Para barrar a forma: 100 grs de açúcar +- 1 dl de manteiga derretida 50 grs de pão torrado e moído 60 grs de castanha-de-caju moídos Preparação: Primeiro a forma:
Com os ingredientes para barrar faz-se uma papa e barra-se uma forma redonda. Põe-se a forma no frigorífico e prepare o bolo. O bolo: Bate-se a manteiga com o açúcar até ficar cremosa. Juntam-se os ovos um a um batendo sempre. Adiciona-se o leite alternando com a farinha misturada com o fermento, mexendo para ligar. Deita-se a massa às colheradas na forma, que entretanto retirou do frigorífico, tendo o cuidado de não tocar no preparado que a reveste. Leva-se ao forno médio a cozer durante +- 1 hora. Convém verificar.

Bifes com Molho de Amendoim (Moçambique)

Bifes com Molho de Amendoim Ingredientes: 2 dentes de alho 500 grs de bifes de vitela não muito altos 60 grs de amendoim 3 tomates maduros 2 cebolas 1 dl de azeite sal q.b. pimenta q.b. 1 dl de água Preparação: Temperam-se os bifes com sal e pimenta. Leve um tacho ao lume com o azeite, as cebolas cortadas às rodelas finas, os dentes de alho pisados, os tomates sem peles nem sementes picado e por cima ponha os bifes. Tapa-se o tacho e deixa-se cozer. Quando a carne estiver tenra adiciona-se o amendoim pisado e misturado com 1 dl de água. Deixa-se ferver para apurar. Sirva acompanhado com batatas doces cozidas.

Bananas com Leite Condensado (Moçambique)

Bananas com Leite Condensado Ingredientes: 1 lata de leite condensado casca ralada de 1 limão 6 bananas maduras 2 colheres de sopa de manteiga 3 colheres de sopa de coco ralado 1 colher de chá de canela em pó 2 gemas Preparação: Descascam-se as bananas e cortam-se ao meio no sentido do comprimento. Colocam-se num pirex que possa ir à mesa e ao forno. Polvilha-se com a casca ralada do limão, a canela e nozinhas de manteiga. Misture muito bem o leite condensado com as gemas e verta por cima das bananas. Polvilhe com coco ralado e leve ao forno a gratinar. Deve ficar dourado. Sirva morno ou frio.

M'boa ou Matsavo (Moçambique)

M'boa (ronga) ou Matsavo (changane) (folha de abóbora) Ingredientes: 5 molhinhos de folha de abóbora 500 gr de camarão seco ou fresco (no seco tem de se tirar as cabeças) 2 tomates médios 1 cebola média 3 chávenas de farinha de amendoim 3 chávenas de água 5 malaguetas ou piripiri e sal q.b. Preparação: Tiram-se os fios das folhas, como se fosse feijão verde. Lava-se folha por folha em água corrente. Corta-se aos bocadinhos não muito finos, para um tacho, a que se junta a cebola, tomate, camarão, malagueta, sal, farinha de amendoim e água. Deixa-se cozer em lume brando durante 20 a 25 minutos. Caso esteja muito espesso, adiciona-se água de amendoim, se estiver muito líquido junta-se farinha. Não leva muito tempo a cozer, mas deve-se ter cuidado para não deixar pegar ao fundo. Serve-se com arroz branco ou farinha de milho.

Matapa (Moçambique)

Matapa (folha de mandioca ou couve com amendoim) Ingredientes: 750 gr de amendoim 1 coco 1 kg de camarão fresco ou seco 1 kg de folhas de mandioca ou couve 2 litros de água sal q.b. Preparação: Pila-se o amendoim até ficar em pó e dissolve-se em cerca de meio litro de água. Rala-se a polpa de coco e espreme-se num passador, juntando a pouco e pouco o restante líquido, de modo a extrair todo o leite de coco. Junta-se a este leite de coco a água com o amendoim. Migam-se as folhas de mandioca ou couve com uma grossura de cerca de 2 cm. Cozinham-se as folhas (sem água) durante meia hora. Se forem folhas de couve acrescenta-se uma pequena porção de água para que fiquem tenras. Num tacho, leva-se ao lume a mistura de leite de coco com água de amendoim, e quando começa a ferver juntam-se-lhe as folhas da verdura e tempera-se de sal. Por fim, juntam-se os camarões já preparados e cozinhados e deixa-se apurar uma hora e meia em lume brando. Serve-se com arroz branco ou farinha de milho.

Galinhas à Moçambicana (Moçambique)

Galinhas à Moçambicana Ingredientes: 2 frangos novos (1 kg cada) 1 coco 4 dentes de alho 1 colher de chá de colorau 2 a 3 folhas de louro 1/4 de chávena de óleo de amendoim 1 limão 100 gr de manteiga sal e piripiri em pó q.b. Preparação: Rala-se o coco e junta-se 1 litro de água a ferver e coa-se para um recipiente. Os restantes condimentos são pisados num pilão e depois juntam-se ao leite de coco, que já deve estar frio. Os frangos ficam neste molho cerca de 12 horas no frigorifico, virando-se de vez em quando. Os frangs são assados em lume brando de carvão vegetal, bezuntando-se com parte deste molho. Ao resto do molho que ficou, junta-se o sumo do limão e a manteiga; leva-se ao lume a ferver e deita-se por cima dos frangos que também devem estar muito quentes. Pode servir-se com batatas fritas e salada.

Bolo de Mandioca (Moçambique)

Bolo de Mandioca Ingredientes: 1/2 Kg de açúcar 1 copo de água (200 ml) 120g de margarina ou manteiga 8 gemas 1/2 kg de mandioca ralada 200ml de leite de coco Preparação: Faça uma calda com o açúcar e a água. Deixe ferver até o ponto de calda. Desligue o lume e adicione a margarina. À parte, misture a mandioca ralada com as gemas e o leite de coco. Adicione a mistura à calda de açúcar. Untar uma forma com margarina polvilhada com açúcar e despejar a mistura. Deixar em forno quente durante 50 minutos.

Doce de Manga (Moçambique)

Doce de Manga Ingredientes: Mangas Açúcar Preparação: Lavar as mangas, descascar e cortar aos bocados. Passar por uma peneira. Fica um polme bastante fino e sem fios. Medir igual quantidade de açúcar. Leva-se ao lume e deixa-se ferver até tomar ponto. Mexer com colher de pau, de vez em quando para não pegar. Leva algum tempo a fazer.

Caril de Amendoim de Galinha (Moçambique)


Caril de Amendoim de Galinha Ingredientes: 1 galinha média 4 chávenas de amendoim sem película 6 tomates médios maduros 2 cebolas médias piripiri, sal e água (q.b.) Preparação: Deita-se o amendoim num centrifugador juntamente com uma chávena de água fria, e logo que esteja em forma de massa, tira-se e deita-se numa taça com 2 litros de água; mexe-se e depois coa-se. Se se verificar que a mistura está muito grossa, acrescenta-se mais água até ficar com uma consistência de leite. Num tacho, coloca-se a galinha cortada em pedaços, não muito pequenos, juntamente com o tomate e a cebola cortados; tempera-se com o sal, dá-se uma pequena fervura para cozer o tomate e a cebola; em seguida, deita-se o leite de amendoim e deixa-se ferver, mexendo sempre. Coze aproximadamente 1 hora; se se achar que o molho está muito espesso, pode acrescentar-se água e deixar apurar em lume brando. A seguir põe-se o piripiri que é para não cozer e picar muito. Caso se goste de muito picante, o piripiri deverá ser adicionado junto com a cebola e tomate. Nota: pode substituir-se o amendoim por manteiga de amendoim.

Frango à Cafreal (Moçambique)

Frango à Cafreal Ingredientes: Frangos azeite piripiri manteiga sal e pimenta Preparação: Abrem-se os frangos pelas costas e espalmam-se (ficando o peito inteiro) e batem-se as articulações com um maço. Untam-se com um pouco de azeite, temperando com sal e pimenta e assim se deixam umas horas até se grelharem. Num pilão esmaga-se uma boa porção de piripiri com um pedaço de manteiga e com esta massa se vão untando os frangos enquanto grelham no carvão.

Caril de Caranguejo (Moçambique)


Caril de Caranguejo Ingredientes: 2 Kg de caranguejo; 4 tomates médios pelados; 2 cebolas médias picadas; 4 dentes de alho picados; 2 folhas de louro; 6 cravinhos da Índia ; 1 porção de gengibre; 3 colheres de sopa cheias de óleo de amendoim; 1 coco ralado misturado com uma colher cheia de tamarindo esmigalhado e junta-se a um litro e meio de água a ferver e coa-se num pano para uma tigela; 2 colheres de sopa bem cheias de pó de caril; 1 colher de chá cheia de tamarindo; sal (q.b.). Preparação: Lava-se, limpa-se e parte-se o caranguejo. Numa panela juntam-se o tomate, a cebola, alho, louro, cravinho, gengibre e óleo. Põe-se tudo a refogar muito bem, juntamente com pequenas porções de água a ferver. Depois de cozido, junta-se a têmpera e um pouco de leite de coco. Deixa-se cozer muito bem a têmpera, acrescentando-se leite de coco sempre que necessário. Depois deita-se o caranguejo, e deixa-se ferver em lume brando, acrescentando-se o resto do leite de coco até ficar um molho grosso e bem apurado.
Serve-se com arroz branco solto ou com arroz cozido em água do leite de coco.

Caranguejos à Sofala (Moçambique)



Caranguejos à Sofala Ingredientes: 200 grs de miolo de pão 3 ovos 1 cebola grande 4 dl de leite 1 dl de azeite 4 caranguejos grandes 1 folha de louro sal q.b. piripiri q.b. pão ralado q.b. Confecção: Cozem-se os caranguejos, depois de bem lavados e esfregados com uma escova, em água temperada com sal cerca de 20 minutos. Depois de cozidos retiram-se do lume e abrem-se aproveitando o recheio sem partir a casca. A carne desfia-se e reserve. Leva-se um tachinho ao lume com o azeite, a cebola picada e a folha de louro a refogar. Assim que a cebola alourar junta-se a carne de caranguejo e o miolo de pão embebido no leite quente. Tempera-se com sal, piripiri e juntam-se os ovos battidos. Leve novamente ao lume para apurar. Enchem-se as cascas de caranguejo com este recheio. Polvilha-se com pão ralado e leva-se ao forno quente para gratinar.

Portugal vai orientar cursos de mestrado e doutoramento nas universidades moçambicanas

Portugal ministra cursos de agro-processamento Agricultura e agro-processamento constituem dois principais cursos que a cooperação, entre o Ministério da Educação e Cultura moçambicano e a sua contra-parte portuguesa, semana passada reforçada e em que as duas instituições irão apostar nos próximos tempos. Segundo Aires Ali, Ministro da Educação e Cultura, que falava no seu regresso de Lisboa, o país pretende colher dos portugueses a larga experiência demonstrada no campo da agricultura e agro-processamento de produtos, como forma de possibilitar uma rápida capacitação dos estudantes para as diferentes frentes de produção e garantia de alimentos para o combate à pobreza. Segundo o governante, especialistas daquele país, em número não especificado, vão se deslocar a Moçambique para formar professores moçambicanos em diversas áreas.
Sublinhou que continuam por definir os cursos a serem ministrados na formação, mas em princípio serão de média e longa duração. O mesmo acordo é válido para algumas áreas a nível do Ensino Superior. “Temos enviado quadros para cursos de pós-graduação e vamos continuar a mandar, mas, por outro lado, vamos introduzir uma nova abordagem. Os portugueses deverão vir formar os nossos docentes aqui no país, orientando cursos de mestrado e doutoramento nas nossas universidades”, explicou. Durante a sua estada em Portugal, Aires Ali visitou várias instituições do Ensino Técnico-Profissional, tendo ficado impressionado com uma escola que está a desenvolver uma iniciativa na componente de agro-processamento. Trata-se de um projecto que visa formar jovens para desenvolverem competências e habilidades nesta área. Aires Ali disse por outro lado que Portugal compromete-se a apoiar o seu sector na conservação do material audiovisual, que muitas vezes se estraga por falta de um padrão adequado de conservação. Trata-se de um manancial antigo de Rádio e TV que mais tarde servirá para as novas gerações. Outro projecto de grande revelo apontado pelo titular do MEC é o da rede nacional de bibliotecas escolares, principalmente nos institutos de formação de professores. Depois avançar-se-á para as escolas técnicas e secundárias, tudo com vista a possibilitar que os alunos tenham material de consultas à altura de fazerem os seus ciclos. A implantação da rede nacional de bibliotecas pelo país visa, de acordo com a fonte, melhorar a qualidade de ensino, bem como incentivar o hábito de leitura, baseando-se na experiência de Portugal. Maputo, Sábado, 31 de Janeiro de 2009:: Notícias

30 de janeiro de 2009

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 15)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 14)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 13)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 12)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 11)

Garapa ou Quissângua de Abacaxi (bebida angolana)

Garapa ou Quissângua de Abacaxi Bebidas Ingrediente Principal: Abacaxi Ingredientes 1 abacaxi 250 g de açúcar Preparação Descasque o abacaxi. Corte o abacaxi às tiras (ao alto) e passe-as na máquina de sumos. Aproveite o sumo para beber. É a polpa do abacaxi que ficou na máquina que se aproveita para fazer a garapa. Ponha numa panela 5 litros de água a ferver. Deite a polpa do abacaxi e junte o açúcar. Mexa com uma colher de pau e tape a panela. Reserve e vá mexendo 2 vezes por dia. Ao fim de 2 ou 3 dias começam a formar-se umas bolhas e nessa altura já estará boa para beber. Coe então a garapa para uma garrafa e não a tape. Ponha no frigorífico e beba bem fresco.

Quissângua de Fuba (bebida angolana)

Quissângua de Fuba Bebidas Ingrediente Principal: Água Ingredientes 200 g de fuba 3/4 litros de água 250 g de açúcar Fermento Preparação Ponha 5 litros de água a ferver. Misture a fuba num pouco de água até dissolver e junte à água que está a ferver.
Vá mexendo até ferver durante 5 minutos. Deixe arrefecer, coe a bebida para um garrafão e misture o açúcar e o fermento (leverina ou fermento de padeiro). Não feche o garrafão. Quando começar a borbulhar é sinal de que está pronto. Deve beber-se muito fresco.

Quissângua de Milho (bebida angolana)

Quissângua de Milho Bebidas Ingrediente Principal: Água
Ingredientes
1 kg de milho 250gr de açúcar 1 colher de chá de fermento Preparação Coza o milho em cerca de 5 l de água. Deixe ferver durante 40 ou 50 minutos. Depois de cozido deixe arrefecer e coe a água para o garrafão. Misture o açúcar, o fermento (leverina ou fermento de padeiro). Deixe repousar por uns dias sem tapar o garrafão. Quando começar a borbulhar está pronta para beber. Deve beber-se muito fresco.

Caldeirada de Cabrito à Angolana (gastronomia angolana)

Caldeirada de Cabrito à Angolana Carnes Ingrediente Principal: Cabrito Ingredientes Cabrito ½ chouriço Sal q.b., alho, louro, vinho branco Batatas, cebola, tomate, pimento Preparação Corte o cabrito em pedaços e tempere de véspera com sal, alho esmagado, louro e vinho branco. No dia seguinte coloque a marinada numa panela, leve ao lume mas não o deixe cozer totalmente. Descasque as batatas e corte-as em rodelas não muito finas. Corte em rodelas a cebola, o tomate maduro, o pimento e o chouriço e reserve-os num recipiente. Numa panela disponha um camada de batatas, um pouco de cabrito e um pouco dos ingredientes juntos no recipiente. Disponha uma segunda camada de batatas, cabrito e os restantes ingredientes do recipiente. Regue tudo com azeite. Numa tijela à parte misture vinho branco, sal, gindungo, polpa de tomate e uma pitada de colorau e deite tudo na panela. Regue com vinho até cobrir o tudo. Deixe cozer e apurar bem. Vá agitando a panela para não pegar no fundo. Acompanhe com salada e uma boa quissângua.

Bacalhau com Broa e Queijo (gastronomia portuguesa)

Bacalhau com Broa e Queijo Peixes Ingrediente Principal: Bacalhau Ingredientes Bacalhau: 4 postas do lombo demolhadas Azeite: cerca de 2 dl (depende da quantidade de broa) Alho: 4 dentes Cebola: 1 Broa: 250 g Queijo parmesão ralado: qb Preparação Põe-se o bacalhau a corar no azeite de ambos os lados. Quando estiver corado transfere-se para uma assadeira . No azeite de corar o bacalhau, juntam-se os alhos e a cebola picados e deixa-se refogar um pouco só para amaciar. Acrescenta-se o miolo de broa esfarelada ( pode-se colocar na picadora que é mais rápido), mexe-se e junta-se o queijo ralado. Coloca-se este preparado sobre as postas de bacalhau e leva-se ao forno médio 25 a 30 minutos. Serve-se com batatas fritas às rodelas. Sugestões Acompanhar com um vinho Regional do Cartaxo.

Caldeirada de Choco à Pescador (gastronomia portuguesa)

Caldeirada de Choco à Pescador Peixes Ingrediente Principal: Choco Ingredientes 2 cebolas 1 folha de louro 4 dentes de alho 1 malagueta 3 tomates 2 pimentos q.b. de azeite q.b. sal 1 raminho de coentros 6 batatas 2 kg de choco (congelado) Preparação Limpar o choco. De seguida o choco é cozido à parte (na panela de pressão) com apenas sal como tempero (cerca de 30 minutos). Guarda-se a água da cozedura para a confecção posterior da caldeirada. Preparam-se as cebolas em rodelas finas, o louro, a malagueta e os alhos, que devem ir a lume brando, com azeite, num tacho. Logo que a cebola aloure e fique macia, acrescenta-se o tomate (previamente cortado em pedaços) e o pimento, deixando cozinhar sem água, apenas por breves momentos. Adiciona-se a água do choco, os coentros e as batatas em rodelas, acrescentando um pouco de sal. Ao fim de 5 minutos de fervura, adicionamos o choco já partido em tiras e ao fim de 10 minutos, apaga-se o fogo. Por fim juntamos os coentros e a salsa, e temos a nossa "Caldeirada de Choco à pescador" confeccionada. Sugestões Acompanhe com uma boa salada de agriões.

29 de janeiro de 2009

Pirão (gastronomia angolana)

Pirão Acompanhamentos Ingrediente Principal: Farinha de milho Ingredientes 1 pacote de farinha de milho 1 l de água Preparação Ponha cerca de um litro de água a ferver. Numa tijela ponha um pouco de água fria e misture cerca de 3 a 4 colheres de farinha e misture, de preferência com uma colher de pau lisa. Quando a água levantar fervura junte o preparado da tijela. Vá juntando o resto da farinha e mexendo com o luicô até entrar em ebulição. Não deixe que se forme bolas de farinha, mexa sempre energicamente. Retire do lume e continue a mexer durante mais algum tempo. Acompanhe com moamba de galinha.

Moamba (gastronomia angolana)

Moamba Carnes Ingrediente Principal: Dendém Ingredientes 1 kg de Dendém fresco ou óleo de palma extraído deste fruto 5/6 colheres de óleo de palma Um fio de azeite de mesa Uma colher de chá de banha Um frango (ou galinha) cortado aos bocados Sal q.b., gindungo, quiabos, lossakas, 1 ou 2 tomates maduros, 1 cebola grande e 1 dente de alho. Preparação Uma hora antes, tempera-se o frango partido com sal e alho esmagado no almofariz. Numa panela pica-se a cebola grande e um ou dois tomates maduros. Mistura-se o azeite e a banha e deixa-se refogar ligeiramente. Junta-se então o frango e deixa-se refogar mais um pouco. Entretanto numa panela à parte (panela de pressão) ponha cerca de 1 litro de água e o dendém fresco. Deixe cozer 20 minutos com a panela fechada. Depois deite fora a água e pise o dendém na própria panela onde o cozeu.Deite-lhe por cima 1 litro de água fria e mexa com uma colher de pau. Com as mãos, retire os caroços e as cascas e as fibras do dendém. Coe esta água com um passador e junte ao frango. Prove de sal e acrescente um pouco se for necessário. Junte ao frango as 5/6 colheres de óleo de palma. Deixe apurar mais um pouco e acompanhe com funge, pirão ou arroz branco.

Escritora moçambicana Paulina Chiziane, lança hoje em Maputo o seu mais recente livro, "As Andorinhas"

Paulina Chiziane voa com “As Andorinhas” A escritora Paulina Chiziane lança hoje em Maputo o seu mais recente livro, “As Andorinhas”, uma trilogia de três contos em que evoca o percurso de Ngungunhane, Eduardo Mondlane e Lurdes Mutola, relevando o seu papel inspirador para a actual e futuras gerações dos moçambicanos. A obra, chancelada pela Índico, é a sexta desta autora, que é a mulher moçambicana que mais livros publicou. Paulina Chiziane casou algumas lendas e a história de vida destas três personalidades para “ajudar a compreender o Moçambique de hoje, em parte por influência do que aconteceu no passado”. Paulina Chiziane escreveu os contos que agora publica em “As Andorinhas” há vários meses, depois de reler um dos livros que ela considera “um dos mais marcantes” da literatura moçambicana: “Chitlango, o Filho do Chefe”, de Eduardo Mondlane. Também inspirou-se em lendas à volta da figura do último rei do Estado de Gaza, contadas no seio dos chopes, etnia de que faz parte. “É conhecida a aversão que Ngungunhane tinha aos chopes. Pertenço a este grupo e fui ouvindo no meu meio muitas histórias à volta dele. O seu poderio era por todos conhecido e respeitado. Conta-se que uma certa vez ele ordenou silêncio e umas pequenas criaturas, as andorinhas, perturbaram, do cimo de uma árvore, o seu descanso. Uma delas defecou lá de cima para a cabeça do rei. Na fúria que lhe era característico, o imperador chamou os seus homens e ordenou-os que caçassem todas as andorinhas. E o resultado dessa determinação é que eles saíram à caça das andorinhas, porque o rei as queria vivas junto de si para as castigar e pelo caminho acabaram por confrontar-se com os portugueses. O fim é o que todos já sabemos: o império chegou ao fim, o imperador foi preso e o seu poder acabou, por causa de uma andorinha”, explicou, em recente entrevista ao “Notícias”, esta escritora que se considera “contadora de histórias”. O conto inspirado na vida e postura de Ngungunhane, ironicamente intitulado “Quem Manda Aqui?”, precede àquela que parece ser a estória central do novo livro de Paulina Chiziane. Eduardo Mondlane é para esta escritora um herói cuja importância ultrapassa os limites da luta pela autodeterminação dos moçambicanos. “Eduardo Mondlane carrega em si uma postura que devia servir de inspiração para todos nós, porque a sua importância ultrapassa também o que os nossos manuais de História dizem. Os moçambicanos devem olhar para ele e para aqueles que o educaram. A mim impressiona muito a sua simplicidade, que infelizmente não é característica de muitos de nós”, conta a escritora. “Mondlane é uma pessoa poderosa, mas simples, ensinadora e cativante. Para além disso, as pessoas que o rodearam, nomeadamente as duas mulheres que o educaram (mãe viúva e avó) também são de grande mérito, porque, pobres, fizeram de uma criança também pobre um grande homem. Um homem que inspirou um povo num momento particular da nossa caminhada, mas em quem todos se deviam inspirar nos dias que correm. As mulheres que o educaram também são pessoas em quem nós devíamos olhar para educarmos os nossos filhos”. O conto em Paulina Chiziane viaja em torno de Mondlane intitula-se “Maundlane, o Criador” e prenuncia um outro, “Mutola, a Ungida”, sobre aquela que os moçambicanos têm como a menina de ouro. “Ela é muito mais do que uma mulher dourada. A história dela faz lembrar a de Eduardo Mondlane, é uma história de luta, de humildade, de contágio, que faz um povo jubilar. É assim que eu a vejo”. Ao publicar este conjunto de textos Paulina Chiziane pretende-nos chamar para aquilo a que ela chama “uma necessidade urgente” no nosso país: “há muito que nós não produzimos personalidades fortes, do tamanho e envergadura de um Eduardo Mondlane, por exemplo. Sinceramente, a única que nós produzimos foi precisamente a Lurdes. Onde mais, para além da geração da luta de libertação nacional irão os nossos jovens e crianças buscar inspiração?”. Maputo, Quinta-Feira, 29 de Janeiro de 2009:: Notícias

28 de janeiro de 2009

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 10)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 9)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 8)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 7)

Moçambique - Campanha Contra a Corrupção (Cartaz Nº 6)

Angolanos querem comprar semanário português (Sol)

Angolanos querem comprar semanário português Maputo (Canal de Moçambique) - A «Newshold» está a pretender adquirir 51% do capital da empresa editora do semanário português, Sol, que se publica em Lisboa. Ainda segundo o AMI, a Newsold tem ligações consideradas “notórias” ao círculo do presidente angolano, engenheiro José Eduardo dos Santos. António Maurício, identificado como representante da «Newshold» neste negócio, é vice-presidente executivo da FESA – Fundação Eduardo dos Santos, com funções concentradas na gestão da carteira de interesses da mesma, acrescenta o «Africa Monitor Intelligence», de que é editor o luso-angolano, Xavier de Figueiredo. “Outros supostos sócios da «Newshold» têm a mesma conotação”, acrescenta a publicação. Aponta ainda que a «Construtora Tâmega» é também apontada como tendo interesses societários da «Newshold» e ter como parceira angolana a SODIMO – considerado “braço económico” da FESA. António Maurício é o irmão mais velho de Amadeu Maurício, governador do Banco Nacional de Angola, este dado como muito próximo de Ismael Silva, Director Geral da FESA. Ismael Silva, segundo o AMI, é dado como “figura que goza da confiança e amizade” do presidente José Eduardo dos Santos e “aparenta ter recuperado de um mau momento ao longo do qual circularam rumores acerca da sua substituição por Coutinho Miguel, actual administrador executivo do Banco SOL – entre cujos donos figura indirectamente o MPLA”, partido no poder em Angola”. (Redacção/AMI) 2009-01-28

26 de janeiro de 2009

Cooperação: Portugal vai formar professores moçambicanos em diversas áreas

Portugal vai formar professores moçambicanos Especialistas portugueses, em número ainda não definido, virão ao nosso país para formar professores moçambicanos em diversas áreas, com destaque para agricultura e processamento. O governo moçambicano e português acordaram, recentemente, o envio de especialistas para formarem professores para o Ensino Técnico-Profissional, bem como universitário, entre outros níveis de ensino. Esta informação foi avançada sábado, em Maputo, pelo Ministro da Educação e Cultura, Aires Ali, num “briefing” com a Imprensa, no seu regresso de Portugal, onde esteve durante uma semana para passar em revista a cooperação bilateral no domínio da educação, bem como reforçar as relações também na área cultural. Maputo, Segunda-Feira, 26 de Janeiro de 2009:: Notícias

23 de janeiro de 2009

O Edifício Sede dos CFM: Um Pouco de História (Paulino Sicavele)

O EDIFÍCIO SEDE DOS CFM: UM POUCO DE HISTÓRIA A construção da estação central dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques (Maputo), hoje totalmente encoberta pela imponente fachada que depois se lhe acrescentou encimada pela magnífica cúpula em cobre com a esfera armilar, havia sido começada no ano de 1908. Veio substituir a antiga - de madeira e zinco, construida pela companhia concessionária, que existia do outro lado da avenida 18 de Maio, defronte do actual Posto médico dos CFM. Fachada principal da Estação Central dos CFM - Maputo Tendo sido dada por concluida, ela foi solenemente inaugurada no dia 19 de Março de 1910. Tratava-se de um melhoramento importante que se ficava a dever ao engenheiro Lisboa de Lima, autor do projecto. Freire de Andrade, então Governador geral, solicitara ao Ministro e Secretário do Estado da Marinha e do Ultramar que fossem enviados «dois escudos de Armas Reais portuguesas, lavrados em mármore, para serem afixados nos pórticos». Mas elas só chegariam em 1911, depois de proclamada a República, e as armas tiveram que ser alteradas. Mesmo assim, jamais lá seriam colocadas por incúria dos que sucederam a Freire de Andrade: Para o pórtico da estação, por iniciativa, do Governador geral, Freire de Andrade fora requisitada de Lisboa um Escudo Nacional em mármore lavrado, o qual tendo chegado a Lourenço Marques (Maputo) em 1911 a bordo do paquete «Beira», depois se perdeu. Por fim recuperado nos nossos dias, foi solenemente colocado no seu lugar em Julho de 1970 por iniciativa do Gabinete de História dos Caminhos de Ferro de Moçambique - CFM. O Escudo Nacional, trabalhado em pedra de liós, é uma obra de arte de muita valia, tendo sido executado em Lisboa nas oficinas de Germano José de Salles & Filhos. Ao acto solene da inauguração da nova estação, mesmo sem o escudo das Armas Reais, fez-se nesse dia aos 19 de Março de 1911, com a saida dos dois primeiros comboios para S. José de Lhanguene, onde se celebrava a festa de S. José, padroeiro daquela missão, presidiu o Governador geral Freire de Andrade. sete meses depois deste acontecimento proclamava-se a República. Uma vez implantado o novo regime, passado o período de entusiasmo pela vitória da revolução, inicia-se o da fúria demagógica na perseguição movida pelos «carbonários» de Lourenço Marques, que se intitulavam de «vigilantes da República», contra Freire de Andrade e certos directores e chefes de serviços públicos tidos por desafectos à República e por «reaccionários e traidores ao novo regime». Exige-se a demissão imediata de tais entidades e a sua expulsão de Moçambique, o que por fim veio a verificar-se em 8 de Abril de 1911. Era então nomeado Governador geral da Província (Moçambique), o capitão-tenente Freitas Ribeiro. O engenheiro Lisboa de Lima, vítima também dessa desconcertante incompreensão popular fomentado pelos «carbonários», demite-se do cargo de director de porto e do Caminho de Ferro de Lourenço Marques. É substituido pelo engenheiro Lopes Galvão. Este, por sua vez, é substituido em 1912 pelo engenheiro João Henrique Von Haffe. Porém, a confusão política, com reflexos na administração pública da Província, continua. Em 14 de Março de 1912 regressam a Lourenço Marques os cidadãos que em 2 e 5 de Julho de 1911 haviam sido, pelo Alto Comissário Azevedo e Silva, mandados desterrar para diferentes pontos da Província, como «carbonários». As grandes figuras republicanas da época julgam então ter chegado a altura de submeter ao Ministro das Colónias uma representação-protesto reclamando melhoramentos imediatos para Moçambique. Em sessão magna reuniram-se os dirigentes da Associação dos Proprietários, dos Empregados de Comércio e da Indústria, dos Lojistas e da Cámara de Comércio. Os Seviços dos Caminhos de Ferro de Moçambique, estiveram sempre em mãos de engenheiros distintos, com sobejas provas da sua capacidade e a eles coube solucionar diversos e intricados problemas do pôs-guerra, num ambiente de ligeira trégua política. Assim, deu-se por concluido o majestoso edifício sede dos CFM, um dos mais belos de Lourenço Marques (Maputo - Moçambique) e não só; construiram-se em Ressano Garcia 4 casas de alvenaria para a moradia de 10 famílias de empregados dos CFM; construção de uma nova ponte metálica de 80 metros de vão sobre o Rio Matola; construção de 3 novos hangares para o serviço dos armazéns gerais; nova gare de triagem ao quilómetro 3; assentamento de novas feixes de linhas para o serviço da carvoeira; ampliação das linhas da estação de Ressano Garcia para se adequarem ao novo serviço de carvão; construção de 2 reservatórios de cimento armado de 200 metros quadrados de capacidade; instalação de um aparelho central de manobra e encravamento de agulhas e sinais na estação de Lourenço marques; instalação de agulhas automáticas nas estações de Moamba e Incomáti; construção de triângulos de inversão em Lourenço marques, Moamba e Ressano Garcia [...]. A entrada de Portugal na guerra resultara, a despeito de todos os sacrfícios impostos à nação, de certo modo benéfica, pois deste modo se salvou a integridade do Ultramar, de modo especial de Moçambique e de Angola. Paulino Sicavele (editor) 22 de Janeiro de 2009

Gare da Estação Ferroviária de Maputo (CFM), considerada a sétima mais bela do mundo

GARE DA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE MAPUTO CONSIDERADA PELA REVISTA NEWSWEEK COMO A SÉTIMA MAIS BELA DO MUNDO A Gare da Estação Central dos Caminhos de Ferro em Maputo foi considerada pela Revista americana Newsweek como sendo a mais bela de toda a África e a sétima colocada numa lista que compreende nove (9) Estações ferroviárias eleitas mediante monitoria especializada feita em todos os continentes. Segundo a Revista Newsweek, 'A Estação Central de Maputo, provávelmente a mais bela de África, foi desenhada por Gustave Eiffel em 1910 e a ideia era que a sua aparência se assemelhasse a um Palácio com pilares de mármore e enfeites em ferro fundido'. A Revista descreve de forma resumida as nove melhores Estações Ferroviárias do mundo e apresenta no fim a classificação das mesmas pela seguinte ordem: 1. St. Pancras, Londres 2. Grand Central Terminal, Nova York 3. Chhatrapati Shivaji, Mumbai 4. Central Station, Antwerp, Bélgica 5. Dare des Bénédictins, Limoges, França 6. Lahore Railway Station, Paquistão 7. Gare da Estação Central dos Caminhos de Ferro, Maputo, Moçambique 8. Hua Hin Railway Station, Thailand 9. Atocha Station, Madrid. 22 de Janeiro de 2009

Roberto Carlos: 50 anos de uma carreira que não pára de cintilar

ROBERTO CARLOS: 50 anos de uma carreira que não pára de cintilar Em 1959, Roberto Carlos estava numa sinuca de bico. Saíra meio desgostoso do conjunto The Sputniks, no qual dividia a liderança com Tim Maia. Muitas editoras diziam-lhe não sem cerimónia: fora recusado pela Chantecler, pela RCA, pela Philips, pela Odeon. Tinha então 18 anos e teve de recorrer a um primo, que era gerente da boate Plaza, em Copacabana, no Rio de Janeiro, para conseguir um contrato como cantor da noite daquela cidade brasileira. Assinou para trabalhar como “crooner” da casa nocturna. Ali ele ganharia o seu primeiro salário profissional, e foi nesse momento, o do primeiro pagamento, que ele considera o início da sua carreira consagrada de cantor (embora já tivesse uma década de experiência musical). Por conta dessa data-chave, Roberto (que faz 68 anos em Abril) inicia agora em Fevereiro - no mar, cantando para 2.682 pessoas no navio brasileiro Costa Mágica – as comemorações dos seus 50 anos de carreira, que começou naquele trabalho na Boate Plaza. Logo depois, em Julho do mesmo ano, Roberto Carlos seria aceite pela Polydor, após uma audição com Roberto Corte Real, e gravaria um compacto em 78 rotações com as canções “Fora do Tom” e “João e Maria”, ambas de Carlos Imperial. No mesmo ano, Roberto Carlos ainda gravaria outro disco de 78 rotações com “Brotinho Sem Juízo” e “Canção do Amor Nenhum” (Carlos Imperial). Ricardo Pugialli, autor do livro “Almanaque da Jovem Guarda”, acredita que Fevereiro de 1959 foi o mês em que Roberto Carlos iniciou a sua primeira temporada como cantor profissional. “A data precisa é muito difícil de se afirmar. Não existem mais documentos sobre o período. Provavelmente Roberto pode ter os originais. Nada mais existe da antiga boate ou mesmo do hotel Plaza. Temos hoje um novo hotel no local, com o mesmo nome, mas tudo foi modificado. Não há fotos, documentos, cartazes, nada”, conta o autor. Segundo o escritor e pesquisador, autor de um livro que Roberto Carlos elogia, o cantor parece preferir a data como marco inicial da sua carreira (em vez da gravação do compacto em 78 RPM) por um motivo especial. “Cantando na mesma casa onde João Gilberto se apresentou, onde os cobras da bossa nova (Baden Powell, Johnny Alf, João Donato, Milton Banana, entre outros) davam canjas quase todas as noites, é com certeza o motivo pelo qual ele guarda com carinho a data. Já o disco não é um trabalho que eu acredito que ele tenha gostado tanto. Não estava em seu estilo, era uma emulação de João Gilberto e ele foi muito criticado na época pelos músicos e simpatizantes da bossa nova.” O próprio Roberto Carlos, numa entrevista, em 2005, foi sucinto a respeito da data. “Eu tinha uns 16 ou 17 anos e só ouvia rock’n’roll, quando um dia, no rádio do carro, escutei João Gilberto. Mudei tudo e só quis cantar bossa nova”, contou. “Por isso, o meu primeiro trabalho como cantor foi na Boate Plaza.” Outra novidade prevista para este ano para festejar o cinquentenário da sua carreira seria uma grande tournée de Roberto Carlos pela América Latina, passando pela Argentina, Chile e México.
22 de Janeiro de 2009

Quando a Pátria é Nossa (Armando Artur)

QUANDO A PÁTRIA É NOSSA É assim esgravatada e repilhada Até aos limites do seu interior Por gente nossa e despudorada Quando a pátria que é nossa É assim regateada ao preço da gula E ganância, por gente que jurou Defendê-la com bravura e valentia Quando a pátria que é nossa É assim extorquida e ameaçada Por gente sem dó e auto-esconjurada Que não olha a meios senão a fins Quando a pátria que é nossa É assim leiloada em praças obscuras À taxa diária do sangue, suor e lágrimas De milhões de braços, e uma só força Por gente ilustre e de colarinho branco Quando a pátria que é nossa É assim assaltada pelos flancos da sua Beleza e contornos da sua geografia Por gente forasteira de si própria Quando a pátria que é nossa É assim deixada à deriva e ao relento E à mercê dos párias do nosso maior Descontentamento colectivo Quando a pátria que é nossa É assim atraiçoada por essa gente sem Nome, que se aliança com mercadores De insónias e arautos do caos e do mal Em troca do fútil e do asco Todo silêncio e todo exílio serão Sempre iguais a pátria que é nossa! Armando Artur

21 de janeiro de 2009

Karingana ua Karingana (Luiz Eduardo Rodrigues Amaro)

Karingana ua Karingana Karingana ua Karingana, poesia de 13 versos, divididos em duas estrofes de seis e um verso isolado (título da poesia – enfático), possui características singulares a um poeta que busca a sua redenção ao beber nas fontes inexauríveis de uma cultura rica e em questionamento. Esta poesia é mais do que um protesto: é a definição de um fazer-poético em simbiose com a cultura popular. Observe a primeira estrofe: “Este jeito de contar as nossas coisas à maneira simples das profecias (1) é que faz o poeta sentir-se gente”. (2) Uma maneira de contar as coisas? À maneira simples das profecias? O que é isto a não ser a cultura, o folclore, as tradições de uma nação em busca da própria identidade? É exatamente tal busca que traz a cidadania às pessoas, ou seja, faz o poeta – como contador de histórias – sentir-se gente, sentir-se humano, íntegro e actante na sociedade em que se insere. Percebamos a linguagem fluente, quotidiana, descomplicada. Premonitória até, como se identifica nos versos: “E nem de outra forma se inventa o que é propriedade dos poetas nem em plena vida se transforma a visão do que parece impossível em sonho do que vai ser _ Karingana!” A estrutura paralelística existente na segunda estrofe reforça a idéia de que o poeta deve cantar a transformação, o sonho. A conjunção (nem) une as duas concepções: o que é propriedade do poeta (contar as nossas histórias à maneira das profecias) e a visão premonitória (que faz o poeta – e todo homem - ser gente). Em outras palavras, em um processo anafórico, a estrofe subseqüente reforça, enfatiza a anterior. Karingana! Desta forma termina a poesia e desta forma devemos aprender a vislumbrar um futuro libertário! A poesia que segue chama-se Guerra. Duas estrofes de três versos cada. O leitor desatento pode não valorizar um texto tão simples, porém, o leitor crítico sabe valorizar a magnífica capacidade de síntese do poeta, assim como a soberba metáfora que se instaura neste poema, como a chave de ouro do soneto, que nos faz pensar a respeito do potencial semântico das palavras, quando são bem empregadas. Analisemos a primeira parte: “Aos que ficam resta o recurso de se vestirem de luto”. O que faz estes versos possuírem esta densidade dramática, este apelo ao leitor? Existe um repertório, um conhecimento de mundo pré-existente, emanado pelo vocábulo-título que contamina a estrofe, liberando os sentimentos à leitura. “Aos que ficam”, àqueles que sobreviveram à guerra, resta a perda dos entes queridos e outras modalidades de ausência, “o luto”. De uma forma, vencedores por atingirem o objetivo; por outro lado, perdedores, uma vez que as lembranças e as dores do passado guerrilheiro voltam como sombras a perseguir, incessante e implacavelmente, o eu lírico que extravasa esta mesma memória na estrofe seguinte: “Ah, Cidades! Favos de pedra (1) macios amortecedores de bombas”. (2) Uma mistura de memória e nostalgia instaura-se nesta interjeição. As cidades, emaranhados de prédios (concreto, pedra, sem vida), pulsando com as milhares de pessoas que a dão motivo de existir, que imprimem ao concreto, vida. (1) “Favos de pedra”: os favos fazem referência às colméias (moradias das abelhas) que, como os homens, vivem em sociedade. Faz alusão às janelas onde estão o mel (alimento), assim como as inúmeras janelas dos prédios, possível aproximação pelo adjunto restritivo “de pedra”, onde as pessoas vivem, trabalham, amam, alimentam-se, constituem família. (2) “macios amortecedores de bombas”: esta metáfora é fortíssima. Percebemos a tensão provocada por uma antítese implícita que contrasta “macio” com “bombas”, uma vez que as bombas não tornam nada macio, ao contrário, o contato destes artefatos com o solo destroem as mais resistentes estruturas, de pedra ou de carne. Observe que o eu lírico joga com as imagens, são simples e diretas, porém fortes e bem elaboradas. É nesta simplicidade, nesta extraordinária capacidade sintética que a tensão se instaura na poesia. Aqui está uma breve análise de algumas poesias do escritor africano Craveirinha. Há, sem sombra de dúvidas, uma vasta gama de poesias deste escritor que merece análises mais apuradas. Luiz Eduardo Rodrigues Amaro

16 de janeiro de 2009

Karingana Ua Karingana (José Craveirinha)

Karingana Ua Karingana Este jeito de contar as nossas coisas à maneira simples das profecias - Karingana ua Karingana! - é que faz o poeta sentir-se gente E nem de outra forma se inventa o que é propriedade dos poetas nem em plena vida se transforma a visão do que parece impossível em sonho do que vai ser. - Karingana! José Craveirinha

Poema da Infância Distante (Noémia de Sousa)

Poema da Infância Distante A Rui Guerra Quando eu nasci na grande casa à beira-mar, era meio-dia e o sol brilhava sobre o Índico. Gaivotas pairavam, brancas, doidas de azul. Os barcos dos pescadores indianos não tinham regressado ainda arrastando as redes pejadas. Na ponte, os gritos dos negros dos botes chamando as mamanas amolecidas de calor, de trouxas à cabeça e garotos ranhosos às costas soavam com um ar longínquo, longínquo e suspenso na neblina do silêncio. E nos degraus escaldantes, mendigo Mufasini dormitava, rodeado de moscas. Quando eu nasci... – Eu sei que o ar estava calmo, repousado (disseram-me) e o sol brilhava sobre o mar. No meio desta calma fui lançada ao mundo, já com meu estigma. E chorei e gritei – nem sei porquê. Ah, mas pela vida fora, minhas lágrimas secaram ao lume da revolta. E o Sol nunca mais brilhou como nos dias primeiros da minha existência, embora o cenário brilhante e marítimo da minha infância, constantemente calmo como um pântano, tenha sido quem guiou meus passos adolescentes, - meu estigma também. Mais, mais ainda: meus heterogéneos companheiros de infância. Meus companheiros de pescarias por debaixo da ponte, com anzol de alfinete e linha de guita, meus amigos esfarrapados de ventres redondos como cabaças, companheiros de brincadeiras e correrias pelos matos e praias da Catembe unidos todos na maravilhosa descoberta de um ninho de tutas, na construção de uma armadilha com nembo, na caça aos gala-galas e beija-flores, nas perseguições aos xitambelas sob um sol quente de Verão... – Figuras inesquecíveis da minha infância arrapazada, solta e feliz: meninos negros e mulatos, brancos e indianos, filhos da mainata, do padeiro, do negro do bote, do carpinteiro, vindos da miséria do Guachene ou das casas de madeira dos pescadores, Meninos mimados do posto, meninos frescalhotes dos guardas-fiscais da Esquadrilha – irmanados todos na aventura sempre nova dos assaltos aos cajueiros das machambas, no segredo das maçalas mais doces, companheiros na inquieta sensação do mistério da “Ilha dos navios perdidos” – onde nenhum brado fica sem eco. Ah, meus companheiros acocorados na roda maravilhada e boquiaberta de “Karingana wa karingana” das histórias da cocuana do Maputo, em crepúsculos negros e terríveis de tempestades (o vento uivando no telhado de zinco, o mar ameaçando derrubar as escadas de madeira da varanda e casuarinas, gemendo, gemendo, oh inconsolavelmente gemendo, acordando medos estranhos, inexplicáveis das nossas almas cheias de xituculumucumbas desdentadas e reis Massingas virados jibóias...) Ah, meus companheiros me semearam esta insatisfação dia a dia mais insatisfeita. Eles me encheram a infância do sol que brilhou no dia em que nasci. Com a sua camaradagem luminosa, impensada, sua alegria radiante, seu entusiasmo explosivo diante de qualquer papagaio de papel feito asa no céu de um azul tecnicolor, sua lealdade sem código, sempre pronta, – eles encheram minha infância arrapazada de felicidade e aventuras inesquecíveis. Se hoje o sol não brilha como do dia em que nasci, na grande casa, à beira do Índico, não me deixo adormecer na escuridão. Meus companheiros me são seguros guias na minha rota através da vida. Eles me provaram que “fraternidade” não é mera palavra bonita escrita a negro no dicionário da estante: ensinaram-me que “fraternidade” é um sentimento belo, e possível, mesmo quando as epidermes e a paisagem circundante são tão diferentes. Por isso eu CREIO que um dia o sol voltará a brilhar, calmo, sobre o Índico. Gaivotas pairarão, brancas, doidas de azul e os pescadores voltarão cantando, navegando sobre a tarde ténue. E este veneno de lua que a dor me injectou nas veias em noite de tambor e batuque deixará para sempre de me inquietar. Um dia, o sol iluminará a vida. E será como uma nova infância raiando para todos. Noémia de Sousa 29 de Abril de 1950

A Montanha (Roberto Carlos)

A Montanha (Roberto Carlos)

A MONTANHA Eu vou seguir uma luz lá no alto eu vou ouvir Uma voz que me chama eu vou subir A montanha e ficar bem mais perto de Deus e rezar Eu vou gritar para o mundo me ouvir e acompanhar Toda minha escalada e ajudar A mostrar como é o meu grito de amor e de fé Eu vou pedir que as estrelas não parem de brilhar E as crianças não deixem de sorrir E que os homens jamais se esqueçam de agradecer Por isso eu digo: Obrigado Senhor por mais um dia Obrigado senhor que eu posso ver Que seria de mim sem a fé que eu tenho em Você Por mais que eu sofra, Obrigado Senhor mesmo que eu chore Obrigado Senhor por eu saber Que tudo isso me mostra o caminho que leva a Você Mais uma vez Obrigado Senhor por outro dia Obrigado Senhor que o sol nasceu Obrigado Senhor agradeço Obrigado Senhor Por isso eu digo: Obrigado Senhor pelas estrelas Obrigado Senhor pelo sorriso Obrigado Senhor agradeço Obrigado Senhor Mais uma vez Obrigado Senhor por um novo dia Obrigado Senhor pela esperança Obrigado Senhor agradeço Obrigado Senhor Por isso eu digo: Obrigado Senhor pelo sorriso Obrigado Senhor pelo perdão Obrigado Senhor agradeço Obrigado Senhor Roberto Carlos

Poeta moçambicano Eduardo White lança novo livro de poesia "A Fuga e a Húmida Escrita do Amor"

Eduardo White lança novo livro Novo ano. Nova obra. O poeta moçambicano Eduardo White entrou literariamente em 2009 com o pé direito. Apresentou ontem em Maputo mais um livro de poesia intitulado “A Fuga e a Húmida Escrita do Amor”. O livro sai sob chancela da Texto Editores. Numa cerimónia singela, Eduardo White, reuniu familiares, amigos e jornalistas para apresentar esta que é a sua mais recente produção literária. Num discurso de improviso, destacou o que é que aquele momento representava na sua vida. Visivelmente emocionado, White caracterizou a sua obra nos seguintes termos, “escrever livro é como ter filhos”. Entretanto, como não há bela sem senão, a ausência do seu editor à cerimónia não terá passado despercebido, facto pontualmente lamentado por Eduardo White. E num acto quase inédito na praxe, Eduardo White, pegou as rédeas e apresentou pessoalmente a sua própria obra! E na sua qualidade de poeta, construiu um discurso à altura da sua estatura, usando um discurso belo, penetrante e reflexivo. Seguiu-se um momento particularmente interessante, em que a poesia fez um “casamento” com a música. Um trio de jovens talentos - banda “New Joit”- corou a plateia ao cantando com grande qualidade vocal. Mas a cerimónia só caiu o pano, com a apresentação de uma peça teatral baseado no livro ora lançado, num trabalho de encenação do actor Mário Mabjaia. A peça terminou com o personagem principal (Mário Mabjaia) a gritar, “eu não sou louco/ Sou um homem livre / e que vive na Liberdade”. Eduardo White é membro da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO). É autor das obras “Amar sobre o Índico” (1984); “Homoíne” (1987); “País de Mim” (1990; Prémio Gazeta revista Tempo); “Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave (1992; Prémio Nacional de Poesia); “Os Materiais de Amor Seguido de O Desafio à Tristeza” (1996); “Janela para Oriente” (1999); “Dormir com Deus e um Navio na Língua” (2001; bilingue português/inglês; Prémio Consagração Rui de Noronha); “As Falas do Escorpião (novela; 2002); “O Homem a Sombra e a Flor e Algumas Cartas do Interior (2004). A sua poesia está exposta no museu Val-du-Marne em Paris desde 1989. Em 2001 foi considerado em Moçambique a figura literária do ano. Maputo, Sexta-Feira, 16 de Janeiro de 2009:: Notícias

14 de janeiro de 2009

Biografia do escritor moçambicano Eduardo White

Biografia de Eduardo White Escritor moçambicano, Eduardo Costley White nasceu em Quelimane (Moçambique), a 21 de Novembro de 1963. Após uma formação durante três anos no Instituto Industrial, o escritor exerceu funções directivas numa empresa comercial, foi membro do Conselho de Coordenação e fundador da revista «Charrua» e dirigente da Associação de Escritores de Moçambique. Tem colaboração na imprensa lusófona e várias publicações como "Amar sobre o Índico" (1984), "País de Mim" (1990), "Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave" (1992), "Dormir com Deus e um Navio na Língua" (2001), "As Falas do Escorpião" (2002), "O Manual das Mãos" (2004), entre outros. Recebeu vários prémios literários e foi considerado, em 2001, em Moçambique, a Figura Literária do Ano. Numa preocupação com as origens, Eduardo White reflecte na sua poesia a sua história e reflecte sobre Moçambique, numa tentativa de apagar as marcas da guerra e de dignificar a vida humana. Para isso, escreve através de um amor diversificado que pode ser pela amada, pela terra ou mesmo pela própria poesia, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e de erotismo.

Baseado no livro de Mia Couto: Filme “Terra Sonâmbula” na mostra de Nova Iorque



Baseado no livro de Mia Couto: Filme “Terra Sonâmbula” na mostra de Nova Iorque A longa-metragem “Terra Sonâmbula”, baseada no livro do escritor moçambicano Mia Couto, abre hoje a mostra “Global Lens 2009”, em acto a ter lugar no Museum of Modern Arts de Nova Iorque (MOMA). Esta produção cinematográfica faz parte de uma dezena de películas que serão exibidas neste certame. Depois da apresentação no Museum of Modern Arts de Nova Iorque, “Terra Sonâmbula” ficará por uma semana e depois seguirá para outras 35 cidades dos Estados Unidos. O filme da cineasta portuguesa Teresa Prata, é baseado no romance homónimo do escritor moçambicano Mia Couto. Conta a história de Muidinga, um menino que procura a família em plena guerra dos 16 anos. Esta produção cinematográfica conta com apenas dois actores profissionais no elenco, a moçambicana Ana Magaia e a portuguesa Laura Soveral. Os restantes, incluindo o menino de 12 anos que protagoniza Muidinga, são amadores. Quanto à cineasta Teresa Prata, ela é formada em argumento e realização pela Deutsche Film und Fernsehakademie Berlin (Academia de Cinema e Televisão de Berlim). Passou a infância em Moçambique e a adolescência no Brasil, estudou em Portugal, e agora está baseada na Alemanha, tem uma formação bastante ecléctica: estudou piano no Rio de Janeiro, formou-se em Biologia em Coimbra e Cinema em Berlim. Leu o livro de Mia Couto quando estudava em Berlim e achou a história fantástica, decidindo passá-la ao cinema, com o consentimento do escritor, que quando visionou a longa-metragem gostou da adaptação feita. "Terra Sonâmbula" é uma co-produção portuguesa (Filmes do Fundo), alemã (ZDF/ARTE), e a moçambicana (Ébano Multimédia), com o apoio do Ministério da Cultura, por meio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), da RTP, e do Instituto Camões. É distribuído pela The Global Film Iniciative. “Terra Sonâmbula” já conquistou um galardão: Prémio da Federação Internacional da Crítica de Cinema no Festival Internacional de Cinema na Índia. Maputo, Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2009 :: Notícias

9 de janeiro de 2009

Ilha do Meu alento, Moçambique

Ilha do meu alento, de Moçambique Sei de cor, Cada curva do teu corpo, Os passos dos teus caminhos, As sombras das tuas árvores e casario. Sei de cor, Cada dança das tuas ondas, As carícias das teu vento, Os cheiros da tua maresia. Sei de cor, Cada tom da cor do teu mar, O calor e brilho do sol dos teus dias, O luar e as estrelas das tuas noites. Sei de cor, Cada limite do teu horizonte, A voz das tuas gentes, A brandura das tuas horas, Sei de cor, A imagem do mau tempo Neste meu exílio terreno Onde tomei tamanho de gente. Sei de cor, Cada lágrima do teu rosto, As angústias do teu olhar, Os silêncios do tua voz, A imagem de outro tempo! E o que não sei de cor Adivinho a sonhar. Se me disserem que sou louca, Logo minha voz com firmeza desmente. Mas se for, tanto melhor! Autor/a Desconhecido/a

Poema de Despedida (Mia Couto)

POEMA DE DESPEDIDA Não saberei nunca dizer adeus Afinal, só os mortos sabem morrer Resta ainda tudo, só nós não podemos ser Talvez o amor, neste tempo, seja ainda cedo Não é este sossego que eu queria, este exílio de tudo, esta solidão de todos Agora não resta de mim o que seja meu e quando tento o magro invento de um sonho todo o inferno me vem à boca Nenhuma palavra alcança o mundo, eu sei Ainda assim, escrevo Mia Couto

Sotaque da Terra (Mia Couto)

SOTAQUE DA TERRA Estas pedras sonham ser casa sei porque falo a língua do chão nascida na véspera de mim minha voz ficou cativa do mundo, pegada nas areias do Índico agora, ouço em mim o sotaque da terra e choro com as pedras a demora de subirem ao sol Mia Couto

Mia Couto aprova filme "Terra Sonâmbula"

MIA COUTO APROVA FILME "TERRA SONÂMBULA" O escritor moçambicano Mia Couto elogiou a adaptação cinematográfica da realizadora Teresa Prata da obra de sua autoria, "Terra Sonâmbula". O autor de "Mar me quer" considerou que o produto final "respeita o espírito da história" e que a cineasta "soube recolher o essencial" do romance. "É um filme sério e limpo", classificou o escritor. A película tem estreia mundial prevista para o dia 27 deste mês no âmbito do Festival Internacional de Cinema de Montreal, no Canadá. Estreia de Teresa Prata no grande ecrã, "Terra sonâmbula" foi publicado em 1992. O filme foi todo rodado em Moçambique, mais precisamente numa área de 200 quilómetros nos arredores da capital, Maputo. A acção tem como pano de fundo a guerra civil em Moçambique e conta a história de Muidinga, um rapaz de 12 anos que se lança na aventura de reencontrar a família. No momento em que contacta com um diário pertencente a uma mulher que procura o filho, acredita ser ele a criança e parte em busca da mãe, em direcção ao mar. A produção de Mia Couto não é desconhecida da Sétima Arte. Aquele que é o autor moçambicano mais lido no estrangeiro já teve outras obras transpostas para o cinema. "O olhar das estrelas", filme de João Ribeiro, baseou-se no conto "Saíde, o lata de água", enquanto que "Um rio", de José Carlos Oliveira, é uma adaptação do romance "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra". Jornal de Notícias, 21 Agosto 2007

Pequeninura do Morto e do Vivo (Mia Couto)

PEQUENINURA DO MORTO E DO VIVO O morto abre a terra: encontra um ventre O vivo abre a terra: descobre um seio Mia Couto

4 de janeiro de 2009

Maria de Lurdes Mutola - Filha da Nação

MARIA DE LURDES MUTOLA - FILHA DA NAÇÃO Maria de Lurdes Mutola disputou o maior prémio do atletismo mundial: um milhão de dólares por ganhar cinco corridas de seguida. Conversa com a heroína de Moçambique Maria de Lurdes Mutola não é uma campeã qualquer. A mulher mais rápida do mundo nos 800 metros, primeira medalhada olímpica de Moçambique, tornou-se a heroína nacional. Um símbolo, num país necessitado de referências. Os moçambicanos tratam-na domesticamente por Lurdes, já lhe erigiram uma estátua, deram o seu nome a uma avenida e à escola primária onde andou. O Presidente Joaquim Chissano, que lhe pôs à disposição o número de telemóvel, é dos primeiros a ligar-lhe depois das provas. E ela não desdenha a sua importância. «Estou tão orgulhosa desse carinho todo que me é difícil expressar o que sinto. Acho que devo parte do que sou a esse apoio», disse esta semana ao EXPRESSO.
Foi também como agradecimento que a atleta criou a Fundação Lurdes Mutola, com sede em Maputo, que apoia «talentos» no desporto nacional. Aproveitando a «febre das corridas» que provocou em Maputo, a fundação já permitiu a mais de 20 atletas a participação em provas internacionais e está a pagar a preparação de uma corredora nos Estados Unidos. Na capital irá ser construído um centro desportivo profissional. No manifesto que escreveu para a fundação, Mutola diz: «Quando a bandeira de Moçambique sobe nos estádios internacionais não vencemos apenas uma prova desportiva; vencemos a descrença, a falta de confiança em nós mesmos, a condenação da pobreza, a exclusão e o isolamento.» Mutola percebeu bem a lição que o poeta José Craveirinha lhe ensinou, quando a descobriu, aos 14 anos, a retirou dos campos de futebol - onde ela julgava estar o seu futuro - e a atirou para as pistas, onde as suas pernas musculadas lhe haviam de dar um futuro glorioso. «Ele foi o meu Deus, o meu criador», diz Mutola, ainda saudosa de quem sempre chamou «o Poeta», falecido em Fevereiro deste ano. Ele foi o seu golpe de sorte. Adolescente num Moçambique estraçalhado pela guerra, Mutola não tinha outra brincadeira que não fosse jogar futebol. Disputava a bola ombro a ombro, nas peladinhas com os rapazes do bairro da Mafala, em Maputo. «Queria ser futebolista, em Portugal, como o Eusébio, ou nos Estados Unidos, onde sabia que havia equipas femininas. Mas também jogava por causa da guerra. Não tínhamos o que comer, não podíamos fazer nada, ir a lado nenhum. Não tínhamos liberdade, ficávamos fechados na cidade, onde havia alguma segurança. E o desporto era o meu refúgio». Maria já era o embrião da força que agora ostenta nas pistas. Convenceu a restante equipa dos Águias de Ouro a inscrevê-la numa competição municipal masculina. «Fomos campeões. Ninguém pensou que fosse problema eu ser rapariga», conta. Mas a competição era oficial e, mesmo com a elasticidade habitual das regras africanas, houve quem se aproveitasse da pequena falha para ganhar com isso. «Queriam que fossemos desclassificados». Na altura, ficou destroçada. Sem perceber ainda que naquela peripécia espreitava um novo futuro, longe dos relvados - onde, aliás, nenhuma mulher tem grande destino.
O caso deu brado nos jornais de Maputo. E chamou a atenção do escritor José Craveirinha que considerava o desporto uma das causas da emancipação moçambicana. Ele teve uma visão, quando decidiu ir observar Mutola a jogar. Reparou na maneira como a rapariga corria atrás da bola, os seus gémeos a esticarem-se sem perderem força, os glúteos contraídos num pontapé. Viu nela a campeã. «Quando ele me falou da primeira vez do atletismo, eu nem sabia o que isso era», recorda Mutola ao EXPRESSO, dando uma das gargalhadas com que costuma afastar os nervos, dentro e fora da pista. São conhecidos os largos sorrisos com que se deixa fotografar depois de poderosos «sprints» finais, em corridas com cara fechada e ar de quem pode levar tudo à frente. Dois dias antes da prova da sua vida - sexta-feira da semana passada estava em causa um milhão de dólares, o «jackpot» da Liga de Ouro da Federação Internacional de Atletismo, para quem ganhar cinco das sete principais provas mundiais - Mutola ainda dizia que preferia não pensar no prémio. «Quando ganhar logo penso no que vou fazer com o dinheiro». Foi essa combinação de força e humor que a levou de um bairro de caniço e madeira e zinco, em Maputo, até ao pódio do atletismo mundial, e fez ultrapassar todas as dificuldades. A primeira, as «dores horríveis no corpo», que diz ter sentido depois da primeira semana de treinos com o filho de Craveirinha, Stélio, treinador de atletismo. O escritor comprou-lhe as primeiras sapatilhas. Durante seis dias, Mutola correu distâncias curtas e fáceis. Ao sétimo estava numa pista a sério, para uma sessão de intervalos de 300 e 400 metros. «Aquilo dava muito mais trabalho do que eu pensava. Desisti e pensei em nunca mais na vida ver o Poeta», recorda Mutola. Craveirinha obrigou-a à persistência. Desistir era o erro de tantos outros e isso irritava o patriota, que via no corpo atlético dos moçambicanos mais futuro do que os resultados indiciavam. Até ali nunca Moçambique tinha ganho uma medalha olímpica. Craveirinha culpava a discriminação colonial também por isso. «Ele foi a minha casa convencer os meus pais de que eu tinha de correr», conta a atleta. Craveirinha teve uma conversa séria com os pais dela, João e Catarina Mutola, que tinham mais cinco filhos e poucos rendimentos. Ele era funcionário dos Caminhos-de-Ferro de Moçambique, ela cultivava legumes no quintal para vender no mercado. Acenou-lhes com os futuros louros da caçula da família. Certos, no seu entender.
Os tempos eram difíceis. Os pais acederam aos pedidos do auto-empossado «treinador» e deram-lhe a «tutela desportiva» da filha. Craveirinha sabia como convencê-la. Levou-a para casa e pôs no vídeo gravações das Olimpíadas de Los Angeles em 1984. O desempenho de Carl Lewis era o argumento que faltava. Resultou. «Nunca tinha visto um estádio tão cheio de gente». Apenas alguns meses depois, em 1988, no dia em que completava 16 anos, estava a correr nas Olimpíadas de Seul, terminando em sétimo lugar. O tempo obtido - dois minutos, quatro segundos, 36 centésimos - deu-lhe acesso à Bolsa Olímpica de Solidariedade. «Era uma tristeza, mas sabia que a tinha de deixar ir embora, Moçambique não tem uma cultura que apoie o desporto», diria Craveirinha. Aos 18 anos, sem saber uma palavra de inglês, Mutola embarcou num avião para Chicago, via Paris. Num dia de chuva, instalou-se em Eugene, no gélido e frondoso Estado do Oregon. Vivia com uma família americana e tinha aulas numa escola secundária, onde partilhava a sala de aula com adolescentes americanas preocupadas com vestidos e festas. As suas performances deram nas vistas, o que, aliado à sua condição de estrangeira e ao ar másculo - que se acentuou com os treinos no ginásio três vezes por semana -, contribuiu para que fosse o gozo na escola. «Foi muito difícil. Tive de aprender inglês rápido, ninguém sabia uma palavra de português. Não desisti porque uma vez liguei para casa a chorar e a minha irmã disse-me que se eu voltasse ia ser uma moça igual às outras, para aí nas ruas». A sua treinadora desde os tempos de escola, a americana Margot Jennings, tem outra explicação: «Ela estava a milhas das colegas todas em maturidade». GOVERNO PAGOU CASA DOS PAIS Mutola diz simplesmente que a sua preocupação era saber se os pais «tinham comida para comer». Pouco tempo depois deixariam de ter dificuldades, recebendo uma boa parte dos 250 mil dólares que a filha iria ganhar por ano, especializando-se nos 800 metros. «Acho que quem sentiu mais as mudanças foram os meus pais. O Governo até mandou recuperar a casa deles - a casa que a minha mãe nunca quis deixar. Até hoje!»
A carreira foi fulgurante. Nos Campeonato do Mundo de 1991, Mutola terminou a prova em quarto lugar, nas Olimpíadas de 1992 ficou em quinto, jogos em que correu os seus únicos 1500 metros numa prova internacional, ficando-se pelo 9º lugar. Nos anos seguintes tornar-se-ia a rainha dos 800 metros. O primeiro título de Mutola foi conquistado nos Mundiais de Estugarda, em 1993, no mesmo ano em que ganhou também os Mundiais de Pista Coberta de Toronto. Em 1995, em Gotemburgo, Mutola teve um dos únicos desaires da sua carreira: foi desclassificada por ter saído da pista. Prostrou-se de joelhos na pista. Mas alguns meses mais tarde recuperaria, quebrando o recorde da vencedora de Gotemburgo. Em 1996, em Atlanta, ganhou a primeira medalha olímpica para Moçambique, embora de bronze. Até 2000. Nas suas quartas olimpíadas, em Sidney, arrebatou o ouro dos 800 metros (com 1:56:15) e foi recebida em Maputo com uma passadeira vermelha e honras de heroína nacional. De 1992 a 1995 não perdeu uma única prova, tendo, segundo ela própria confessou, «perdido um pouco a motivação». O estímulo regressou depois duma pequena conversa com Nelson Mandela - seu ídolo de sempre -, que a chamou ao palácio presidencial para lhe garantir que África tinha os olhos postos nela. Apesar de ser heroína nacional, Mutola nunca mais voltou a viver em Moçambique. «Agora já podia treinar lá - porque tem ginásio e pista de tartan - mas não tinha sossego. Não é por mal, mas não me concentrava», diz. Tem um pequeno rancho nos EUA, que teve de abandonar por causa das alergias primaveris. E mudou-se para a África do Sul, onde fica mais perto da mãe (sozinha, depois da morte do pai num acidente de carro). Treina com a inglesa Kelly Holmes - a companheira que ela ajudou a ganhar o segundo lugar, na corrida dos 800 metros no Mundial de Paris, na semana passada. Este ano foi o melhor da sua carreira e, para já, Mutola não faz planos de reforma. «Ainda sou nova, quero continuar a correr», afirma. Mas quando as pernas já não a deixarem, o poiso será certo - a sua terra, Moçambique - «onde espero ajudar o povo naquilo que sei». E é tanto.
Texto de Catarina Carvalho, com Mateus Chale, correspondente em Maputo in: Expresso

3 de janeiro de 2009

Venenos de Deus, Remédios do Diabo (Mia Couto)

VENENOS DE DEUS, REMÉDIOS DO DIABO (MIA COUTO) Venenos de Deus, Remédios do Diabo é o mais recente romance de Mia Couto, escritor moçambicano nascido em 1955. Neste livro, tomamos contacto com Sidónio Rosa, médico português que decide fazer trabalho cooperativo em Moçambique para tentar encontrar a sua amada Deolinda, uma mulata que conheceu num congresso em Lisboa. Chegado a Via Cacimba só encontra os pais de Deolinda – Bartolomeu Sozinho e Dona Munda – que justificam a ausência da mulata por suposto estágio. No decorrer da narrativa Sidónio é confrontando com histórias antagónicas sobre o que terá acontecido a Deolinda e sobre o passado da família Sozinho. Adensa-se o mistério e Sidónio mergulha, também ele, na cacimba que parece cobrir a Vila Cacimba. Mia Couto sabe contar uma história, doseia a informação com mestria, revela os factos no momento certo, fá-lo quando já estamos desconfiados da sua existência e sem chamar a atenção para si. O leitor só sabe aquilo que a personagem principal sabe, embora haja algumas excepções, e toma conhecimento dos factos ao mesmo tempo que Sidónio. Isto permite que cada revelação seja, no contexto da narrativa, verosímil e permite também uma maior envolvência da parte do leitor. Em Venenos de Deus, Remédios do Diabo é fácil gostarmos das personagens pelo carisma e pela quase total ausência de maldade. Não são heróis, são pessoas que, como todos nós, cometem erros, mentem, falam verdade, têm medos, fantasmas e acreditam em algo que não se vê e que não é terreno. Nessa galeria de personagens destaca-se Bartolomeu Sozinho, um velho reformado que andou toda a vida, quando Moçambique era uma colónia portuguesa, embarcado no transatlântico Infante D. Henrique. Passa os dias fechado no seu quarto, apenas com a companhia da televisão que, como é dito, sonha por ele. Mal visto em Cacimba, por causa da sua ligação ao regime colonial que é empolada por uma daquelas lendas heróicas que alguns contam – neste caso o administrador Suacelência – para se vangloriar e conseguir um lugar de destaque junto da comunidade. A sua esposa, Dona Munda, é uma mulata acusada pelo seu marido de ser feiticeira. Guarda segredos que nunca chegamos a conhecer na sua totalidade. Tão depressa deseja, aparentemente, matar o seu marido como deseja que ele não morra e que recupere do mal que o consome. Com um papel de menor destaque desfilam na prosa de Mia Couto outras personagens com traços particulares e que prevalecem na nossa memória finda a leitura deste romance. Disso exemplo é Suacelência, o administrador da cidade que deseja um medicamento que acabe com o suor. A própria Vila Cacimba assume um destaque simbólico, porque tudo nela – locais (cemitério) e personagens – parece, como o nome indica, estar envolto num nevoeiro que não deixa ver a realidade. Na vila, o tempo (passado, presente e futuro) parece não existir e as histórias têm tantas versões quantos os habitantes que as contam. Venenos de Deus, Remédios do Diabo apresenta o trabalho sobre a linguagem típico de Mia Couto, onde as palavras são alteradas pela oralidade e pelo uso efectivo do dia-a-dia. Ainda assim, Mia Couto exagera nos adágios que coloca na boca das personagens e na voz do narrador. Parece haver uma necessidade de colocar em filosofia popular todo e qualquer acontecimento. Mesmo a personagem mais humilde tem a capacidade de soltar uma máxima em relação à coisa mais ínfima. Em alguns casos esse exagero de máximas é justificado e até recebido com um sorriso de aprovação, noutros parece um puro exercício de estilo feito a pensar em antologias de pensamentos de bolso. Cito alguns exemplos: “O amor acontece para a gente desacontecer” (página 38) e “Viver é um verbo sem passado” (página 46). Com o desenrolar da acção, deixamos de reparar nesse pequeno pecado e passamos a devorar com ganância cada página, na esperança de ver atadas todas as pontas da história. É esse o grande mérito de Mia Couto: sabe contar uma história e isso é um bom motivo para pegar num livro. por Emanuel Amorim

Lurdes Mutola: Briosa Homenagem à Pérola do Índico

LURDES MUTOLA: BRIOSA HOMENAGEM À PÉROLA DO ÍNDICO A cerimónia de homenagem a Lurdes Mutola realizada na passada sexta-feira, no Centro de Conferências Joaquim Alberto Chissano foi preparada à imagem de uma campeã do mundo e olímpica, à imagem de uma atleta que correu e conquistou o mundo, sempre com o emblema de Moçambique colado ao peito. Tudo foi preparado ao mínimo pormenor, com a devida pompa e circunstância ao nível da exigência e requinte de uma cerimónia que estiveram presentes as mais importantes figuras do Governo e do desporto. Como era de esperar, a “Pérola do Índico”, como é carinhosamente tratada Lurdes Mutola, foi congratulada com uma briosa homenagem, dirigida pelo Presidente da República de Moçambique, Armando Emílio Guebuza, que lhe concedeu o título de “Heroína do Trabalho da República de Moçambique”. Mais de 200 pessoas presentes, entre membros do Governo, familiares, desportistas e amigos aplaudiriam euforicamente o gesto, afinal era o mais alto reconhecimento após 20 anos de carreira. O coroar de uma carreira repleta de brilho que encheu de satisfação milhões de moçambicanos que em frente dos ecrãs ou “in-loco” vibravam com as cavalgadas da Menina de Ouro que quase sempre terminavam em vitória. As vitórias nos Campeonatos do Mundo dos 800 metros e nos Jogos Olímpicos em Sidney-2000 foram seguramente o momento mais alto de uma caminhada cheia de êxitos. Mutola estreou-se ao mais alto nível nos Jogos Olímpicos de Seul/ Coreia, tendo ocupado a sétima posição. Na homenagem a Lurdes Mutola não houve quem não se rendesse à campeã dos 800 metros. Os elogios vieram de diferentes figuras do desporto moçambicano. Todos foram unânimes em dizer que a homenagem é inteiramente merecida. “Briosa homenagem à Pérola do Índico”. Maputo,Segunda feira: 24 de Novembro de 2008

Quissico (Mia Couto)

QUISSICO 1. Deixei o sol na praia de Quissico De bruços sobre o Verão eu deixei o Sol na extensão do tempo Molhando, quase líquido, o dia afundava nas fundas águas do Índico A terra se via estar nua lembrando, distante, seu parto de carne e lua 2. Não o pássaro: era o céu que voava O ombro da terra amparava o dia A luz tombava ferida pingando como um pulso suicida um minhas ocultas asas Mia Couto